Renda fixa

Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos operam sem direção única nesta 3ª, com ata do Copom e cautela no exterior

Investidores monitoram revisões no PIB da China e piora na cena externa, além de sinalizações da ata do Copom

Brazilian currency. Money on the wooden table in one hundred and fifty reais banknotes.
(Rmcarvalho/Getty Images)

SÃO PAULO – A sessão desta terça-feira (28) tem como destaque a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), segundo a qual o Banco Central disse que pretende levar a Selic para patamar “significativamente contracionista” para assegurar a convergência da inflação para as metas de 2022 e 2023.

Na cena local, investidores acompanham também a declaração de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados, de que os parlamentares vão buscar alternativas para evitar novos reajustes nos combustíveis e no gás de cozinha.

Já no radar externo, o mercado repercute as reduções nas projeções de crescimento econômico chinês e o discurso de Jerome Powell, presidente dos Estados Unidos.

Nesse contexto, o mercado de títulos opera sem direção única nas taxas. Enquanto os  papéis prefixados apresentam alta na tarde desta terça-feira (28), os títulos atrelados à inflação são negociados próximos da estabilidade.

Na atualização das 15h, a remuneração do título prefixado com vencimento em 2026 era de 10,57% ao ano, contra 10,50% ao ano no começo da manhã. Um dia antes, o mesmo título oferecia retorno de 10,42% ao ano.

O juro pago pelo título prefixado com vencimento em 2031, por sua vez, subia de 11,08% para 11,15%, na atualização feita durante a tarde. Esse retorno também está acima dos 11,03% ao ano vistos no dia anterior.

Entre os papéis atrelados à inflação, o juro real oferecido pelo Tesouro IPCA+ com vencimento em 2030 e pagamento de juros semestrais era de 4,81%, mesmo valor visto na sessão de segunda-feira (27). Já o retorno real do Tesouro IPCA com vencimento em 2055 e pagamento de juros semestrais era de 4,98%, em linha com os 4,97% ao ano registrados na sessão anterior.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta terça-feira (28): 

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Ata do Copom, contas do governo e combustíveis

Dentro da agenda econômica, o mercado monitora com atenção a divulgação da ata do Copom nesta terça-feira (28). No documento, os dirigentes destacaram que ponderaram subir os juros para além de 1 ponto percentual na última reunião. “O Copom avaliou os custos e benefícios de acelerar o ritmo da elevação dos juros”, disse o colegiado.

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No entanto, a autoridade monetária reiterou que “a manutenção do atual ritmo de ajuste associado ao aumento da magnitude do ciclo de ajuste da política monetária para patamar significativamente contracionista é a estratégia mais apropriada para assegurar a convergência da inflação para as metas de 2022 e 2023”.

Na avaliação de economistas do mercado financeiro, a persistência da inflação deve fazer com que o ciclo de alta dos juros tenha que ser maior.

Na semana passada, o BC aumentou a taxa básica de juros em 1 ponto percentual, ao patamar de 6,25% ao ano, e indicou que deverá repetir a dose na próxima reunião do Copom, em outubro.

Ainda na agenda econômica, o Tesouro Nacional divulgou nesta terça-feira que as contas do Governo Central registraram déficit primário de R$ 9,880 bilhões em agosto. Com isso, as despesas foram maiores do as receitas no mês passado.

O resultado – que reúne as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central – foi o melhor desempenho para o mês desde 2015, quando havia sido negativo em R$ 7,714 bilhões.

O déficit do mês passado também foi menor do que a mediana das projeções do mercado financeiro, que esperavam um saldo negativo de R$ 15,450 bilhões, segundo levantamento do Projeções Broadcast.

Enquanto isso na frente política, Arthur Lira (PP-AL), disse nesta terça-feira (28), em suas redes sociais, que vai conversar com parlamentares amanhã (29) para propor alternativas ao aumento no preço dos combustíveis e do gás de cozinha.

“O fato é que o Brasil não pode tolerar gasolina a quase R$ 7 e o gás a R$ 120”, destacou Lira em postagem.

Ainda na cena política, a Câmara dos Deputados aprovou na véspera (27) em sessão do Congresso Nacional, o Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN) que cria as bases para a instituição do novo programa social em substituição ao Bolsa Família. Com isso, o projeto pode ser usado como medida compensatória à proposta que ainda está em tramitação no Parlamento.

Esse é o caso, por exemplo, do projeto da reforma do Imposto de Renda, citado como compensação por Paulo Guedes, ministro da Economia, na exposição de motivos que acompanham o PLN.

Estados Unidos e China

Na cena internacional, o destaque está no discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, que é o banco central americano.

Em depoimento no Comitê Bancário, de Moradias e Assuntos Urbanos do Senado em Washington, Powell disse que “é essencial elevar o teto de gastos para evitar default e consequências muito ruins para a economia dos EUA”.

Também nesta terça-feira, o presidente do Federal Reserve avaliou que “a inflação é uma fonte de preocupação, não a condição da curva de Phillips no curto prazo”.

Ele disse que a curva de Phillips apresenta leve inclinação nos EUA, mas não causa maiores atenções do Federal Reserve no momento.

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Na semana passada, o banco central americano indicou que está pronto para iniciar o processo de lenta redução de estímulos injetados na economia na pandemia.

Outro tema que vem pesando sobre os mercados é a possibilidade de um “shutdown” do governo americano. Na segunda-feira (27), republicanos do Senado barraram um projeto que suspenderia o teto de gastos e financiaria o governo.

Investidores também acompanham as reduções nas previsões de expansão do PIB da China por várias instituições.

Na segunda-feira (27), por exemplo, o Goldman Sachs reduziu sua expectativa sobre o crescimento do PIB do país de 8,2% para 7,8%. O Nomura, por sua vez, reduziu sua previsão de 8,2% para 7,7%.

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