Renda fixa

Tesouro Direto: prêmios dos títulos públicos têm queda na tarde desta 3ª; prefixados oferecem retorno de até 11%

Investidores monitoram apresentação de parecer sobre PEC dos precatórios na Câmara, além de discursos de autoridades

Brazilian currency. Money on the wooden table in one hundred and fifty reais banknotes.
(Rmcarvalho/Getty Images)

SÃO PAULO – Com os investidores à espera do parecer da PEC dos precatórios na Câmara, além de declarações do presidente do BC de que a autoridade monetária vai levar a Selic para onde for preciso, a maior parte dos títulos públicos negociados na plataforma do Tesouro Direto opera em queda ou próximo da estabilidade na tarde desta terça-feira (14).

Na atualização das 15h, entre os papéis atrelados à inflação, o juro real oferecido pelo Tesouro IPCA+ com vencimento em 2055 e pagamento de juros semestrais era de 4,79%, em linha com os 4,80% registrados um dia antes e com os 4,78% do início das negociações. Já o Tesouro IPCA com vencimento em 2026 oferecia retorno real de 4,52%, contra 4,55% da sessão de segunda-feira.

No mesmo horário, o prêmio do título prefixado com vencimento em 2026 era de 10,34%, abaixo dos 10,39% vistos na tarde de ontem (13). O juro pago pelo título com vencimento em 2031, por sua vez, era o único que avançava de 10,93% para 10,96%, na atualização das 15h.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta terça-feira (14): 

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Serviços e revisões no PIB

Na agenda econômica local, o mercado repercute a divulgação dos dados de serviços pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (14). Segundo a instituição, o volume de serviços cresceu 1,1% na passagem de junho para julho.

Com isso, o setor está 3,9% acima do nível pré-pandemia e também está no patamar mais elevado desde março de 2016. Entre junho e julho, o resultado do setor em foi puxado especialmente, pelos serviços prestados às famílias, que subiram 3,8%.

Na comparação com julho de 2020, o volume de serviços avançou 17,8%. Já no acumulado do ano, o setor expandiu 10,7% frente igual período do ano anterior.

Os números divulgados hoje ficaram praticamente em linha com o esperado. A projeção, de acordo com o consenso Refinitiv, era de alta de 1% frente junho e de 18% na comparação anual.

Apesar de o volume de serviços não ter provocado fortes surpresas no mercado, a piora nos riscos domésticos levou algumas casas a revisar as projeções para a expansão da economia brasileira no próximo ano, além de estimativas para a Selic e para o câmbio.

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Em relatório divulgado hoje, a XP revisou seu cenário-base de expectativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 de 1,7% para 1,3%, elevou a projeção para o dólar de R$ 4,90 para R$ 5,20 ao fim de 2021 e de R$ 4,90 para R$ 5,10 para o ano que vem. A casa afirmou ainda que agora espera uma Selic de 8,5% ao fim do ciclo de aperto monetário, contra 7,25% previstos anteriormente.

Já as estimativas para o PIB de 2021 seguem em expansão de 5,3% e para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2021 e de 2022, as expectativas foram mantidas em 8,4% e 3,7%, respectivamente.

Segundo Caio Megale, economista-chefe da XP, as mudanças ocorrem porque os riscos domésticos aumentaram nas últimas semanas devido à crise institucional e ao dado de inflação mais disseminado de agosto. Com isso, ele enxerga que a elaboração do Orçamento de 2022 parece cada vez mais difícil.

Reforma do IR, precatórios e Petrobras

Na cena econômica, investidores repercutem as falas de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central. Em evento do BTG Pactual, ele destacou que a autoridade monetária não vai alterar o plano de voo de política monetária a cada número novo de alta frequência de inflação que for divulgado. No entanto, frisou que a taxa Selic será levada para onde for preciso para alcançar a meta de inflação.

Campo Neto afirmou ainda que nunca houve tantos choques de inflação em um período tão curto no Brasil, destacando as surpresas com alimentos, energia elétrica e combustíveis.

Ao falar sobre a alta de commodities no país em meio à recuperação global provocada pela pandemia, o presidente do BC disse que o efeito disso foi maior e mais rápido no Brasil e que agora ele se dissemina por outros países. “A Petrobras (PETR3;PETR4) repassa preços muito mais rápido do que ocorre em outros países.”

Ainda sobre a Petrobras, investidores acompanharam a participação de Joaquim Silva e Luna, presidente da petroleira em debate na Câmara dos Deputados no início desta terça-feira (14).

Ao ser questionado sobre a política de preços da companhia, ele disse que nem todas as alterações de preços de combustíveis têm relação direta com atuações da estatal. “Quando há flutuação dos preços, não quer dizer que a Petrobras teve alguma atuação sobre o preço”.

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Segundo ele, a parte que corresponde à estatal é de aproximadamente R$ 2, considerando um preço de R$ 6. “O que impacta é o ICMS e outros impostos federais, como PIS e Cofins”, comentou.

Outro tema que também volta ao radar é o dos precatórios. O deputado federal Darci de Matos (PSD-SC) apresenta, nesta terça-feira (14), na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara, seu parecer de constitucionalidade sobre a Proposta de Emenda à Constituição que trata do parcelamento de Precatórios (PEC 23/2021).

Cenário internacional

Na cena externa, o destaque do dia está nos dados de inflação americana. Conforme informações divulgadas nesta terça-feira (14), o índice de preço ao consumidor americano (CPI, na sigla em inglês) de agosto teve alta de de 0,3% frente julho. Já na comparação com igual período de 2020, o indicador avançou 5,3%.

A expectativa da Refinitiv era de alta de 0,4% frente julho e de alta de 5,3% na comparação anual.

O Departamento do Trabalho informou ainda que o índice de preços ao consumidor excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia subiu 0,1% no mês passado. Essa foi a taxa mais fraca desde fevereiro, após aumento de 0,3% em julho. Na base anual, o núcleo dos preços avançou 4,0%, depois de alta de 4,3% em julho.

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