Michael Bloomberg: o bilionário que mudou o mercado financeiro agora quer derrotar Trump

Conheça o bilionário americano que dominou o mercado financeiro, conquistou Nova York e agora quer derrotar Trump

Michael Bloomberg
(Foto: Reprodução/Facebook)
Nome completo: Michael Rubens Bloomberg
Ocupação:Empresário, político e filantropo
Local de Nascimento:Boston, Estados Unidos
Data de Nascimento: 14 de fevereiro de 1942
Fortuna:US$ 61,5 bilhões

 

Quem é Michael Bloomberg?

O nome de Michael Bloomberg se mistura com o próprio mercado financeiro. Quem tem interesse em investir em ações ou acompanha o mundo de negócios provavelmente já ouviu dele com alguma frequência. Um dos principais terminais de informações financeiras do mercado carrega seu sobrenome.

Bloomberg, o homem – não o sistema-, é um engenheiro com MBA em Harvard, que conseguiu o seu primeiro emprego em Wall Street no Salomon Brothers em 1966, de onde foi demitido 15 anos depois, depois de uma disputa política interna após a venda da empresa. Seu acordo de demissão, já como um dos sócios do banco de investimento, rendeu US$ 10 milhões.

Sem emprego, com dinheiro e uma ideia de mudar o mercado financeiro para sempre, Bloomberg criou o terminal e agregou a ele uma rede de notícias. Com isso, passou a oferecer informações precisas em tempo real, serviço que conquistou bancos, gestores e investidores em todo mundo.

Vindo de uma família de classe média, Bloomberg fez fortuna com seu sucesso como empreendedor ao montar a Bloomberg L.P., o que viabilizou o financiamento de dezenas de projetos de saúde, educação e inovação por meio de sua fundação filantrópica.

Mas o mundo dos negócios não era suficiente e o empresário decidiu entrar para a política – e em grande estilo. Concorreu e ganhou três mandatos consecutivos como prefeito de Nova York, o primeiro deles meses após o ataque de 11 de setembro. Seu próximo desafio? Ser o candidato democrata que disputará a presidência americana com Donald Trump nas eleições deste ano.

Família e formação

Nascido em 1942 em Boston, na costa leste dos Estados Unidos, Michael Bloomberg cresceu na cidade de Medford em uma família de classe média. Seus pais, William e Charlotte, eram contadores e tinham, além de Michael, uma filha chamada Marjorie.

William trabalhava em uma empresa de laticínio, enquanto Charlotte era secretária. A origem da família está na fuga dos judeus da Rússia, quando seu avô paterno, o corretor de imóveis Alexander deixou o país e se mudou para os EUA, enquanto o pai de sua mãe, Max, fugiu da região que hoje é Belarus.

Bloomberg deixou a casa dos pais para estudar engenharia elétrica na famosa Universidade de Johns Hopkins, em Baltimore. O dinheiro que hoje sobra em suas mães não era tão farto à época e ficou ainda mais escasso com a morte prematura do seu pai ainda durante a faculdade.

Sem dinheiro de família para financiar os estudos, Michael Bloomberg pegou um crédito estudantil e trabalhou em um estacionamento de carros para se bancar.

Em Johns Hopkins, ajudou a desenhar a fantasia do mascote da universidade que ele mesmo usou em várias disputas de lacrosse. Esse é um dos diversos exemplos de sua forte conexão com a faculdade, que seguiria pelo resto de sua vida.

Bloomberg é, ainda hoje, um ex-aluno ativo e já doou mais de US$ 3,3 bilhões de sua fortuna pessoal para a universidade: sendo US$ 1,8 bilhão em financiamento estudantil para garantir que a universidade sempre selecione os melhores alunos, sem precisar olhar a capacidade financeira de cada um.

Logo após se formar, em 1964, ele foi aprovado para continuar seus estudos na escola de negócios  de Harvard. Com o currículo reforçado pela prestigiosa universidade, buscou emprego no mercado financeiro.

(Foto: Reprodução/Facebook)

A carreira em Wall Street

A largada no mundo das finanças veio com a vaga para uma posição no banco de investimentos Salomon Brothers em 1966, mas o primeiro emprego em Wall Street não foi o sonho de um jovem recém-formado em Harvard. Bloomberg trabalhava ‘na cela’ – isto é, no porão sem janelas ou ar condicionado, onde ficava o cofre – contando manualmente papéis de ativos.

Após cerca de um ano ‘na cela’, Bloomberg foi promovido para a mesa de ações. Ali, orientado por seu supervisor Jay Perry, passou a comprar e vender grandes lotes de papéis. O ambiente de trabalho se aproximava da imagem caótica que se tem das bolsas de valores antigas e é como ex-colegas lembram de Bloomberg: em meio a muita gritaria e agressividade, e uma dose de piadas controversas que, hoje, muito provavelmente, renderiam processos.

Seu estilo era workaholic: chegava cedo, às 7 da manhã, e era um dos últimos a sair. Sua ideia inicial era ficar apenas um ou dois anos no Salomon e buscar um emprego na indústria, mas o ambiente competitivo fazia aspirar pelo “Santo Graal” – em suas próprias palavras – da carreira: virar sócio do Salomon.

Com uma rápida ascensão, aos 31 anos, em novembro de 1972, ele alcançou seu objetivo: tornou-se sócio, responsável pelas áreas de trading de ações e desenvolvimento de softwares.

Sua carreira no Salomon Brothers terminou em 1981, quando o banco foi adquirido pela Phibro. Sob nova gestão, Bloomberg foi demitido. A empresa enfrentaria diversos escândalos na década seguinte, abalando inclusive a imagem do megainvestidor Warren Buffet, que assumiu a presidência do conselho de administração do banco para sanear a crise. Mas os caminhos de Bloomberg e o Salomon Brothers ainda se cruzariam indiretamente 20 anos depois.

Demitido, ele não saiu de mãos vazias. Sua participação no banco lhe rendeu US$ 10 milhões, que seriam usados para empreender e criar o negócio que levou o nome Bloomberg para o mercado financeiro global.

No início da década de 1980, pouco havia mudado na adoção de tecnologia em Wall Street desde que Bloomberg havia começado no Salomon, mais de 15 anos antes. O grande centro do mercado financeiro global ainda estava estruturado sobre milhões de planilhas impressas e preenchidas de lápis à mão, ábacos, réguas de cálculos e pequenas calculadoras, como conta Bloomberg em sua autobiografia.

Ele acreditava que Wall Street aceitaria pagar muito por informação de alta qualidade e em tempo real, para colocar as empresas um passo à frente de seus concorrentes no competitivo ambiente da Bolsa.

Assim, ele fundou a Innovative Market Systems (IMS) em parceria com Thomas Secunda, Duncan MacMillan e Charles Zegar, seus ex-colegas de Salomon, para entregar os primeiros passos do que seria o terminal Bloomberg. O sistema da IMS, batizado de Market Master Terminals, oferecia dados em tempo real, calculadoras e análises financeiras para bancos e gestoras de Wall Street.

Em 1983, veio o primeiro cliente e parceiro, a custa de muitos cafés comprados e distribuídos por Bloomberg em busca de networking. O Merrill Lynch desembolsou US$ 30 milhões para financiar o desenvolvimento do terminal e, no ano seguinte, seus clientes passaram a poder adquirir as máquinas com o sistema instalado. O banco assumiu, então, 30% da empresa como contrapartida do investimento.

(Foto: Reprodução)

Surge o terminal da Bloomberg

Michael e seus sócios decidiram abandonar o nome IMS em 1986 e usar o sobrenome de Bloomberg para a empresa e seus principais produtos. Nesse momento, já havia mais de 5 mil instalações do sistema e novas funcionalidades começaram a ser adicionadas, como uma plataforma de trading, um mensageiro e distribuidor de notícias.

O sucesso e a reconhecida alta qualidade da Bloomberg abriu espaço para novas empreitadas como a criação de uma rede de notícias e televisão, assim como o lançamento do primeiro site financeiro, em 29 de setembro de 1993.

Em 1996, a companhia foi avaliada em US$ 2 bilhões, quando Michael Bloomberg comprou por US$ 200 milhões uma fatia de 10% que estava sob controle do Merrill Lynch. Os 20% restantes nas mãos do banco foram negociados com Bloomberg durante a crise de 2008, por US$ 4,43 bilhões, o que fez com que a empresa fosse avaliada em US$ 22,5 bilhões.

Além do crescimento orgânico e o desenvolvimento interno de seus produtos, o crescimento da Bloomberg veio com a aquisição de soluções prontas no mercado. A primeira delas veio em 1992, quando a empresa comprou por US$ 13,5 milhões uma estação de rádio de Nova York para montar a Bloomberg Radio.

A revista semanal Bloomberg BusinessWeek surgiu com a aquisição da BusinessWeek em 2009. No mesmo ano, a empresa comprou a companhia inglesa de dados e análise em energia e mercado de carbono New Energy Finance, rebatizada de BloombergNEF ou (BNEF).

A década seguinte foi de expansão dos negócios com a compra da Bureau of National Affairs por US$ 990 milhões para a Bloomberg melhorar a cobertura de notícias e análises de Direito, negócios, mercado de trabalho, tributação, entre outros. A Bloomberg também comprou a provedora de softwares PolarLake para aprimorar a gestão de dados e adquiriu a área de índices do Barclays, por US$ 787 milhões.

Em dezembro de 2019, o site de notícias sobre inovação urbana e o futuro das cidades, CityLab, passa a ser parte da Bloomberg.

Carreira política

No começo dos anos 2000, então presidente e CEO da empresa, Bloomberg decidiu se afastar temporariamente da companhia para um novo desafio. Ele deixou o ambiente corporativo para se aventurar na carreira política ao concorrer à prefeitura de Nova York.

Filiado ao partido Democrata norte-americano, Bloomberg optou por deixar o partido e ingressar no rival Republicano para concorrer à prefeitura de Nova York com o apoio do então popular prefeito reeleito Rudy Giuliani.

A primária republicana das eleições começou na manhã de 11 de setembro de 2001 e logo foi interrompida pelo ataque terrorista às Torres Gêmeas, no coração financeiro da cidade. Entre as companhias afetadas, estava o Salomon Brothers, que alugava 18 andares de um dos prédios do complexo destruído com o desmoronamento das torres principais.

Bloomberg venceu as primárias republicanas e se elege ao derrotar o democrata Mark Green, com apoio de Giuliani. Sua campanha foi marcada pelo desembolso desproporcional de recursos próprios. Ele despejou mais de US$ 74 milhões de sua fortuna pessoal em anúncios de televisão, que pediam um homem de negócios para reconstruir Nova York após os ataques.

Gastando mais de cinco vezes do que seu adversário e rodando a campanha não-presidencial mais cara até então, Bloomberg foi eleito com 50% dos votos, contra 48% de Green, e assumiu a cidade em 1 de janeiro de 2002.

Conseguiu a reeleição em 2005, com mais de 20 pontos de vantagem sobre seu concorrente. O gasto? US$ 85 milhões de seu próprio bolso – novo recorde para uma eleição não-presidencial no país.

O terceiro mandato veio em 2009, após passar uma lei para acabar com o limite de dois mandatos – enfrentando grande oposição. A motivação, segundo ele, era lidar com os efeitos da crise de 2008. Nessas eleições, no entanto, a margem da vitória foi menor, de 50,6% a 46,0%, mas os gastos cresceram ainda mais e bateram em US$ 109 milhões. Muito dinheiro, mas até que pouco para alguém com uma fortuna de US$ 18 bilhões naquela época.

A gestão de Bloomberg à frente de Nova York foi marcada por avanços na área de tecnologia, ajuda ao estado para expansão do centenário metrô, controle do orçamento com a reversão do déficit público de US$ 6 bilhões em superávit de US$ 3 bilhões e cortes de impostos sobre propriedades e comércio.

Sob seu comando, a cidade seguiu reduzindo crimes, baniu o fumo em lugares fechados e públicos como parques e iniciou o primeiro programa de transferência de renda dos EUA para “quebrar o ciclo da pobreza”.

Bloomberg recusou receber salário para comandar a cidade e tinha uma remuneração simbólica de 1 dólar. Também optou por utilizar seu jato e helicópteros e não morar na residência oficial.

Seu governo também foi marcado por polêmicas sociais, ao defender abertamente e aplicar a impopular política do ‘stop and frisk’, que consistia na abordagem, questionamento e revista de suspeitos, que acabou atingindo desproporcionalmente mais negros e latinos em Nova York.

Apesar do tom liberal na economia, Bloomberg defende pautas mais conectadas à esquerda progressista americana, como expansão da saúde pública, combate às mudanças climáticas com a redução da emissão de carbono e banimento de isopor para embalar comida.

Também apoia a liberação do aborto e da união civil de pessoas do mesmo sexo, assim como reforma das leis para garantir direito aos imigrantes no país e o controle mais restrito de armas.

(Crédito: Reprodução)

Objetivo é derrotar Trump

De volta ao partido Democrata, em oposição a Trump e seu ex-apoiador Rudy Giuliani, Bloomberg lançou a candidatura para as eleições presidenciais americanas em 2020.

Sua entrada tardia na disputa no final de novembro de 2019 – depois de anunciar em março do mesmo ano que não concorreria – veio com a percepção de que não havia um candidato de centro viável para vencer Trump.

A estratégia de campanha relembra as vitoriosas disputas à prefeitura de Nova York. Bloomberg rejeita doações e pretende financiar a corrida com seu dinheiro pessoal e disputar as prévias contra seus concorrentes democratas.

O desembolso segue desproporcional aos demais pré-candidatos, com gastos de mais de US$ 300 milhões nos primeiros dois meses e uma previsão de gastar até US$ 1 bilhão. Tudo para bater o presidente Donald Trump.

Filantropia

O bolso aberto de Bloomberg não vale apenas para a política e seu desejo de derrotar Trump. Ele é tido como um dos principais filantropistas dos Estados Unidos com a promessa de doar cerca de US$ 60 bilhões por meio de sua fundação Bloomberg Philanthropies.

Defensor da descarbonização da economia e mitigação dos riscos da mudança climática, Bloomberg fez diversas doações de dezenas de milhões de dólares para fechar plantas de geração de energia a carvão, restringir o fraturamento hidráulico na exploração de petróleo e gás e para iniciativas de proteger os oceanos.

Em parceria com Harvard, ele financiou o treinamento de 300 prefeitos e 400 funcionários públicos vindos de diversos países para melhorar a qualidade do serviço público. Entre os participantes está o prefeito de São Paulo, Bruno Covas.

Da sua experiência à frente de Nova York, Bloomberg também leva para a filantropia o desejo de combater a indústria do tabaco. Se no comando da cidade ele restringiu o fumo e elevou os impostos sobre cigarros, sua fundação se comprometeu com mais de US$ 1 bilhão em iniciativas para combater o tabaco e cigarros eletrônicos.

Sua antiga e afetuosa ligação com a John Hopkins rendeu mais de US$ 3,3 bilhões em doações para financiar pesquisas, construção do hospital universitário e, principalmente, o estudo de todo aluno que for aprovado na seletiva. O objetivo é evitar que barreiras econômicas impeçam os melhores alunos de estudarem na faculdade.

A Bloomberg Philanthropies possui atualmente mais de duas dezenas de projetos nas áreas ambientais, de saúde pública, inovação governamental, arte e educação.

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Para saber mais

Quer saber mais sobre a trajetória de Michael Bloomberg? Confira a seleção do InfoMoney com livros, artigos e entrevistas.

Livros
Bloomberg por Bloomberg, (Michael Bloomberg)
Climate of hope (Michael Bloomberg, Carl Pope)
We build the city (Michael Bloomberg)
The Many Lives of Michael Bloomberg (Eleanor Randolph)
Podcast
The investors Podcast – Billionaires, Lessons from Billionaire Michael Bloomberg