Confusão com sindicalistas tumultua visita de Nunes a pacientes com dengue em SP

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), pré-candidato à reeleição, foi hostilizado por sindicalistas que reivindicavam reajuste salarial para o funcionalismo público

Fábio Matos

Ricardo Nunes (MDB), prefeito de São Paulo (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)
Ricardo Nunes (MDB), prefeito de São Paulo (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

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O prefeito de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Ricardo Nunes (MDB), foi alvo de um protesto de sindicalistas na manhã desta quinta-feira (14), durante visita às tendas de atendimento a pacientes com dengue montadas na Unidade de Pronto Antedimento (UPA) Tito Lopes, em São Miguel Paulista, zona leste da capital.

Ao chegar ao local, acompanhado pela primeira-dama, Regina Nunes, o prefeito de São Paulo ouviu críticas e xingamentos de representantes do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep). A entidade é ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), apoiadora histórica do PT.

Nunes deve ter como principal adversário na sucessão municipal o deputado federal Guilherme Boulos, pré-candidato do PSOL. A vice na chapa de Boulos será a ex-prefeita Marta Suplicy, que recentemente se filiou novamente ao PT.

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O grupo de sindicalistas ergueu cartazes com pedidos de reajuste salarial. Eles também acusaram Nunes de ter “abandonado” a administração da cidade. Para abafar o protesto, aliados de Nunes entoaram gritos de apoio ao prefeito.

Houve, então, um princípio de confusão entre os dois grupos. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) teve de ser acionada para evitar uma confusão maior.

Indagado por jornalistas sobre o ato, Nunes ironizou a manifestação e aproveitou para insinuar uma relação entre os sindicalistas e o PSOL, partido de Boulos. “Havia umas mil pessoas apoiando nosso trabalho. Não cheguei a contar quantas pessoas estavam aqui fazendo o protesto, me parece que eram seis. Bastante, né?”, disse o prefeito.

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“Se vai ter alguma situação de mistura com o período [eleitoral] do ano, em relação aos sindicatos, pode ser que sim, mas espero que não. A população já sofreu muito em um caso concreto, que foi o sindicato dos metroviários, que foi cooptado pelo PSOL”, acusou Nunes.

Segundo o prefeito de São Paulo, foram investidos, desde 2021, R$ 5 bilhões no funcionalismo público na capital. Nunes afirma que o reajuste oferecido pela prefeitura (2,16%) repõe a inflação no período, mas também considera a responsabilidade fiscal.

Michelle Bolsonaro no Theatro Municipal

Além da confusão com os sindicalistas, Ricardo Nunes teve de falar sobre uma homenagem que vem sendo preparada para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no Theatro Municipal, um dos principais símbolos de São Paulo.

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Nunes defendeu a iniciativa e afirmou que o teatro já foi palco de uma série de eventos e homenagens. O prefeito ressaltou que a homenagem a Michelle foi aprovada pela Câmara Municipal.

“A democracia é ampla, a democracia é para todos. Foi a casa do povo que aprovou a homenagem”, alegou Nunes. “Por que estão fazendo esse questionamento? Não é porque ela cometeu algo de errado ou porque ela não merece o título. Estão fazendo isso porque ela é esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Gente, vamos criar juízo. Que democracia é essa? Democracia da hipocrisia?”, indagou.

Nunes conta com o apoio de Bolsonaro na disputa municipal de outubro.

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Pesquisa

A sete meses das eleições, a corrida eleitoral pela prefeitura de São Paulo registra um empate técnico entre Boulos e Nunes, segundo pesquisa do Datafolha divulgada na segunda-feira (11).

Confirmando o cenário nacional de forte polarização política no país, o pré-candidato do PSOL aparece com 30% das intenções de voto, tecnicamente empatado com o atual prefeito, que tem 29%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

O levantamento do Datafolha também mostrou que a aprovação ao governo de Ricardo Nunes em São Paulo chegou a 29% dos eleitores paulistanos. São 24% os que reprovam a atual gestão, enquanto 43% a avaliam como regular. Outros 4% não souberam opinar.

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Fábio Matos

Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008. Teve passagens por Metrópoles, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Cultura. É autor dos livros “Dias: a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960” e “20 Jogos Eternos do São Paulo”