Tesouro Direto: na volta das negociações, juros de títulos recuam; destaque é prefixado 2029 com retorno de 12,50% ao ano

Entre os títulos atrelados à inflação, remuneração real mais elevada era do Tesouro IPCA+2045, de 6,26%

Bruna Furlani Neide Martingo

Notas de reais (Sidney de Almeida/Getty Images)
Notas de reais (Sidney de Almeida/Getty Images)

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As negociações dos títulos públicos via Tesouro Direto voltaram a funcionar às 15h27, depois de aproximadamente quarenta minutos de interrupção. A suspensão aconteceu em função da forte volatilidade nos preços e nas taxas.

A possibilidade de novos ataques golpistas, a exemplo do que aconteceu em Brasília, no domingo (8), quando bolsonaristas golpistas invadiram as sedes dos Três Poderes na capital federal, deixa o mercado em alerta. Mas, para os investidores, as providências das autoridades para neutralizar os movimentos contra a democracia mostram ter mais força.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, nesta quarta-feira (11), que as autoridades públicas de todo o país impeçam qualquer tentativa de bloqueio de vias públicas ou rodovias e ocupação de espaços e prédios públicos.

Oportunidade com segurança!

O mercado aguarda anúncios econômicos do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que devem ser feitos entre amanhã (12) e sexta-feira (13). De acordo com o jornal O Estado de S.Paulo, Haddad espera ter aval de Lula para reonerar a gasolina e o álcool a partir de março.

Ricardo Cappelli, interventor federal na segurança do Distrito Federal, afirmou nesta quarta-feira (11) que “não há hipótese de acontecer nada semelhante” ao que assistimos em Brasília no último domingo. A afirmação de Cappelli foi em resposta a questionamentos sobre mensagens em redes sociais de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) convocando pessoas para novos ataques à democracia possivelmente hoje. Segundo o interventor, as medidas de prevenção já foram tomadas.

Dados de serviços também estão no radar. Na cena externa, agentes estão na expectativa pelo índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de dezembro dos EUA, que será apresentado amanhã (12).

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Na volta das negociações, os juros dos títulos públicos registram queda nos juros. Às 15h27, o maior retorno oferecido por prefixados era pago pelo Tesouro Prefixado 2029, no valor de 12,50% ao ano, percentual inferior aos 12,77% da sessão anterior.

Já no caso de títulos atrelados à inflação, a remuneração real mais elevada era oferecida pelo Tesouro IPCA+2045, de 6,26%, abaixo dos 6,31% vistos ontem.

“Por conta das manifestações que aconteceram em Brasília, no fim de semana, muita gente esperava um mercado mais pessimista e estressado, mas isso efetivamente não aconteceu. A semana foi ‘tranquila”, diz Vinicius Romano, especialista em Renda Fixa na Suno Research.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para a compra no Tesouro Direto na tarde desta quarta-feira (11): 

Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Sinal de Lula e novos atos golpistas

Na cena política, investidores monitoram notícia do jornal O Estado de S.Paulo de que o sinal verde para a volta da cobrança de tributos federais sobre a gasolina e etanol, a partir de março, é esperado pelo Ministério da Fazenda no primeiro pacote de medidas a ser anunciado pelo governo.

De acordo com o jornal, a espinha dorsal do pacote segue a mesma das simulações que vazaram para a imprensa com foco no aumento de receitas. O periódico traz ainda que Lula orientou Haddad a apresentar as medidas ainda esta semana como medida de “empoderamento” para afastar a percepção de que haveria um atraso na agenda do governo após os atos golpistas do último domingo (8).

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De olho em novas ameaças à democracia, o governo Lula acionou ontem (10) o STF, após detectar a ameaça de que grupos extremistas estão convocando novos protestos golpistas para esta quarta, segundo o jornal O Globo e o Estadão.

A “Mega Manifestação Nacional pela Retomada do Poder” está prevista para ocorrer em todas as capitais, inclusive na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, palco dos atentados terroristas que resultaram na depredação do Congresso, do Palácio do Planalto e da sede do STF.

Segundo a Advocacia-Geral da União (AGU), as convocações para os protestos golpistas têm circulado especialmente no Telegram. A AGU pede ao ministro Alexandre de Moraes que todas as autoridades tomem medidas cabíveis para evitar invasão de prédios públicos e obstrução de vias urbanas ou rodovias.

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Carta do BC e serviços

Já na cena econômica, o mercado repercute a carta aberta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para justificar o descumprimento da meta de inflação de 2022.

No documento, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, argumentou que o estouro do objetivo foi um “fenômeno global”, citando os impactos da guerra na Ucrânia sobre os preços de commodities e sobre os bens industriais, considerando também o efeito da política de covid zero na China.

“As pressões advindas dos preços de commodities e das cadeias produtivas globais refletiram mudanças no padrão de consumo causadas pela pandemia, com parcela proporcionalmente maior da demanda direcionada para bens e impulsionada por políticas expansionistas, e, no caso de 2022, foram agravadas pela eclosão da guerra na Ucrânia.”

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Campos Neto ainda reconheceu que a inflação em 2023 deve se manter superior à meta estabelecida (4,75%), considerando sua projeção condicional de 5,0% para este ano. Mas, considerando as projeções para 2024 (3,0%) e 2025 (2,8%), o BC argumenta que o “cenário é de convergência da inflação para as suas metas”.

Também na cena econômica, investidores monitoram os dados de serviços apresentados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As vendas no comércio varejista recuaram 0,6% em novembro na comparação com outubro, segundo os dados apresentados hoje. É primeira vez que o varejo fica no campo negativo desde julho de 2022 (-0,2%).

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No acumulado de janeiro a novembro, o varejo avançou 1,1% e, nos últimos 12 meses, 0,6%.

Das oito atividades pesquisadas, seis tiveram resultados negativos em novembro.

Título sumiu

A passagem de ano também trouxe consigo mudanças no Tesouro Direto, que substituiu alguns títulos de prazo mais curto por papéis com vencimento mais longo.

Ao todo, foram quatro substituições: Tesouro Prefixado 2026 (antigo Tesouro Prefixado 2025), Tesouro Selic 2026 (antigo Tesouro Selic 2024), Tesouro Selic 2029 (antigo Tesouro Selic 2027) e Tesouro IPCA+ 2029 (antigo Tesouro IPCA+2026).

Para cada título e indexador, o Tesouro Direto adota referências específicas de prazo mínimo a decorrer até o vencimento. Quando esse prazo dos títulos disponíveis para compra fica inferior ao mínimo estabelecido pela plataforma, ela “roda” o papel.

Com a mudança, uma das perguntas que o investidor pode se fazer é sobre o que isso muda na prática para ele. A diferença reside no fato de que os vencimentos até então disponíveis agora não estarão mais. Então, quem quiser comprar, não vai encontrar aqueles títulos, e sim outros com prazos ligeiramente diferentes.

Powell e exterior

Na cena externa, o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Jerome Powell, afirmou na terça-feira (10) que restaurar a estabilidade de preços com inflação alta pode exigir medidas que não são populares.

O discurso não deu nenhuma pista direta sobre os rumos da política monetária de um BC que elevou as taxas de juros sete vezes no passado, e indicou que mais aumentos são prováveis ​​neste ano. Mas a expectativa é que o Fed promova um aumento de juros em menor magnitude na reunião de fevereiro.