Publicidade
As taxas do Tesouro Direto aceleram a alta nesta terça-feira (3), em meio a uma forte ondas de aversão ao risco global desencadeadas pela intensificação do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. O movimento na curva de juros ocorre após suspensão na plataforma do Tesouro diante da forte volatilidade, procedimento comum em sessões com muitas oscilações de preço.
Com a retomada das negociações, o Tesouro Prefixado 2029 acelerou de 12,78% para 13,08%, enquanto o Prefixado 2032 subiu de 13,37% para 13,67%. Nos prazos mais longos, o título com juros semestrais 2037 foi a 13,85%, reforçando o ajuste para cima em todo o segmento nominal.

Ibiuna reduz risco à espera de definição sobre duração da guerra do Irã
Segundo a casa, o tempo em que a crise durará poderá mudar a equação que vinha beneficiando ativos de risco até aqui no ano

Kinea vê estresse passageiro nos mercados com Irã: “Tem muito petróleo parado no mar”
Gestora vê preço do petróleo sustentável na casa de US$ 70 e abertura para queda de preço com fim próximo do conflito e baixo risco de bloqueio efetivo do Estreito de Ormuzdeclarações de Teerã.
Nos títulos atrelados à inflação, o ajuste também foi generalizado. O Tesouro IPCA+ 2032 saiu de 7,43% para 7,59% de juro real, o IPCA+ 2040 avançou de 7,01% para 7,11%, e o papel para 2045 subiu para 7,10%. No vencimento mais longo, o IPCA+ 2050 subiu de 6,79% para 6,82%, e o IPCA+ 2060 foi a 7,03%, denotando reprecificação também na ponta real da curva.
O mercado aprofundou o movimento de redução de risco após o Irã atingir o centro de Israel, e as forças israelenses bombardearem a região próxima do prédio onde 88 aiatolás elegeriam o sucesso de Ali Khamenei. A intensificação das hostilidades levou à paralisação efetiva do tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, elevando o preço do Brent para perto de US$ 84 o barril.
Antes, Israel já havia lançado ataques a Beirut e iniciado incursões terrestres no Líbano para combater o Hezbollah. Além disso, drones iranianos haviam atingido a embaixada dos EUA na Arábia Saudita.
O movimento acompanha o forte recuo dos ativos de risco globais. O dólar avança mais de 3%, ultrapassando R$ 5,30, e o Ibovespa cai mais de 4%, enquanto investidores reavaliam o impacto da alta do petróleo sobre a inflação e, consequentemente, sobre as decisões de política monetária. Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries também avançam, refletindo a percepção de que o choque de energia pode adiar cortes de juros pelo Federal Reserve.
Continua depois da publicidade
Diferentemente de episódios clássicos de turbulência, em que títulos públicos funcionam como proteção, o foco agora está na pressão inflacionária que pode surgir da escalada geopolítica.
No Brasil, o PIB do quarto trimestre de 2025 divulgado pelo IBGE, confirmou desaceleração na margem, mas crescimento relevante no acumulado do ano. O dado, porém, fica em segundo plano diante do choque externo.
Veja as taxas do Tesouro Direto às 12h16 desta terça-feira (3):
| Título | Rendimento Anual | Vencimento |
|---|---|---|
| Tesouro Selic 2031 | SELIC + 0,0992% | 01/03/2031 |
| Tesouro Prefixado 2029 | 13,08% | 01/01/2029 |
| Tesouro Prefixado 2032 | 13,67% | 01/01/2032 |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 | 13,85% | 01/01/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2032 | IPCA + 7,59% | 15/08/2032 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 | IPCA + 7,39% | 15/05/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2040 | IPCA + 7,11% | 15/08/2040 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 | IPCA + 7,10% | 15/05/2045 |
| Tesouro IPCA+ 2050 | IPCA + 6,82% | 15/08/2050 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 | IPCA + 7,03% | 15/08/2060 |