Ibaneis deixa governo do DF para disputar Senado após gestão marcada por crises

Governador encerra mandato iniciado em 2019 e passa comando a Celina Leão

Marina Verenicz

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, durante reunião do Fórum de Governadores para tratar da incidência do ICMS sobre combustíveis e teses da cobrança do Diferencial de Alíquota do ICMS (Difal).
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, durante reunião do Fórum de Governadores para tratar da incidência do ICMS sobre combustíveis e teses da cobrança do Diferencial de Alíquota do ICMS (Difal).

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O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), deixa o cargo nesta segunda-feira (30) para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. A saída será formalizada em cerimônia na Câmara Legislativa, com a transmissão do cargo para a vice-governadora Celina Leão (PP), que deve concorrer ao governo local.

A mudança encerra um ciclo de mais de sete anos à frente do Executivo do DF. Eleito em 2018 sem experiência política prévia, Ibaneis construiu sua trajetória a partir da advocacia e da presidência da OAB no DF, chegando ao cargo em meio à onda de renovação que marcou aquela eleição.

No início do mandato, o governador buscou aproximação com o setor produtivo e adotou uma agenda focada em obras e regularização fundiária. Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, manteve interlocução com o Palácio do Planalto e consolidou base política local.

A pandemia de Covid-19 representou um dos primeiros testes de sua gestão. O governo do DF alternou entre medidas de flexibilização e restrições, em um cenário de pressão simultânea de empresários e autoridades sanitárias.

Entre março de 2020 e abril de 2022, Brasília registrou cerca de 700 mil casos e 11,6 mil mortes, com decisões que chegaram a ser contestadas judicialmente.

8 de Janeiro

Reeleito em primeiro turno em 2022, Ibaneis ampliou sua influência na Câmara Legislativa, mas enfrentou forte abalo político após os atos de 8 de Janeiro de 2023. O governador foi afastado do cargo por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, sob suspeita de omissão na área de segurança.

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O episódio levou à intervenção federal na segurança pública do DF e desencadeou investigações que atingiram integrantes da cúpula policial. Apesar de ter sido reconduzido ao cargo posteriormente, o caso deixou marcas na gestão e ampliou o escrutínio sobre sua administração.

A crise também teve desdobramentos no Legislativo local, com a instalação de uma CPI na Câmara Legislativa. Embora não tenha sido responsabilizado diretamente, o processo expôs fragilidades na condução da segurança pública.

Caso BRB-Master

Nos meses finais de governo, Ibaneis voltou ao centro de controvérsias com o caso envolvendo o Banco de Brasília e o Banco Master, adiante de uma tentativa de aquisição da instituição controlada por Daniel Vorcaro pelo banco estatal. Supostas irregularidades do negócio levantaram questionamentos sobre a atuação do governador.

O nome de Ibaneis também apareceu em depoimento do banqueiro à Polícia Federal, no contexto da Operação Compliance Zero. Além disso, foram citadas relações entre um escritório de advocacia ligado ao governador e estruturas financeiras sob investigação.

A saída de Ibaneis ocorre em meio a esse conjunto de episódios, que marcaram a transição de uma gestão inicialmente associada à eficiência administrativa para um período mais pressionado por crises políticas e institucionais.