Renda fixa

Tesouro Direto: prêmios dos títulos públicos indexados à inflação invertem direção e passam a cair na tarde desta segunda-feira

Investidores monitoram revisões para cima da Selic apresentadas no Boletim Focus, além de acompanhar notícias sobre retorno da injeção de liquidez na China

Por  Bruna Furlani -

SÃO PAULO – As taxas pagas pela maioria dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto passaram a cair na tarde desta segunda-feira (12), na volta do feriado em São Paulo, que deixou as negociações suspensas na última sexta-feira (9).

Na atualização após o almoço, os prêmios dos títulos prefixados oscilavam próximos da estabilidade, enquanto os papéis indexados à inflação inverteram o movimento de alta e passaram a recuar em relação às negociações do início da manhã.

No radar local, a atenção dos investidores está no relatório Focus, do Banco Central, no qual o mercado voltou a elevar a expectativa para a Selic ao fim deste e do próximo ano.

A taxa do título prefixado com vencimento em 2024 que paga juros semestrais, por exemplo, caía de 8,35% no começo da manhã para 8,34% durante a tarde. Na sessão anterior de quinta-feira, o mesmo título pagava taxa de 8,35%.

Também durante a tarde, os prêmios do título prefixado com vencimento em 2026 recuavam de 8,74% no começo da manhã para 8,72%. Anteriormente, o papel oferecia rentabilidade de 8,74%. No mesmo horário, as taxas pagas pelo papel prefixado com vencimento em 2031 caíam de 9,32% no início desta segunda-feira para 9,27% na atualização após o almoço, contra 9,30% nas negociações de quinta-feira.

Entre os papéis com retornos atrelados à inflação, as taxas também recuavam no início das negociações. Os títulos do tipo Tesouro IPCA+ com vencimentos em 2035 e 2045, por exemplo, pagavam juro real de 4,20% na primeira atualização do dia, contra 4,16% na atualização da tarde. Na sessão de quinta-feira, os mesmos títulos pagavam juro real de 4,12%.

Os prêmios dos títulos indexados à inflação com vencimento em 2055 e juros semestrais, por sua vez, caíam de um juro real de 4,38% pagos no começo da manhã para 4,35% na atualização da tarde. Anteriormente, o mesmo papel oferecia retorno real de 4,37%.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto nesta segunda-feira (12):

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Cenário local

Na agenda doméstica, o mercado monitora a notícia divulgada pelo site Poder360 que afirma que Paulo Guedes, ministro da Economia, e o presidente da Câmara, Arthur Lira, estariam de acordo para que os rendimentos de fundos de investimento imobiliários (FIIs) não seriam mais taxados em 15% como estava proposto no texto original da reforma tributária encaminhado pelo governo.

Outro destaque do dia está na divulgação do Focus hoje pela manhã pelo Banco Central. Segundo o relatório, a Selic deve terminar este ano em 6,63%, acima dos 6,50% esperados na semana anterior. Já para 2022, as apostas agora são de que os juros cheguem a 7,00%, o que representa um aumento de 0,25 ponto percentual em relação ao projetado uma semana antes.

O mercado manteve, contudo, suas projeções de alta de 0,75 ponto da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em agosto, para 5,00% ao ano, com uma nova alta, de mesma magnitude, no encontro de setembro, para 5,75% ao ano.

As projeções também ficaram mais altas para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Pela 14ª semana seguida, as estimativas para a inflação foram elevadas, desta vez de 6,07% para 6,11%. Para 2022, no entanto, houve leve redução nas expectativas, pela segunda semana, de 3,77% para 3,75%.

De olho no avanço da vacinação e nos indicadores de atividade econômica de maio, a mediana dos economistas revisou pela 12ª semana as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB), que agora esperam expansão de 5,26%, ante 5,18% na semana passada. Para 2022, as apostas agora projetam expansão de 2,09% do Produto Interno Bruto (PIB), contra 2,10% anteriormente.

Ainda no radar local, o mercado repercute matéria do Valor Econômico, que informa que a cobrança de Imposto de Renda na distribuição de dividendos entre empresas tem grande chance de sair do texto encaminhado pelo governo da reforma tributária ou de sofrer alterações, segundo apurou o jornal.

A publicação destaca que empresas, especialmente as que estão organizadas como holdings, estão bastante preocupadas com o texto apresentado há cerca de três semanas.

A proposta do governo prevê cobrança de 20% de imposto de renda sobre a distribuição de dividendos em todas as situações, inclusive quando essa distribuição ocorre entre empresas. Isso abriria, no entanto, a possibilidade de bitributação ou acumulação de créditos tributários entre empresas organizadas em holdings.

Já no cenário político, a agência de notícias Reuters informou que a Polícia Federal formalizou a abertura de inquérito contra o presidente Jair Bolsonaro por possível crime de prevaricação, no caso das suspeitas de irregularidades envolvendo as negociações de compra da Covaxin, segundo fontes.

Cenário externo

O mercado também acompanhou hoje o discurso da secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, que defendeu a continuação de medidas fiscais que apoiem a economia tanto dos Estados Unidos quanto da Europa. O discurso foi feito durante a cúpula do Eurogrupo, que reúne ministros de finanças da zona do euro.

Em sua fala, Yellen destacou que as “incertezas permanecem altas”, o que justificaria a manutenção de uma política expansionista. “É importante que os Estados membros considerem seriamente medidas fiscais adicionais para garantir uma recuperação doméstica e global robusta”, argumentou.

As atenções também estão voltadas para a China. O Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) anunciou, na sexta-feira passada, que vai reduzir a quantidade de dinheiro que os bancos precisam manter como reserva, o que vai liberar cerca de 1 trilhão de iuanes (154,19 bilhões de dólares) no longo prazo para sustentar a recuperação econômica pós-Covid.

O Banco do Povo da China informou em seu site que vai cortar a taxa de compulsório para todos os bancos em 50 pontos básicos, a partir de 15 de julho.

A última vez que o banco central chinês cortou o compulsório foi em abril do ano passado, quando a economia chinesa ainda estava bastante afetada pela crise do coronavírus.

O anúncio causa certa preocupação no mercado porque pode indicar que as demais economias no mundo também podem ter dificuldade de caminhar sem estímulos monetários durante o processo de retomada econômica.

Curso gratuito mostra como iniciar carreira no mercado financeiro começando do zero, com direito a certificado. Inscreva-se agora.

Compartilhe