Conselho de Ética da Câmara avalia ação que pode cassar Eduardo Bolsonaro

Filho do ex-presidente é alvo de representação do PT por quebra de decoro e enfrenta nova denúncia da PGR por coação no curso do processo

Marina Verenicz

Deputado Eduardo Bolsonaro em discurso na Câmara dos Deputados - Foto: Najara Araujo/CD
Deputado Eduardo Bolsonaro em discurso na Câmara dos Deputados - Foto: Najara Araujo/CD

Publicidade

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados reúne-se nesta terça-feira (23) para avaliar uma representação contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que pode enfrentar um processo de cassação de mandato.

A representação foi protocolada pelo PT e acusa Eduardo Bolsonaro de agir de forma reiterada para difamar instituições do Estado brasileiro. Segundo o partido, a conduta do parlamentar caracteriza quebra de decoro e não pode ser protegida pela imunidade parlamentar.

“No documento, o PT argumenta que a imunidade não é salvo-conduto para atos atentatórios à ordem institucional, tampouco manto protetor para discursos de incitação à ruptura democrática”, diz o texto. A legenda pede a cassação imediata do mandato.

Pressão ampliada pela PGR

O caso ganha ainda mais gravidade diante da denúncia apresentada nesta segunda-feira (22) pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo.

Eles são acusados de coação no curso do processo, em articulações feitas nos Estados Unidos para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) e interferir na investigação da tentativa de golpe de Estado de 2022.

A denúncia aponta que Eduardo buscou apoio político junto ao governo Donald Trump para impor sanções e tarifas contra o Brasil, em retaliação ao julgamento do pai. O deputado está nos Estados Unidos desde março e já enfrenta risco de perder o mandato por excesso de faltas não justificadas.

Continua depois da publicidade

A avaliação do Conselho de Ética ocorre em um momento crítico para o PL, que tenta se reposicionar no Congresso em meio às pressões sobre Jair Bolsonaro e seus filhos. Se a denúncia da PGR avançar e o Conselho der andamento à representação, Eduardo poderá enfrentar um duplo cerco: no Judiciário e dentro do Parlamento.