Queda dos preços, alta das taxas

Tesouro Direto: títulos públicos têm queda de até 6,50% dos preços em junho e de mais de 13% no semestre

Pressão inflacionária, continuidade do movimento de elevação da Selic pelo Banco Central e noticiário político mais conturbado movimentaram o mês

(Getty Images)

SÃO PAULO – Em queda desde o início do ano, os preços dos títulos públicos negociados via Tesouro Direto atualmente disponíveis para compra voltaram a apresentar baixa em junho. O aumento dos prêmios teve como pano de fundo novas fontes de pressão sobre a inflação, a continuidade do movimento de elevação da taxa Selic pelo Banco Central e um noticiário político mais conturbado, no Brasil.

No grupo dos títulos atrelados à inflação, a queda chegou a 6,50% no caso do papel Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045, cujo retorno real pago subiu para 4,14%. No primeiro semestre, os preços desses títulos acumularam queda de 13,10%. Vale lembrar que toda vez que os preços caem, as taxas pagas pelos papéis aumentam.

A segunda maior baixa do mês partiu do Tesouro IPCA+ com vencimento em 2035, com queda de 3,50% em junho e de 5,61%, no ano.

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Entre os prefixados, as quedas de junho foram mais modestas, de até 0,35% no caso do papel com vencimento em 2026. No semestre, contudo, esse título também ficou com rendimento negativo, de 6,25%.

Dessa forma, todos os títulos públicos do levantamento perderam para a variação do CDI em junho, de 0,31%, assim como todos ficaram com retornos negativos no semestre, ante uma variação de 1,28% do principal referencial das aplicações mais conservadoras.

Já no acumulado de 12 meses, com perda da ordem de 3%, apenas o Tesouro Prefixado 2026 perde para o CDI, que teve variação de 2,28% no intervalo.

Confira a seguir como se comportaram os títulos públicos disponíveis para novos investimentos em junho, no semestre e em 12 meses.

É importante lembrar que o investidor só terá as perdas ou os ganhos apontados se efetivamente vender os papéis antecipadamente. Se carregá-los até o vencimento, o retorno vai respeitar as taxas e as condições contratadas no momento de aquisição dos títulos.

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Noticiário de junho

Entre os destaques de junho esteve a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de elevar em 52% o preço da bandeira vermelha patamar 2 para julho.

A projeção mais recente do mercado financeiro compilada pelo Banco Central no relatório Focus – que ainda não incorporou a decisão da Aneel – aponta para uma alta de 5,97% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano, bem acima dos 5,31% de um mês antes.

Prévia da inflação oficial, o IPCA-15 subiu 0,83% em junho, em aceleração após registrar alta de 0,44% em maio de 2021. No ano, o IPCA-15 acumula aumento de 4,13% e, em 12 meses, de 8,13%.

Diante da alta dos preços, o mercado também vem ajustando a projeção para os juros básicos, com a estimativa para a Selic ao fim de 2021 elevada de 5,75% para 6,50% em um mês. No mesmo sentido, em meio à expectativa de aceleração da vacinação no país, a previsão no Focus para o crescimento da economia brasileira aumentou de 3,96% para os atuais 5,05% neste ano.

Em paralelo, o ambiente político tem sido pautado pelas discussões acerca da reforma tributária e também pelo andamento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que apura ações e omissões da gestão do presidente Bolsonaro durante a pandemia e repasses de verbas federais para estados e municípios.

E as preocupações com inflação não são exclusividade do Brasil. Nos Estados Unidos, o mercado segue atento aos próximos passos do Federal Reserve (Fed), o banco central, em direção a um aumento de juros e à retirada dos estímulos monetários assumidos na pandemia.

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