Renda fixa

Tesouro Direto: negociação de títulos públicos é retomada após meia hora de suspensão nesta 6ª; prefixados voltam a pagar retorno de 11%

Mercado está mais desconfiado de que paz selada entre Executivo e Judiciário não seja tão perene

Businessman using tape measure to measure the height of the percentage symbol
(z_wei/Getty Images)

SÃO PAULO – Diante da visão do mercado de que o recuo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nos embates com o Supremo Tribunal Federal (STF) não sejam tão duradouros e da piora nos mercados internacionais, o mercado de títulos públicos voltou a suspenso na tarde desta sexta-feira (10). Na retomada dos negócios, os papéis apresentam alta nos prêmios, com destaque para os títulos prefixados.

A suspensão ocorreu em meio ao aumento da oscilação de preços e taxas. Quando isso acontece, a Secretaria do Tesouro Nacional suspende temporariamente as negociações para evitar que o investidor feche transações que não reflitam corretamente as condições do mercado de títulos públicos. 

O juro pago pelo título com vencimento em 2031, por exemplo, subia de 10,84%, no começo da manhã, para 11,03%, na volta das negociações após a suspensão. Um dia antes, o mesmo papel oferecia retorno de 10,92%. No mesmo horário, o prêmio do título prefixado com vencimento em 2026 era de 10,46%, contra 10,25% no início das negociações. Anteriormente, o título pagava juro de 10,34%. No papel com vencimento em 2024, a remuneração avançava de 9,97% para 10,15%, contra 10,02% da sessão anterior.

Entre os papéis atrelados à inflação, o juro real oferecido pelo Tesouro IPCA+ com vencimento em 2055 e pagamento de juros semestrais se mantinha estável em 4,85%, contra 4,84% na sessão anterior. Já o Tesouro IPCA com vencimento em 2030 e pagamento de juros semestrais oferecia retorno real de 4,71%, acima dos 4,65% do dia anterior.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta sexta-feira (10), na retomada dos negócios: 

Varejo

Na cena local, o foco do mercado está nos dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre as vendas do comércio varejista, que subiram 1,2% em julho na comparação com junho.

Com isso, o setor atingiu patamar recorde na série histórica iniciada no ano 2000. No ano, o varejo acumula crescimento de 6,6% e nos últimos doze meses, cresceu 5,9%.

O número ficou acima do esperado. Segundo consenso Refinitiv, a expectativa era de alta de 0,7% das vendas em julho na comparação com junho e alta de 3,45% frente julho de 2020.

Nota de Bolsonaro e cenário fiscal

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Já o destaque na frente política está nos desdobramentos práticos da nota enviada ontem (9) pelo presidente Jair Bolsonaro. Para analistas ouvidos pelo InfoMoney, o recuo do presidente pode até dar um alívio para a discussão de pautas relevantes pendentes de solução na política, mas tende a durar pouco.

Na avaliação de João Villaverde, consultor da Medley Global Advisors, a dúvida é apenas quando ocorrerá um próximo evento que provocará nova crise institucional. Ele acredita que o movimento de Bolsonaro tem um componente estratégico, em um contexto em que o risco de um processo de impeachment voltava a crescer com a articulação de partidos de “centro” no Congresso Nacional.

Já a equipe de análise da XP Investimentos chama atenção para os impactos da crise política sobre a discussão dos precatórios – dívidas do poder público por decisões judiciais definitivas.

“A nota também busca oferecer ao Supremo espaço para uma nova leitura do momento, que permita eventualmente reconsiderar a ‘saída CNJ’ para a questão dos precatórios. Após o recuo, qualquer passo de Moraes em direção a apoiadores do presidente poderá ser entendido como uma provocação do STF, o que coloca Bolsonaro em uma posição menos desconfortável”, afirmaram.

Sylvio Castro, fundador e CIO da Grimper Capital, alerta ainda que a reação mais positiva do mercado financeiro vista na véspera não significa que os agentes econômicos compraram uma mudança estrutural nas perspectivas do país.

“O mercado tirou do preço um pouco dessa incerteza com relação à completa incapacidade de os Poderes se articularem para, pelo menos, manter um nível de equilíbrio para o país até o término do governo Bolsonaro”, disse o gestor.

Após a divulgação da nota, Bolsonaro participou ontem à noite de sua live semanal. Na ocasião, o mandatário disse que foi cobrado a manter os ataques ao STF, e pediu “calma”. “Alguns do meu lado aqui vieram até com o discurso pronto: ‘Tem que reagir, tem que bater’. Calma, amanhã a gente fala, deixa acalmar para amanhã”.

Já sobre os protestos dos caminhoneiros, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou na madrugada desta sexta-feira (10) que liberou 65 pontos de bloqueio e manifestações das rodovias federais do país. Esses pontos incluem bloqueio parcial, bloqueio total e concentrações de manifestantes.

Cena internacional

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Um dos destaques da cena externa está nas preocupações com a desaceleração da economia em um momento no qual o Federal Reserve (banco central americano) estuda retirar estímulos.

Conforme a variante delta do coronavírus avança e os dados de emprego dos Estados Unidos mostram um desaquecimento do mercado de trabalho, Loretta Mester, presidente do Fed de Cleveland, reforçou nesta sexta-feira (10) que gostaria que o banco central dos EUA começasse a cortar as compras mensais de títulos este ano. “Não acho que o relatório de emprego de agosto mudou minha visão de que fizemos um progresso substancial”, defendeu Mester.

Ainda nos EUA, o Índice de Preços ao Produtor de agosto subiu 0,7%, um pouco acima dos 0,6% esperados pelos economistas. No acumulado de 12 meses, a inflação ao produtor atingiu 8,3%.

Outra notícia que balançou os mercados foi a conversa que os presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, e da China, Xi Jinping, tiveram uma conversa por telefone pela primeira vez desde fevereiro.

Biden e Xi discutiram a necessidade de evitar que a competição entre as duas maiores economias do mundo vire um conflito, disse uma autoridade dos EUA. Segundo essa fonte, o tom da conversa foi “familiar” e “franco”, e a mídia estatal chinesa também descreveu a reunião entre os chefes de estado como “uma conversa ampla, franca, profunda e estratégica”.

Já na zona do euro, investidores monitoram dados do Índice de Preços ao Consumidor harmonizado final da Alemanha, que teve alta de 0,1% em agosto na comparação com o mês imediatamente anterior. No acumulado do ano, a alta é de 3,4%.

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