“Rei protege o príncipe”: Caiado sobre Lula e Bolsonaro após investigação de Lulinha

Candidato do PSD diz que críticas ao PT também poderiam ser aplicadas à relação entre Jair Bolsonaro e Flávio

Marina Verenicz

O pré-candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado. Foto: reprodução
O pré-candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado. Foto: reprodução

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O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, aproveitou a abertura do inquérito que investiga Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para atacar simultaneamente os dois principais adversários na corrida ao Planalto.

Em publicação na rede social X nesta quinta-feira (30), o ex-governador de Goiás comparou a relação entre Lula e o filho à de Jair Bolsonaro com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Embora tenha iniciado a mensagem fazendo referência ao presidente da República e a Lulinha, Caiado afirmou que a crítica também poderia ser direcionada ao campo bolsonarista.

“Filho investigado por vender acesso ao governo e o pai que finge não ver. Esse é o retrato da novela política chamada PT, em cartaz há décadas, sempre com o mesmo enredo, sempre com os mesmos personagens. É uma monarquia disfarçada de república, onde o rei protege o príncipe”, escreveu.

Na sequência, acrescentou: “Estou falando de Lula e Lulinha, mas pode ser interpretado como outro pai que protege outro filho. Já passou da hora de acabar com essa farsa!”.

A publicação reforça a estratégia adotada por Caiado desde o início da campanha de se apresentar como uma alternativa tanto ao PT quanto ao grupo político liderado por Jair Bolsonaro.

Lula reage

Também nesta quinta-feira, Lula comentou pela primeira vez a investigação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que não usará a Presidência para beneficiar o filho.

“Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa. Como eu, não haverá qualquer privilégio. Jamais pedirei para um juiz não fazer a coisa correta. Se ele tiver certo, vai ter ajuda minha. Se fizer coisa errada, não vai ter”, declarou durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda.

O presidente também fez referência à Operação Lava Jato e às consequências que, segundo ele, a investigação teve para sua família.

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“Ele sabe o que eu passei, sabe o que é ver na TV te chamarem de ladrão. Sabe que minha mulher morreu por causa da Lava Jato.”

O que apura o inquérito

O inquérito foi autorizado pelo ministro André Mendonça, do STF, a pedido da Polícia Federal. A investigação busca esclarecer se Lulinha praticou os crimes de tráfico de influência e corrupção ao supostamente atuar em favor do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em negociações ligadas ao Ministério da Saúde.

Segundo a PF, uma das linhas de apuração envolve tratativas para a comercialização de medicamentos à base de cannabis medicinal.

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Os investigadores suspeitam que Lulinha tenha facilitado o acesso do lobista ao Ministério da Saúde. Antonio Carlos Camilo Antunes tentou negociar, em 2024 e 2025, um contrato para fornecer medicamentos de canabidiol ao governo federal por meio da empresa World Cannabis, mas o acordo não foi firmado.

O Careca do INSS é apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos indevidos de aposentadorias e pensões do INSS. Segundo a investigação, a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, foi contratada pelo lobista para prospectar oportunidades de negócios no setor de cannabis medicinal junto ao governo federal.