6 em cada 10 CLTs ainda trabalham mais de 40h, diz estudo

Dados da Rais mostram que 35 milhões de trabalhadores CLT seguem em jornadas longas mesmo com crescimento de contratos menores

Marina Verenicz

Micro e pequenas empresas responderam por 80% das contratações no Brasil  (Shutterstock)
Micro e pequenas empresas responderam por 80% das contratações no Brasil (Shutterstock)

Publicidade

Dados divulgados nesta quinta-feira (13) pela Rais (Relação Anual de Informações Sociais) mostram que cerca de 35 milhões de trabalhadores com carteira assinada atuam atualmente em jornadas superiores a 40 horas por semana. O estudo foi divulgado pela Folha de S. Paulo.

Na prática, isso significa que quase 6 em cada 10 empregados formais no Brasil continuam submetidos ao modelo tradicional previsto pela Constituição, que estabelece limite semanal de 44 horas e máximo de oito horas diárias.

Os números surgem justamente quando o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta acelerar a tramitação da PEC que reduz a jornada máxima para 40 horas semanais e amplia o descanso remunerado para dois dias por semana, proposta associada ao debate sobre o fim da escala 6×1.

Apesar da predominância das jornadas mais longas, os dados indicam uma mudança gradual no perfil do mercado de trabalho formal.

Desde 2017, o número absoluto de empregados que trabalham acima de 40 horas cresceu 13,7%. O avanço, porém, ocorreu em ritmo inferior ao crescimento total do emprego formal no período. Com isso, a participação desse grupo caiu de 66,5% para 58,3% em nove anos.

O movimento mais acelerado ocorreu justamente entre trabalhadores com jornadas de 31 a 40 horas semanais. Nessa faixa, o número de vínculos formais aumentou 75% desde 2017.

Continua depois da publicidade

O avanço de contratos menores também é associado à reforma trabalhista de 2017, que flexibilizou negociações coletivas e abriu espaço para novos formatos de jornada.

Ainda assim, a mudança ocorre de forma desigual entre setores da economia.

Segundo análise do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), trabalhadores submetidos a jornadas de 44 horas semanais recebem, em média, salários 57,7% menores do que aqueles que atuam até 40 horas.

O estudo aponta relação direta entre jornadas maiores e ocupações de menor qualificação. Mais de 83% dos trabalhadores com carga horária de 44 horas possuem, no máximo, ensino médio completo.

A pressão pela redução da jornada também cresceu fora do Congresso. Grandes varejistas começaram a testar modelos de escala 5×2, motivados por dificuldades de contratação e alta rotatividade.

Empresas relatam ganhos na atração de candidatos e retenção de funcionários, embora enfrentem aumento de custos operacionais para reorganizar equipes.

Continua depois da publicidade

A proposta em discussão na Câmara prevê uma implementação gradual da nova jornada. O texto relatado pelo deputado Léo Prates (Republicanos-BA) considera reduzir o teto para 42 horas em 2027 e alcançar 40 horas em 2028, embora os parâmetros ainda estejam em negociação.

Nesta quarta-feira (13), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), fechou acordo para votar tanto a PEC quanto um projeto do governo sobre o tema.

O Planalto trata a pauta como uma das apostas políticas para 2026, especialmente entre trabalhadores urbanos e setores de renda mais baixa.

Continua depois da publicidade