André do Prado reage a Salles e expõe disputa da direita por vaga ao Senado

Escolhido pelo grupo de Bolsonaro em São Paulo, presidente da Alesp diz que candidatura representa “lealdade” ao bolsonarismo

Marina Verenicz

Deputado estadual por São Paulo André do Prado. Foto: Rodrigo Costa e Rodrigo Romeo/Alesp
Deputado estadual por São Paulo André do Prado. Foto: Rodrigo Costa e Rodrigo Romeo/Alesp

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A disputa por espaço na chapa da direita em São Paulo ganhou novos capítulos nesta terça-feira (12), com o presidente da Assembleia Legislativa paulista, André do Prado (PL), respondendo publicamente aos ataques feitos pelo deputado Ricardo Salles (Novo) sobre sua candidatura ao Senado em 2026.

Em meio à montagem do palanque bolsonarista no estado, Prado afirmou que sua indicação foi definida diretamente pelo núcleo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e minimizou as críticas do ex-ministro do Meio Ambiente.

Segundo ele, a escolha teve apoio de Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, do governador Tarcísio de Freitas e da direção nacional do PL.

“O Salles tem que saber que eu fui o escolhido do grupo bolsonarista”, declarou André do Prado durante evento em São Paulo. O presidente da Alesp também afirmou que pretende demonstrar, ao longo da campanha, sua capacidade de atrair votos para o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro.

A fala ocorre após Ricardo Salles intensificar ataques contra Prado nas redes sociais e em entrevistas. O deputado do Novo passou a associar o adversário ao Centrão e à influência do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

Em uma das críticas mais duras, Salles afirmou que André do Prado seria “pupilo do Valdemar” e disse que o grupo político ligado ao presidente da Alesp “nunca foi de direita”.

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O embate revelou uma disputa mais ampla dentro do campo conservador paulista. A avaliação de aliados de Tarcísio é que múltiplas candidaturas ligadas ao eleitorado bolsonarista podem fragmentar votos e abrir espaço para adversários de centro e esquerda na corrida ao Senado.

Hoje, a estratégia construída pelo entorno do governador prevê uma composição com André do Prado e Guilherme Derrite (PP), atual secretário de Segurança Pública de São Paulo. O grupo tenta evitar novas candidaturas competitivas no mesmo espectro político.

Apesar disso, Salles tem sinalizado que não pretende deixar a disputa. O deputado afirmou que só abriria mão da candidatura caso a vaga fosse destinada ao vice-prefeito da capital paulista, Ricardo Mello Araújo (PL). “Se vocês colocarem ele, eu abro mão da minha candidatura”, disse o ex-ministro.

André do Prado admitiu que dirigentes partidários ainda negociam alternativas para reduzir divisões na direita paulista. Segundo ele, há conversas para convencer nomes como Delegado Palumbo (MDB) a disputar vaga na Câmara em vez do Senado.

“Dentro do campo político tudo é possível”, afirmou Prado. Ele reconheceu, porém, que considera improvável uma desistência de Ricardo Salles. “Temos que respeitar essa posição do Novo”, declarou.

Outro ponto que ampliou a tensão foi a entrada direta de Eduardo Bolsonaro no conflito. O ex-deputado, que está nos Estados Unidos e perdeu o mandato após cassação por faltas, reagiu às acusações de Salles e exigiu provas sobre supostos acordos financeiros envolvendo seu apoio a André do Prado.

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“Eu quero que você prove o que está falando”, disse Eduardo em vídeo publicado no YouTube. O filho do ex-presidente também afirmou que decidiu apoiar Prado após conversas políticas e avaliou que Salles estaria se desgastando publicamente.