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Após uma sessão pós eclosão do conflito no Irã que foi encerrada com aparente tranquilidade para o Ibovespa – com ganhos de 0,28%, a 189.307 pontos, guiado pelas petroleiras -, a terça-feira (3) começou e terminou com perdas mais acentuadas para o mercado brasileiro, com indicações de extensão do conflito.
O Ibovespa fechou com perdas de 3,28%, a 183.105 pontos. Mais cedo, na mínima do dia, o índice perdeu quase 9 mil pontos, aos 180.518 pontos, com queda de 4,64%. Esta foi a maior queda desde o “Flávio Day” – sessão de 5 de dezembro passado, quando caiu 4,31% com o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
O movimento desta terça já era sentido antes da abertura da Bolsa, com o índice futuro do Ibovespa chegando a cair mais de 2%, enquanto o EWZ, principal ETF brasileiro negociado no mercado americano, chegou a ter baixa de cerca de 4% no pré-mercado em Wall Street. Por outro lado, os ativos da Petrobras (PETR3;PETR4) fecharam com leves perdas, de 0,44% para PETR4, mesmo com uma sessão de fortes ganhos para o petróleo.
Viva do lucro de grandes empresas
As preocupações com a inflação predominaram nos mercados internacionais nesta terça-feira diante do aumento nos preços da energia devido ao conflito no Oriente Médio.
“Ainda é difícil dizer com precisão qual cenário deverá se concretizar, mas o temor por parte dos investidores é que esses conflitos impactem o preço do brent e, sendo assim, podendo impactar negativamente a economia de alguns países, como é o caso da China. Se isso ocorrer, poderíamos ver um impacto no preço de minério de ferro e na Vale”, diz João Daronco sobre recuo da mineradora nesta tarde.
Por aqui, eventual aumento de médio a longo prazo nos preços do petróleo podem forçar a Petrobras a subir os preços dos combustíveis, destaca José Faria Júnior, planejador financeiro certificado pela Planejar. A gasolina tem peso de 5% na inflação e o diesel tem peso bem menos relevante, mas também gera algum impacto inflacionário.
“Assim, em que pese as opções do Copom não terem mudado a aposta de corte de 50 bps (pontos-base para esta reunião, haveria risco de ciclo de corte de juros menor do que o precificado. Se a defasagem ficar em torno de 20% e houver reajuste desta magnitude, o impacto inflacionário se aproximaria de 0,5%. Por ora, a Petrobras não reajustará os preços”, destaca.
A liquidação nos mercados acionários globais se aprofundava nesta sessão e o dólar se fortalecia em meio ao forte aumento nos preços do petróleo e do gás natural, com os investidores lidando com a incerteza sobre quanto tempo o conflito pode durar após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. No Brasil, o dólar comercial saltou 1,91% e fechou na casa dos R$ 5,26.
A declaração de Trump ontem sugere que o conflito pode durar mais tempo do que o esperado anteriormente, já que o presidente fará tudo o que for preciso para destituir o regime do Irã. O presidente dos EUA apontou na véspera que a ofensiva no Irã pode durar entre quatro e cinco semanas.
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Já o Catar suspendeu sua produção de gás natural liquefeito na segunda-feira, levando ao fechamento preventivo de instalações de petróleo e gás em todo o Oriente Médio. A produção do país representa cerca de 20% da oferta global.
Enquanto isso, uma autoridade da Guarda Revolucionária do Irã disse na véspera que o Estreito de Ormuz foi fechado ao tráfego marítimo e que o país abrirá fogo contra qualquer navio que tente atravessar.
“A notícia oficial do fechamento de Ormuz pelo Irã, que diz que quem ousar passar, ateará fogo eleva a tensão. Vai prejudicar o mundo todo. O cenário de petróleo a US$ 100 o barril pode ser mesmo possível. Neste caso, é mais inflação mundial”, diz Bruno Takeo, estrategista da Potenza Capital.
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Bolsas internacionais
Em Wall Street, os principais mercados abriram em queda de cerca de 2%, confirmando as indicações negativas de mais cedo, mas fecharam com perdas mais amenas. Dow Jones caiu 0,83%, S&P500 teve baixa de 0,94% e Nasdaq caiu 1,02%.
Os investidores se preocuparam com o choque inflacionário que pode se seguir a uma crise energética. Com o Estreito de Ormuz fechado ao tráfego marítimo, um aumento nos preços do petróleo pode rapidamente se espalhar para a economia em geral, complicando as perspectivas já instáveis para o Federal Reserve, à medida que os índices de inflação elevados se acumulam e as autoridades mostram sinais de divergências.
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Esse cenário reforçou as expectativas de que o Fed provavelmente não reduzirá a taxa de juros tão cedo.
As bolsas europeias tiveram forte baixa na manhã desta terça, ampliando as robustas perdas de ontem. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu para o seu nível mais baixo em mais de um mês, com baixa de de 3,08%, a 604,44 pontos, queda de cerca de 5% em relação ao seu recorde de fechamento na sexta-feira.
Investidores temem que o conflito no Oriente Médio, deflagrado por um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, prejudique a oferta do petróleo, cujos preços saltam pelo segundo dia consecutivo. De acordo com Teerã, o Estreito de Ormuz, via por onde trafega cerca de 20% do petróleo mundial, está fechado.
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As bolsas asiáticas fecharam em forte baixa. Liderando as perdas na Ásia, o índice sul-coreano Kospi sofreu um tombo de 7,24% em Seul – no seu pior pregão em 19 meses -, a 5.791.91 pontos, na volta de um feriado. As fabricantes de semicondutores Samsung Eletronics – maior blue chip do Kospi – e SK Hynix amargaram respectivas quedas de 9,88% de 11,50%.
Em outras partes da Ásia, o japonês Nikkei caiu 3,06% em Tóquio, a 56.279,05 pontos, o Hang Seng recuou 1,12% em Hong Kong, a 25.768,08 pontos, e o Taiex cedeu 2,20% em Taiwan, a 34.323,65 pontos. Até recentemente, o Kospi e o Nikkei vinham atingindo sucessivas máximas históricas.
Na China continental, o Xangai Composto teve baixa de 1,43%, a 4.122,68 pontos, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto registrou perda mais expressiva, de 3,24%, a 2.655,81 pontos.
(com Reuters e Estadão Conteúdo)