Flávio faz aceno às mulheres após crise com Michelle: “A mulherada manda no Brasil”

Pré-candidato evita comentar embate com a ex-primeira-dama, reforça discurso voltado ao eleitorado feminino e lideranças do PL tentam reduzir desgaste

Marina Verenicz

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levanta quadro com fotografia do pai, Jair Bolsonaro (PL), em evento do PL, no Rio de Janeiro - Vittor Sales/Divulgação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levanta quadro com fotografia do pai, Jair Bolsonaro (PL), em evento do PL, no Rio de Janeiro - Vittor Sales/Divulgação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro

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Em meio à crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou nesta sexta-feira (3) um discurso direcionado ao eleitorado feminino. Sem mencionar o conflito familiar, o pré-candidato à Presidência afirmou que “a mulherada manda no Brasil” durante um evento do PL voltado à comunicação e mobilização digital.

“É a mulherada que manda em casa, é a mulherada que manda no Brasil e que fala por último no palco”, disse Flávio ao participar de um painel sobre o papel das mulheres na política.

A declaração ocorre pouco mais de uma semana depois de Michelle divulgar um vídeo em que afirma ter sido desrespeitada pelo enteado. O episódio provocou a maior crise pública da família Bolsonaro desde o início da pré-campanha e levou a ex-primeira-dama a deixar a presidência do PL Mulher.

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O aceno também acontece após pesquisas indicarem perda de apoio de Flávio justamente entre as mulheres. Levantamento AtlasIntel/Bloomberg divulgado nesta semana mostrou queda de dez pontos percentuais do senador nesse segmento do eleitorado, considerado estratégico para a campanha do PL.

Discurso evita conflito

Durante todo o seminário, Flávio evitou responder perguntas ou fazer referências ao desentendimento com Michelle. Em vez disso, concentrou sua participação em propostas voltadas ao público feminino.

O senador defendeu a ampliação da oferta de creches para facilitar a entrada de mulheres no mercado de trabalho e afirmou que autores de violência doméstica devem permanecer presos.

Também buscou reforçar sua imagem no ambiente familiar. “Sou um homem comum”, afirmou, ao comentar a relação com a esposa e as duas filhas.

O seminário marcou a primeira grande agenda pública de Flávio após o rompimento com Michelle ganhar dimensão nacional.

Nos bastidores, integrantes do PL avaliam que a participação ativa de Michelle continua sendo considerada importante para a campanha, apesar da crise. A prioridade da direção do partido é impedir que o conflito familiar se transforme em um problema eleitoral permanente às vésperas do início oficial da campanha.

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