Tesouro Direto: taxas de prefixados interrompem queda e sobem após inflação nos EUA

IPCA agradou e inflação nos EUA reforçou expectativa por corte, mas ameaça de Trump contra Powell segurou ímpeto entre títulos de inflação

Paulo Barros

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As taxas dos títulos públicos prefixados negociados no Tesouro Direto subiam em todos os vértices na tarde desta quinta-feira (14), revertendo forte queda registrada dois dias antes, quando o mercado reagiu a dados de inflação mais amenos no Brasil e nos Estados Unidos.

Na terça (12), o recuo havia levado o Tesouro Prefixado 2028 a 13,15% ao ano, menor patamar de 2025, e o Prefixado 2032 a 13,55%, também no nível mais baixo em mais de um mês.

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Nesta quinta, as taxas voltaram a avançar, acompanhando a alta dos rendimentos dos Treasuries americanos após a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) dos EUA, que veio acima do esperado, reduzindo as apostas de cortes mais agressivos de juros pelo Federal Reserve já em setembro.

Às 13h03, o Tesouro Prefixado 2028 pagava 13,21% ao ano, alta de 0,06 ponto percentual frente a terça. O Prefixado 2032 subia a 13,65%, avanço de 0,10 ponto. No caso do Tesouro IPCA+ 2029, a taxa chegava a IPCA + 7,62% ao ano, ligeiramente acima dos 7,61% vistos dois dias atrás.

O dado do PPI reforçou a visão de que o Fed pode adotar mais cautela no ciclo de afrouxamento monetário, pressionando as taxas de longo prazo globalmente e reduzindo a atratividade relativa dos títulos de países emergentes. O movimento de alta de taxas locais, no entanto, havia começado na sessão anterior.

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No Brasil, o mercado ainda digere o pacote do governo anunciado na quarta (13) para mitigar os efeitos das tarifas de 50% impostas pelos EUA a alguns produtos brasileiros. O plano, que prevê R$ 9,5 bilhões em medidas fora da meta fiscal e R$ 30 bilhões em linhas de crédito, mexeu com a percepção de risco fiscal e contribuiu para a abertura das taxas já na véspera.

Para Jeferson Bittencourt, head de macroeconomia do ASA, “mais importante que os valores envolvidos será a regulamentação final, para entender se corrige distorções ou se as aprofunda”.

Confira as taxas dos títulos do Tesouro Direto às 13h03 desta quinta-feira (14):

(Fonte: Tesouro Direto)

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)