Dólar sobe quase 2%, a R$ 5,26, na maior alta do ano com escalada do conflito no Irã

A escalada do conflito no Oriente Médio impulsionou a alta dos preços do petróleo e a aversão a ativos de risco

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Um funcionário conta notas de dólar americano em uma casa de câmbio em Nova Délhi, Índia, no sábado, 30 de agosto de 2025. Fotógrafo: Prakash Singh/Bloomberg
Um funcionário conta notas de dólar americano em uma casa de câmbio em Nova Délhi, Índia, no sábado, 30 de agosto de 2025. Fotógrafo: Prakash Singh/Bloomberg

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O dólar à vista fechou com forte alta perante o real nesta terça-feira (3), à medida que o aprofundamento do conflito no Oriente Médio provoca uma busca por ativos seguros, impulsionando os preços do petróleo e aumentando as preocupações com a inflação.

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As preocupações com a inflação levaram os investidores a reduzir as apostas em cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve, com o primeiro corte nos EUA já precificado em setembro e as apostas em uma terceira redução em 2026 diminuindo

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Qual a cotação do dólar hoje?

O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 1,91%, aos R$5,2639. Em 2026, o dólar à vista acumula agora queda de 4,10%.

Às 17h03, o dólar futuro para abril – o mais líquido no mercado brasileiro – subia 1,68% na B3, aos R$5,3040.

Dólar comercial

O que aconteceu com dólar hoje?

Na segunda-feira uma autoridade de alto escalão da Guarda Revolucionária Iraniana disse que o país pretende disparar contra qualquer navio que tentar passar pelo Estreito de Ormuz — onde circulam diariamente cerca de 20% do petróleo mundial.

Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que é “tarde demais” para negociar com o Irã, reforçando a perspectiva de continuidade do conflito iniciado no sábado, que envolve Israel do lado norte-americano.

A reação nos mercados globais foi de alta forte do petróleo e fuga dos investidores de ativos mais arriscados, como ações, moedas e títulos de países emergentes, em meio aos receios de que o conflito possa reduzir o crescimento e acelerar a inflação.

No Brasil, o dólar à vista marcou a cotação máxima de R$5,3444 (+3,47%) às 12h20, em um momento em que a bolsa brasileira estava nas mínimas do dia.

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Profissionais consultados pela Reuters afirmaram que a disparada de ordens de stop loss (parada de perdas) no mercado de câmbio intensificou em vários momentos do dia o avanço do dólar, com investidores vendidos em dólar (esperando a queda das cotações) fechando posições.

O avanço do dólar ante o real esteve em sintonia com a disparada da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes, como o peso chileno e o peso mexicano.

“O investidor precisa cobrir posição lá fora, (então) ‘vende emergente’. É o movimento clássico de aversão ao risco”, comentou durante a tarde Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital.

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“O mercado está revertendo toda aquela inclinação a risco que trouxe o dólar para R$5,13. Mas espero que seja transitório”, acrescentou.

Profissionais ouvidos pela Reuters ponderaram que os desdobramentos do conflito no Oriente Médio ainda são bastante incertos, o que dificulta quaisquer projeções sobre o dólar e as taxas de juros no curto prazo. No mercado de DIs (Depósitos Interfinanceiros), as taxas dispararam nesta terça-feira, na esteira da busca dos investidores por ativos de menor risco.

“Com o petróleo em alta, crescem as preocupações com inflação global. Isso faz os investidores reverem expectativas de cortes de juros e adotarem uma postura mais defensiva”, disse Jucelia Lisboa, sócia e economista da Siegen Consultoria, em comentário por escrito.

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“Em momentos como esse, normalmente, o mercado reduz a exposição a ativos de risco, como ações e moedas de países emergentes, e busca proteção em ativos considerados mais seguros, como o dólar.”

Durante a tarde, em meio à forte pressão de alta para a moeda norte-americana, o Banco Central do Brasil anunciou e cancelou logo na sequência dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra), alegando um erro técnico.

No exterior, às 17h14, o índice do dólar – que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas – subia 0,47%, a 98,979.

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Já o PIB do Brasil subiu 0,1% no 4º tri e avançou 2,3% em 2025, em linha com o esperado.

(Com Reuters)

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