Da IA às urnas: por que a eleição de 2026 começa a lembrar a campanha de 2018

Especialistas veem na inteligência artificial um potencial de transformar a disputa presidencial da mesma forma que o WhatsApp alterou o jogo eleitoral há oito anos

Marina Verenicz

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A inteligência artificial ainda é uma incógnita para candidatos, Justiça Eleitoral e eleitores. Mas, para cientistas políticos, ela já desponta como o principal elemento capaz de mudar a dinâmica da campanha presidencial de 2026 — ocupando um papel semelhante ao que o WhatsApp desempenhou na eleição de 2018.

A avaliação foi feita durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, ao analisar os primeiros movimentos da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Para os especialistas, o uso de vídeos produzidos por inteligência artificial na convenção do PL mostra que as campanhas ainda estão testando os limites da tecnologia, tanto do ponto de vista eleitoral quanto jurídico.

“O IA é um elemento central para a campanha, para várias das campanhas da direita e para as campanhas como um todo. A gente ainda não sabe como isso vai ser produzido e me parece que a IA pode ocupar nessa eleição um papel que o WhatsApp teve em 2018. Um elemento com o qual a gente ainda não está acostumado e que muda um pouco a percepção em torno da política”, afirmou Jorge Chaloub, professor de Ciência Política da UFRJ.

A comparação remete ao impacto provocado pelo aplicativo de mensagens na eleição que levou Jair Bolsonaro à Presidência. Naquele pleito, a circulação de conteúdos em grupos fechados alterou a forma de fazer campanha e surpreendeu partidos, institutos de pesquisa e até especialistas em comunicação política.

Na visão de Chaloub, a inteligência artificial pode produzir um efeito semelhante por introduzir uma ferramenta inédita justamente quando ainda não existe consenso sobre seus limites.

“O Flávio Bolsonaro está testando. A convenção foi um teste. Até em que medida a inteligência artificial será tolerada”, afirmou.

O fator surpresa

A possibilidade de a IA alterar a campanha também foi associada a outro elemento observado nas eleições mais recentes, com a velocidade com que novos fenômenos políticos surgem.

Em edições anteriores do Mapa de Risco, especialistas lembraram que eleições como a de 2018 desafiaram previsões ao produzir vitórias inesperadas nos estados.

Romeu Zema, em Minas Gerais, e Wilson Witzel, no Rio de Janeiro, chegaram ao segundo turno impulsionados por uma onda política que ganhou força nas semanas finais da campanha.

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Na avaliação dos participantes do programa, a combinação entre redes sociais, inteligência artificial e comunicação digital tende a acelerar ainda mais esse processo.

A preocupação não está apenas na produção de conteúdos sintéticos, mas na velocidade com que vídeos, imagens e mensagens podem ganhar alcance nacional antes mesmo de haver tempo para contestação ou checagem.

Por isso, os analistas avaliam que a eleição de 2026 começa a repetir uma característica marcante de 2018. A diferença é que, desta vez, o desafio não será apenas acompanhar o que circula nas redes, mas entender até onde candidatos, eleitores e a própria Justiça Eleitoral aceitarão o uso da inteligência artificial como ferramenta de propaganda política.

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O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.