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Tesouro Direto: taxas dos títulos seguem em queda nesta 4ª, com anúncio do Fed de que estímulos podem ser retirados em breve

Mercado aguarda ainda decisão de política monetária do Brasil e monitora instalação de comissão que vai analisar precatórios

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(Shutterstock)

SÃO PAULO – O destaque desta quarta-feira (22) está na decisão do Federal Reserve, que é o banco central americano, de que a redução de programa de estímulos pode ocorrer “em breve”. Agora, as atenções do mercado estão voltadas para a decisão de política monetária do Brasil, que será anunciada no começo da noite. Investidores monitoram ainda criação de comissão especial da Câmara que vai analisar a PEC dos precatórios.

Na cena internacional, o mercado acompanha com maior tranquilidade os avanços para se chegar a um acordo sobre a incorporadora chinesa Evergrande. Segundo a imprensa internacional, a gigante da construção disse que uma de suas unidades, a Hengda, fará o pagamento de cupons dos títulos de dívida em yuans.

Nesse contexto, o mercado de títulos públicos negociados no Tesouro Direto apresenta queda nas taxas pelo terceiro dia seguido. Durante a tarde desta quarta-feira (22) , as negociações chegaram a ser suspensas, por volta das 15h, diante do aumento da volatilidade dos preços e taxas dos títulos públicos negociados na plataforma. Mas foram retomadas perto das 15h30.

Na retomada das negociações, a remuneração do título prefixado com vencimento em 2026 era de 10,03%, contra 10,10%, no começo da manhã. Um dia antes, o mesmo título oferecia retorno de 10,18%. O juro pago pelo título com vencimento em 2031, por sua vez, recuava de 10,75% para 10,62%, abaixo dos 10,83% da sessão de terça-feira.

Entre os papéis atrelados à inflação, o juro real oferecido pelo Tesouro IPCA+ com vencimento em 2026 era de 4,52%, abaixo dos 4,55% registrados um dia antes. Já o retorno real do Tesouro IPCA com vencimento em 2055 e pagamento de juros semestrais se mantinha em 4,86%, em linha com os 4,87% da sessão anterior.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta quarta-feira (22): 

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Copom e precatórios

Na cena econômica local, as atenções estão voltadas para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). A mediana dos analistas espera que o comitê eleve a Selic mais uma vez em 1 ponto percentual, a 6,25%.

Em relatório, a equipe de análise da XP disse que o comunicado da autoridade deve ir na linha de que o ritmo atual de juros é adequado e que o foco agora deve ser o tamanho do ajuste a ser implementado.

“Nossa visão é de que essa comunicação virá na projeção do cenário-base, com a trajetória de juros do Focus. O Focus prevê hoje Selic em 8,25% no final de 2021 e 8,50% em 2022. Se esse for o plano de voo do BC, a projeção do cenário-base ficará na meta. Se o Copom entender que precisará ir além, a projeção estará acima da meta”, destacaram os especialistas da XP.

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Já na cena política, investidores monitoram a criação de uma comissão especial na Câmara para analisar a Proposta de Emenda à Constituição que trata dos precatórios (PEC 23/2021) – dívidas do poder público com decisão judicial definitiva. O texto foi encaminhado pelo governo federal em agosto e já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).

Na primeira sessão, os membros indicados pelas bancadas elegeram o deputado Diego Andrade (MG), líder do PSD na Casa, como presidente do colegiado. O parlamentar designou Hugo Motta (PB), líder do Republicanos, como relator da proposta, que, pelo regimento, terá um prazo de 10 a 40 sessões para apresentar seu parecer.

Ontem (21), o governo e o Congresso Nacional acertaram uma proposta para solucionar o pagamento de precatórios em 2022, em encaminhamento diferente ao do parcelamento originalmente proposto pela equipe econômica.

O acordo prevê que a PEC irá incorporar regra em que serão pagos cerca de R$ 40 bilhões em precatórios no ano que vem. O espaço foi calculado a partir da atualização, desde 2016, do crescimento para essa rubrica, segundo a dinâmica do teto de gastos.

A alternativa é diferente da proposta originalmente enviada pelo Executivo, que previa o parcelamento em até 10 vezes dos precatórios de maior valor.

Fed e China

Na cena internacional, investidores repercutem decisão do Fed de manter as taxas de juros entre 0% e 0,25%, como já era esperado pelo mercado. Embora a autoridade tenha optado pela manutenção dos juros, o Comitê de política monetária, chamado Federal Open Market Committee (Fomc), indicou que os aumentos das taxas podem ocorrer um pouco mais cedo do que o esperado, ao mesmo tempo em que reduziu significativamente suas perspectivas econômicas para este ano.

Junto com os movimentos amplamente esperados, as autoridades do Fomc indicaram que começarão a retirar parte do estímulo que têm fornecido durante a crise da Covid-19, mas sem sinalizar em que momento farão isso.

Já havia uma expectativa de que o cronograma do chamado “tapering”, ou a perspectiva para redução do programa de compra ativos pela autoridade monetária, que está atualmente na ordem de US$ 120 bilhões por mês, fosse anunciado somente na próxima reunião, de novembro.

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Na China, uma unidade da incorporadora imobiliária chinesa Evergrande afirmou nesta quarta-feira (22) que pagará até amanhã (23) – ou seja, dentro do prazo previsto – os juros de uma emissão de títulos. A medida deve oferecer certo alívio ao conglomerado no momento em que ele tenta melhorar sua estrutura de capital e consertar sua imagem internacional.

Em comunicado, a unidade Hengda Real Estate Group Co informou que pagará 232 milhões de yuans (o equivalente a US$ 35,9 milhões) em juros de sua emissão de títulos de dívida com vencimento em setembro de 2025.

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