Tesouro Direto: taxas pré decolam 30 pontos após “circuit breaker” com guerra do Irã

Onda de aversão ao risco contamina ativos locais diante da escalada do conflito após Israel bombardear prédio no Irã onde seria eleito o sucessor de Khamenei

Paulo Barros

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As taxas do Tesouro Direto aceleram a alta nesta terça-feira (3), em meio a uma forte ondas de aversão ao risco global desencadeadas pela intensificação do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. O movimento na curva de juros ocorre após suspensão na plataforma do Tesouro diante da forte volatilidade, procedimento comum em sessões com muitas oscilações de preço.

Com a retomada das negociações, o Tesouro Prefixado 2029 acelerou de 12,78% para 13,08%, enquanto o Prefixado 2032 subiu de 13,37% para 13,67%. Nos prazos mais longos, o título com juros semestrais 2037 foi a 13,85%, reforçando o ajuste para cima em todo o segmento nominal.

Nos títulos atrelados à inflação, o ajuste também foi generalizado. O Tesouro IPCA+ 2032 saiu de 7,43% para 7,59% de juro real, o IPCA+ 2040 avançou de 7,01% para 7,11%, e o papel para 2045 subiu para 7,10%. No vencimento mais longo, o IPCA+ 2050 subiu de 6,79% para 6,82%, e o IPCA+ 2060 foi a 7,03%, denotando reprecificação também na ponta real da curva.

O mercado aprofundou o movimento de redução de risco após o Irã atingir o centro de Israel, e as forças israelenses bombardearem a região próxima do prédio onde 88 aiatolás elegeriam o sucesso de Ali Khamenei. A intensificação das hostilidades levou à paralisação efetiva do tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, elevando o preço do Brent para perto de US$ 84 o barril.

Antes, Israel já havia lançado ataques a Beirut e iniciado incursões terrestres no Líbano para combater o Hezbollah. Além disso, drones iranianos haviam atingido a embaixada dos EUA na Arábia Saudita.

O movimento acompanha o forte recuo dos ativos de risco globais. O dólar avança mais de 3%, ultrapassando R$ 5,30, e o Ibovespa cai mais de 4%, enquanto investidores reavaliam o impacto da alta do petróleo sobre a inflação e, consequentemente, sobre as decisões de política monetária. Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries também avançam, refletindo a percepção de que o choque de energia pode adiar cortes de juros pelo Federal Reserve.

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Diferentemente de episódios clássicos de turbulência, em que títulos públicos funcionam como proteção, o foco agora está na pressão inflacionária que pode surgir da escalada geopolítica.

No Brasil, o PIB do quarto trimestre de 2025 divulgado pelo IBGE, confirmou desaceleração na margem, mas crescimento relevante no acumulado do ano. O dado, porém, fica em segundo plano diante do choque externo.

Veja as taxas do Tesouro Direto às 12h16 desta terça-feira (3):

TítuloRendimento AnualVencimento
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0992%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202913,08%01/01/2029
Tesouro Prefixado 203213,67%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203713,85%01/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 7,59%15/08/2032
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 7,39%15/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,11%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,10%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 6,82%15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,03%15/08/2060

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)