Horas após governo de SP acionar STF, Fazenda libera R$ 5,4 bilhões para o estado

Durigan assinou despacho na noite desta quarta-feira autorizando a operação com o Banco do Brasil, que segundo o estado custeará obras de linhas de metrô, trem e rodovia

Prédio do Ministério da Fazenda em Brasília
14/02/2023
REUTERS/Adriano Machado
Prédio do Ministério da Fazenda em Brasília 14/02/2023 REUTERS/Adriano Machado

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, autorizou que o governo de São Paulo pegue R$ 5,4 bilhões emprestados do Banco do Brasil, com a União como garantidora. A autorização ocorreu na noite desta quarta-feira (12), horas após o estado entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) alegando demora na liberação do recurso.

No despacho, assinado às 22h38, Durigan leva em conta as manifestações da Secretaria do Tesouro Nacional e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional que verificaram que o estado atende aos critérios necessários para fazer essa operação de crédito.

O montante, segundo o govero estadual, será usado para obras nas linhas 6 (Laranja) e 5 (Lilás) do metrô, duplicação da Rodovia dos Tamoios e melhorias nas Linhas 8 (Diamante), 9 (Esmeralda), 11 (Coral), 12 (Safira) e 13 (Jade) do trem, além da implementação de travessias hídricas no interior do estado.

Nesta quarta, o governo havia protocolado uma ação no STF pedindo uma liminar para a liberação do empréstimo. A gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) argumentou que o estado não vem recebendo tratamento isonômico em comparação a outras unidades da federação que pedem o mesmo tipo de financiamento junto a bancos públicos com a garantia da União. A ação está sob relatoria do ministro Flávio Dino e não teve decisão.

Como exemplo da suposta desvantagem, o governo paulista citou, no pedido apresentado ao STF, o andamento de pedidos feitos pelo Piauí, que também passaram pelo crivo técnico em 19 de maio, mas receberam o sinal verde da Fazenda em um intervalo de 49 dias.

Reportagem do GLOBO mostrou que essas queixas têm sido frequentes por parte não só do Governo do Estado, mas também da Prefeitura de São Paulo, que alegam que desde 2025 vem ocorrendo uma demora excessiva na liberação tanto de empréstimos com instituições nacionais quanto nas operações com bancos estrangeiros. Em ambos os casos, a União atua como uma espécie de “fiadora”, o que garante juros mais baixos, mas no caso de empréstimos com instituições financeiras de outros países, o governo federal precisa dar o aval e remeter o pedido ao Senado Federal, que precisa autorizar as operações.

Essa solicitação de R$ 5,4 bilhões chegou à Fazenda em novembro de 2025, e em maio, os órgãos técnicos da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) emitiram pareceres positivos validando o negócio. Faltava o aval do ministro da Fazenda, que foi concedido na noite desta quarta.

Disputa eleitoral

O imbróglio técnico, contudo, ganhou fortes contornos eleitorais. Durante debate televisivo no último domingo, na TV Band, Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad protagonizaram um choque direto sobre a “paternidade” de obras e os recursos federais. O governador cobrou explicações sobre os processos travados.

— Se a visão é republicana, por que os nossos financiamentos com o Banco Europeu de Investimento e com o Banco Mundial estão travados na Casa Civil? Por que eles não foram enviados para o Senado? Por que o nosso financiamento com o Banco do Brasil para fazer a extensão da Linha 5 até o Jardim Ângela e a duplicação (da Rodovia Tamoios) Caraguá-Ubatuba está travado na Fazenda há meses? — indagou o governador.

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O ex-ministro rebateu citando os expressivos descontos que São Paulo obteve com o programa de renegociação de dívidas dos estados, criticando o adversário por omitir a colaboração do Planalto.

— Negar o que o governo federal está fazendo por SP, em entrevista, não é uma prática bonita. Parceria é para ser reconhecida — afirmou. — Então você não recebeu nada? Eu estou te perguntando. Você recebeu R$ 128 bilhões de abatimento de serviço da dívida. Se você somar tudo o que todos os governadores receberam, não dá o que você recebeu de desconto de juro — disse Haddad, que também culpou Tarcísio por demorar a aderir ao Propag.

A narrativa de retaliação partidária também é encampada pelo prefeito paulistano, Ricardo Nunes (MDB). Ele tem afirmado que a capital sofre perseguição política, acusando a Casa Civil de reter o encaminhamento de R$ 3,5 bilhões em créditos internacionais que seriam aplicados em novas unidades de saúde e ônibus elétricos. Aliados da direita, como o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), passaram a usar o termo “boicote” para classificar a postura da atual gestão federal.

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O Ministério da Fazenda rechaçou qualquer morosidade proposital, argumentando que a troca de documentos e exigências segue o ritmo normal previsto em lei e que, historicamente, anos de eleições municipais tendem a sobrecarregar o volume de análises de crédito.

A Casa Civil também negou interferências e afirmou que os trâmites são puramente técnicos. Na mesma linha de resposta institucional, Aloizio Mercadante, comandante do BNDES, emitiu uma nota recente enfatizando que São Paulo é o ente que mais recebeu aprovações da instituição financeira.