Flávio diz que vai aos EUA defender o Pix em audiência sobre tarifas ao Brasil

Senador afirma que governo Lula não protege interesses brasileiros e participa na próxima semana de audiência do USTR sobre possível tarifa de 25%

Marina Verenicz

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levanta cartaz escrito "o Pix é do Brasil e do Bolsonaro", em Contagem, Minas Gerais. Foto: reprodução / rede x
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levanta cartaz escrito "o Pix é do Brasil e do Bolsonaro", em Contagem, Minas Gerais. Foto: reprodução / rede x

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta sexta-feira (3) que viajará aos Estados Unidos para defender o Pix durante a audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que discute a proposta de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. A participação do parlamentar está prevista para o dia 7 de julho.

Durante evento do PL no Rio de Janeiro, Flávio disse que decidiu comparecer porque considera que o governo brasileiro não está defendendo os interesses do país nas negociações comerciais com Washington.

Leia mais: Os argumentos dos EUA para propor taxação de 25% sobre o Brasil

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“A nossa verdade é a seguinte: nós defendemos o Pix porque o Pix é do Brasil, foi criado pelo presidente Bolsonaro, sem taxa. Eu vou lá para os Estados Unidos defender o nosso Pix, já que o atual presidente do Brasil está se lixando para as empresas brasileiras. É o único que quer a tarifação dos nossos produtos brasileiros que são enviados para os Estados Unidos. Então eu vou lá defender o nosso Brasil”, afirmou.

A declaração ocorre um dia depois de o senador encaminhar manifestação formal ao USTR, na qual pede o adiamento por 180 dias da aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. No documento, ele argumenta que uma implementação imediata das medidas beneficiaria politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e prejudicaria empresas dos dois países.

Pix entra no centro da disputa comercial

Na manifestação enviada ao governo americano, Flávio dedica parte da argumentação ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, um dos temas citados na investigação comercial aberta pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O senador afirma que o Pix não concorre diretamente com empresas privadas de cartões e sustenta que o sistema não substitui serviços como concessão de crédito, financiamento ao consumidor, mecanismos de estorno e resolução de disputas.

Como proposta para reduzir as preocupações americanas, Flávio também sugere um compromisso de que o Pix não seja integrado a sistemas de liquidação financeira transfronteiriços considerados “não ocidentais”.

No documento, ele classifica como exageradas as alegações de conflito de interesse levantadas pelos Estados Unidos e atribui a criação do Pix ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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A audiência do USTR integra a etapa final da investigação aberta pelos Estados Unidos sobre práticas comerciais brasileiras relacionadas ao comércio digital, tarifas de importação, combate à corrupção, propriedade intelectual, mercado de etanol e desmatamento.

Além de Flávio Bolsonaro, representantes da indústria brasileira, de empresas americanas, associações empresariais e especialistas em comércio internacional participarão das sessões em Washington. As manifestações servirão de subsídio para a decisão do governo americano sobre a adoção das novas tarifas, prevista para este mês.