Renda fixa

Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos recuam com petróleo e alívio nas taxas de juros internacionais

Prefixados oferecem até 12,58% ao ano; juros dos títulos atrelados ao IPCA avançam

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

As taxas dos títulos públicos operam mistas nesta terça-feira (15). Enquanto os prefixados recuam, os títulos atrelados à inflação experimentam leve alta nos juros reais oferecidos.

Segundo Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura, a curva de juros cedeu hoje por causa de três fatores: um desmonte nos preços de commodities, principalmente petróleo que reagiu a notícias de um possível acordo entre Rússia e Ucrânia, além de perspectivas menos otimistas com a demanda chinesa após lockdown em algumas cidades do país asiático.

Borsoi explica que essa queda nas commodities gerou um alívio nas taxas de juros internacionais, o que acabou reduzindo também a pressão altista na curva de juros brasileira.

Já o terceiro fator foi uma questão técnica de mercado. Segundo o economista, após a forte disparada nas taxas na segunda-feira (14), alguns investidores se apropriaram de parte dos ganhos por meio de contratos futuros, o que acabou impulsionando a queda das taxas de juros hoje.

Embora seja a véspera da Super Quarta, com o Copom (Comitê de Política Monetária) e o Fed (Federal Reserve) ajustando juros, Borsoi afirma que o mercado já precificou a alta da Selic na sessão de ontem.

Dentro do Tesouro Direto, as taxas dos títulos prefixados recuavam. A maior baixa era do título de curto prazo, que cedia 12 pontos-base.

O Tesouro Prefixado 2025 entregava uma rentabilidade anual de 12,57% inferior aos 12,69%, vistos ontem.

Enquanto o Tesouro Prefixado 2029 e o Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, apresentavam um retorno anual de 12,52% e 12,58%, respectivamente, abaixo dos 12,57% e 12,61% registrados na segunda-feira (14).

Nos títulos atrelados à inflação, algumas taxas subiram entre 3 e 4 pontos-base. A maior alta era no Tesouro IPCA+ 2035 e o Tesouro IPCA+ 2045, ambos os títulos entregavam um retorno real de 5,90% na última atualização desta terça-feira (15), superior aos 5,86% da sessão anterior.

As taxas do Tesouro IPCA+ 2040, com juros semestrais, também avançavam. O título registrava uma rentabilidade real de 5,91% hoje, acima dos 5,87% vistos ontem.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta terça-feira (15): 

Fonte: Tesouro Direto

PPI dos EUA

O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos subiu 0,8% em fevereiro ante janeiro, segundo dados com ajustes sazonais publicados nesta terça-feira pelo Departamento do Trabalho do país.

O resultado veio abaixo da expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam alta de 0,9% no período.

O núcleo do PPI, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, avançou 0,2% na comparação mensal de fevereiro.

Neste caso, o consenso do mercado era de acréscimo bem maior, de 0,6%. No confronto anual, o PPI deu um salto de 10% em fevereiro e o núcleo do índice teve alta de 6,6%.

Petróleo

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) segue prevendo que a demanda global por petróleo avançará 4,2 milhões de barris por dia (bpd) em 2022, para um total de 100,8 milhões de bpd, segundo relatório mensal publicado nesta terça-feira, 15.

A Opep ressaltou, no entanto, que a projeção deste ano está sujeita a mudanças nas próximas semanas, quando “houver mais clareza dos impactos da turbulência geopolítica”, referindo-se ao conflito entre Rússia e Ucrânia.

Em relação a 2021, o cartel elevou levemente sua estimativa de avanço na demanda global, em 5 mil bpd, para 5,7 milhões de bpd.

Por volta das 16h30, o contrato do tipo Brent era negociado a US$ 99,31, o barril, o que representa uma queda de 7,1%. O contrato do tipo WTI, por sua vez, recuava 6,8%, aos US$ 96,04.

Socorro ao setor elétrico

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, nesta terça-feira (15), um novo empréstimo ao setor elétrico que envolverá até R$ 5,3 bilhões.

Os recursos serão usados para bancar medidas adotadas para evitar falhas no fornecimento de energia no ano passado, quando o país enfrentou uma grave escassez nos reservatórios. O socorro financeiro irá evitar um aumento expressivo nas contas de luz neste ano, mas será pago pelos consumidores a partir de 2023, com juros.

A operação foi autorizada por Medida Provisória pelo governo federal em dezembro do ano passado. O valor aprovado nesta terça está abaixo do previsto inicialmente pelo diretor-relator do processo, Efrain da Cruz, cujo teto era de R$ 5,6 bilhões.

Os recursos serão usados para cobrir o saldo da conta Bandeiras estimado para abril deste ano, os custos da importação de energia referente aos meses de julho e agosto de 2021, diferimentos devidos às distribuidoras de energia e o bônus para consumidores que economizaram energia no ano passado.

O objetivo é evitar que esses custos extras sejam repassados para as contas de luz em 2022 por meio de expressivos reajustes nas tarifas, ano de eleições presidenciais.

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