Crise política

“Moro condicionou troca de Valeixo à vaga no STF”, acusa Bolsonaro. Ex-ministro nega acusação

Moro anunciou a saída do governo após o presidente exonerar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo

Bolsonaro fala sobre coronavírus
O presidente Jair Bolsonaro em entrevista a jornalistas em Brasília (Andressa Anholete/Getty Images)

SÃO PAULO – O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira que o ex-ministro Sérgio Moro condicionou a troca de comando na Polícia Federal à sua indicação ao Supremo Tribunal Federal. “Ele [Sérgio Moro] disse que eu poderia demitir o Valeixo em novembro, depois de eu indicar ele como ministro do STF”, afirmou.

Pouco depois da declaração, Moro utilizou sua conta no Twitter para rebater o presidente. “A permanência do Diretor Geral da PF, Maurício Valeixo, nunca foi utilizada como moeda de troca para minha nomeação para o STF”, afirmou.

O ex-ministro da Justiça deixou o governo nesta sexta-feira (24) após o presidente exonerar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, em publicação no Diário Oficial da União durante a madrugada.

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Em coletiva de imprensa, Bolsonaro rebateu as acusações de Moro — que declarou que o presidente insistia em interferir diretamente na atuação da Polícia Federal — e afirmou que nunca pediu que a Polícia Federal o blindasse.

“Sempre falei para ele [Moro] que eu tenho que ter um relatório do que aconteceu nas últimas 24 horas para poder bem decidir o futuro dessa nação. Eu nunca pedi para ele informações sobre um processo e nunca pedi que blindasse minha família”, disse.

Rodeado por outros ministros, o presidente também se queixou da condução da Polícia Federal nas investigações do caso do assassinato da vereadora Marielle Franco. “Será que é interferência quase que exigir a Sergio Moro que investigue quem mandou matar Jair Bolsonaro? Eles estavam preocupados muito mais com o caso da Marielle do que com o meu caso”, afirmou — mencionando a tentativa de assassinato que sofreu em 2018, durante a campanha eleitoral. Em inquérito de 2018, a Polícia Federal concluiu que não houve mandante para o crime e que Adélio Bispo agiu sozinho.

“Não preciso de autorização para trocar um diretor”, diz Bolsonaro 

Ainda segundo Bolsonaro, Maurício Valeixo já demonstrava interesse em deixar o comando da Polícia Federal e, por conta disso, começou a consultar possíveis substitutos. “Ontem eu conversei em particular com o Moro e falei que no dia de hoje provocaria a exoneração do Valeixo. Ele relutou e falou que o substituto teria que ser um nome dele. Não concordei com isso”, afirmou.

O presidente alegou também que não precisa de autorização para trocar o diretor da Polícia Federal. “Não preciso de autorização para trocar nem ministro, quanto mais para trocar um diretor”, disse.

“A lei de 2014 diz que essa indicação é do presidente. Eu abri mão disso porque confiava no Moro”, afirmou. Valeixo foi escolhido diretor-geral da Polícia Federal por Moro no início do ano passado. O presidente disse também que estranhou quando o agora ex-ministro nomeou para os cargos mais altos de seu ministério em Brasília apenas pessoas com quem havia trabalhado em Curitiba. “Isso me surpreendeu, será que os melhores quadros todos estavam em Curitiba? Decidi dar crédito e comecei a trabalhar”, disse.

“Quando conversamos para que ele fosse ministro, eu garanti a ele autonomia, mas autonomia é diferente de soberania”, completou o presidente.

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