Em “festão” do PT, Lula volta a falar em “genocídio” em Gaza e critica Daniel Alves

Em celebração pelos 44 anos do PT, Lula voltou a criticar ação militar de Israel, fez apelo ao Hamas pela libertação de reféns e lamentou decisão da Justiça espanhola de tirar Daniel Alves da cadeia

Fábio Matos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi a principal estrela da festa de aniversário de 44 anos do Partido dos Trabalhadores, celebrada na noite de quarta-feira (20), em Brasília. A cerimônia também contou com a presença de uma série de ministros do governo petista, além de lideranças e militantes do partido.

Antes de cantar o “parabéns a você”, ao lado da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva (a Janja) e da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, Lula voltou a classificar as ações militares de Israel na Faixa de Gaza como um “genocídio”.

O presidente ainda fez um “apelo” ao grupo terrorista Hamas, autor de um bárbaro ataque contra Israel em 7 de outubro do ano passado (que deflagrou a guerra), para que libertasse os reféns ainda presos.

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“Chega de matar mulheres e crianças! Chega! Aquilo não é guerra, é genocídio. Temos que ter coragem de dizer essas coisas ou não vale a pena nossa passagem pelo planeta Terra”, disse Lula, aplaudido pelos militantes do PT. “Não é possível que estejamos assistindo a essa carnificina. Cadê a ONU, que deveria existir para evitar que essas coisas acontecessem?”, questionou.

Daniel Alves

O presidente da República também aproveitou o discurso no aniversário do PT para comentar a decisão da Justiça espanhola de conceder liberdade provisória ao ex-jogador do Barcelona e da seleção brasileira Daniel Alves, condenado a 4 anos e 6 meses de prisão por estupro.

O ex-jogador deverá pagar uma fiança de 1 milhão de euros (cerca de R$ 5,4 milhões), além de entregar o passaporte às autoridades e se apresentar semanalmente ao tribunal. Ele foi condenado por estupro contra uma mulher de 23 anos em uma boate de Barcelona, em dezembro de 2022. Daniel Alves ficou preso durante 14 meses.

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“O dinheiro que o Daniel Alves tem, o dinheiro que alguém possa emprestar para ele, não pode comprar a dignidade da ofensa que um homem faz a uma mulher praticando estupro. O sexo é algo feito a dois e tem que ser permitido”, afirmou Lula.

“Nós estamos vendo agora que o Daniel Alves pode ser libertado se pagar alguma coisa. Aprendi lá em Pernambuco, quando eu era pequeno: as pessoas diziam que, no Nordeste, quem tem 20 contos de réis não é preso. Essa máxima continua. Isso é crime”, completou o presidente.

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Democracia

Mantendo a tônica que vem adotando em discursos recentes, Lula também citou a importância da manutenção da democracia no Brasil, em meio às investigações sobre a participação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em uma suposta tentativa de golpe de Estado no país, em 2022.

“A democracia precisa de instituições fortes, de carreiras fortes para o Estado funcionar atendendo aos interesses do povo, independentemente de quem está na Presidência. E precisa de imprensa forte”, disse Lula.

Esplanada em peso

Além de Lula, Janja e Gleisi, vários ministros do atual governo prestigiaram a festa do PT em Brasília. Antigo adversário do partido, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), subiu ao palco. O ex-deputado federal e ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT-SP) também compareceu.

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Também estiveram presentes na celebração ministros como Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Nísia Trindade (Saúde), Luiz Marinho (Trabalho e Emprego), Paulo Pimenta (Secretaria de Comunicação Social), Márcio Macêdo (Secretaria-Geral da Presidência), Margareth Menezes (Cultura), Esther Dweck (Gestão e Inovação), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Anielle Franco (Igualdade Racial) e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União).

Fábio Matos

Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008. Teve passagens por Metrópoles, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Cultura. É autor dos livros “Dias: a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960” e “20 Jogos Eternos do São Paulo”