Haddad acusa direita de “apoiar o agressor” sobre tarifaço; Tarcísio rebate com ações

Candidatos ao governo de São Paulo divergem sobre resposta às tarifas dos EUA; petista cobra atuação diplomática e pagamento de créditos de ICMS, enquanto governador destaca medidas de apoio aos exportadores

Ministro Fernando Haddad
(Foto: REUTERS/Adriano Machado) - Tarcísio de Freitas (Foto: Divulgação/Cleiby Trevisan)

Ministro Fernando Haddad (Foto: REUTERS/Adriano Machado) - Tarcísio de Freitas (Foto: Divulgação/Cleiby Trevisan)


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As tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros colocaram Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em confronto neste domingo (9), durante o primeiro debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, realizado pela Band.

Enquanto o petista cobrou uma reação política conjunta contra as medidas de Donald Trump, Tarcísio concentrou sua resposta nas consequências econômicas para as empresas paulistas.

O embate ocorre depois de os Estados Unidos adotarem, em julho, novas sobretaxas sobre parte das exportações brasileiras. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as medidas combinadas atingem 23,1% das vendas brasileiras aos EUA. A tarifa de 25% decorrente da investigação comercial americana ameaça entre US$ 7 bilhões e US$ 11 bilhões em exportações, segundo estimativas reunidas pela Reuters.

Haddad afirmou que a resposta brasileira deveria passar pela atuação diplomática do governo federal e criticou políticos que, segundo ele, se aproximaram do governo Trump durante a escalada das tensões.

“Estamos em uma situação geopolítica complexa. Os EUA, sem nenhuma justificativa, porque são superavitários contra a gente, resolvem atacar o Brasil. O que se espera dos políticos brasileiros é uma união nacional para defender os interesses domésticos. O que se viu foi um grupo defendendo o agressor. O que é inadmissível”, afirmou.

Em outro momento, o candidato do PT fez uma referência à imagem de Tarcísio usando um boné com o slogan MAGA — Make America Great Again, marca política de Trump — e disse ser necessário “colocar o boné certo na cabeça”.

Para Haddad, a reação ao tarifaço exige fortalecer a diplomacia brasileira, buscar novos destinos para os produtos afetados e construir uma resposta conjunta entre União e estados.

“É preciso união nacional e senso de responsabilidade”, afirmou.

Medidas para exportadores

Tarcísio reconheceu o impacto das medidas americanas sobre a economia paulista e direcionou sua resposta às ações adotadas pelo governo estadual para reduzir os efeitos sobre as empresas.

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“As tarifas prejudicam em especial o Estado de São Paulo”, afirmou.

Segundo o governador, uma das medidas adotadas foi acelerar a devolução de créditos tributários aos exportadores, numa tentativa de melhorar a liquidez das empresas atingidas pelas novas barreiras comerciais.

“Procuramos antecipar a devolução do crédito para as empresas exportadoras para amenizar e dar fôlego financeiro para as empresas”, disse.

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São Paulo está particularmente exposto às medidas americanas por concentrar setores industriais com vendas relevantes para os Estados Unidos. A região de Franca, por exemplo, tem forte dependência do mercado americano para suas exportações de calçados, um dos segmentos atingidos pelas novas tarifas.

Haddad cobra créditos de ICMS

Haddad respondeu questionando a situação dos créditos tributários acumulados pelos exportadores paulistas. Segundo o petista, empresas ainda teriam entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões em créditos de ICMS aguardando ressarcimento pelo Estado.

O candidato também associou a capacidade de resposta ao tarifaço à decisão do governo paulista sobre a renegociação de sua dívida com a União. São Paulo possui a maior dívida estadual enquadrável no Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag): o saldo informado pelo Ministério da Fazenda era de R$ 291,7 bilhões em março de 2025.

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“Uma coisa que poderia ter sido feita era a adesão da renegociação da dívida dos estados que foi proposta pelo governo federal. Isso renderia de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões em 2025 para o governo do Estado”, afirmou Haddad.

Segundo ele, a folga fiscal poderia ter sido utilizada para acelerar o ressarcimento dos exportadores.

“São Paulo deve de R$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões de créditos tributários dos exportadores, que aguardam até anos para fazer valer seu crédito. Se tivéssemos uma boa gestão fiscal, que fizesse uma adesão à dívida, hoje estaríamos em uma situação em que as empresas estivessem com caixa e possibilidade de buscar novas praças para seus produtos”, disse.

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Marina Verenicz
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