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A semana começa com o mercado de olho, nesta segunda-feira (21), na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição e também nos possíveis candidatos a ocupar a pasta da Fazenda no próximo governo.
A entrega de uma proposta alternativa para a PEC da Transição, com o objetivo de reduzir o gasto fora do teto de R$ 198 bilhões para R$ 70 bilhões, foi vista com bons olhos por agentes financeiros e ajudou a aliviar um pouco as pressões sobre os ativos de risco. Por volta das 16h, o Ibovespa apresentava valorização de 0,6%, aos 109,5 mil. O dólar, por sua vez, recuava 1,2%, a R$ 5,30.
O texto foi protocolado pelo senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) no último sábado (19). Segundo ele, seria possível garantir apenas a manutenção do Bolsa Família em R$ 600,00 e o pagamento de R$ 150,00 adicionais a famílias com crianças de até seis anos, como sinalizado por Lula durante as eleições, sem elevar de forma exagerada a percepção de risco fiscal entre agentes econômicos.
Oportunidade com segurança!
Mesmo diante de alternativas, o Morgan Stanley se juntou a outros bancos e casas de análise e aumentou a sua cautela com Brasil, de olho nos riscos fiscais que têm elevado a aversão ao risco para o país.
O banco americano rebaixou o Brasil de overweight (exposição acima da média do mercado) para neutra dentro de sua carteira para América Latina por causa de riscos fiscais que estão sendo observados para 2023.
Investidores também repercutem a eleição do ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn para a presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
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Enquanto isso, no Tesouro Direto, o mercado de títulos públicos registra queda nas taxas com relação ao cenário visto na sexta-feira (19), movimento visto desde a abertura de hoje.
O maior recuo era registrado pelo Tesouro Prefixado 2033, que oferecia um retorno de 13,28% ao ano, às 15h26, abaixo dos 13,48% ao ano, vistos na sexta-feira (18). Por volta das 9h30, a taxa era de 13,25% ao ano.
Já a maior taxa era oferecida pelo Tesouro Prefixado 2025, no valor de 13,52%, inferior aos 13,70% da sessão anterior.
No caso dos papéis atrelados à inflação, o juro real mais elevado chegava a 6,15%, também às 15h26 e era entregue pelo Tesouro IPCA+2045. Na sexta-feira (18), o mesmo título entregava uma remuneração real de 6,17% ao ano.
Guilherme Mendes, especialista em renda fixa da Blue3, afirma que a forte volatilidade registrada no mercado de juros é causada pelo risco fiscal. “Isso acontece por conta da PEC da Transição. O mercado tem precificado uma piora na condução da dívida pública para 2023, o que pode gerar uma pressão inflacionária ainda maior do que era esperado”, destaca, ao mostrar que isso poderia ter reflexo nas decisões do Banco Central com novas elevações da Selic.
Mendes ressalta que o risco fiscal e a persistência da dinâmica inflacionária geram uma excelente janela de alocação em ativos de renda fixa. Não só no Brasil, como em outros Países. “O risco retorno tem se tornado cada vez mais atrativo. Os ativos estão em patamares próximos aos vistos em 2008, durante a crise do subprime [nos Estados Unidos]”, avalia.
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Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para a compra no Tesouro Direto na tarde desta segunda-feira (21):

Ilan e âncora fiscal
Em vídeo divulgado no último domingo (20), o senador eleito pelo Piauí, Wellington Dias, afirmou que a lei de teto de gastos “fracassou”. Dias foi designado pelo presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, como responsável pelo Orçamento de 2023 durante o governo de transição.
“Desde que foi criada o teto foi furado todos os anos e só no atual governo Jair Bolsonaro foram R$ 840 bilhões acima do teto”.
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Dias confirmou que haverá revisão da atual âncora fiscal para uma “proposta eficiente” que concilie responsabilidade fiscal e compromisso social.
O ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn venceu as eleições para a presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com sede em Washington, nos Estados Unidos. É a primeira vez que o País ocupará o cargo no banco.
O também ex-presidente do Banco Central (BC) Henrique Meirelles afirmou, em suas redes sociais, que a vitória de Ilan Goldfajn na disputa pela presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) é “uma vitória para o país inteiro”.
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“Parabenizo o novo presidente Ilan Goldfajn pela vitória e, em nome do presidente Lula, reforço a disposição do Brasil em estreitar os laços com o banco pelo desenvolvimento econômico e social da nossa região”, disse o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB).
Focus
O mercado financeiro elevou novamente sua projeção tanto de inflação como para o PIB para 2022, conforme mostram dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira (21) pelo Banco Central. Segundo as instituições financeiras consultadas semanalmente pelo BC, a expectativa para o IPCA deste ano passou de 5,82%, há uma semana, para 5,88%. Para 2023, subiu de 4,94% para 5,01% e, para 2024, seguiu em 3,50%.
A projeção de alta do PIB de 2022 foi novamente elevada, de 2,77% para 2,80% para este ano e mantida em 0,70% para 2023. Mas a de 2024 recuou de 1,80% para 1,70%.
A estimativa para o dólar, que ficou estável por 17 semanas, subiu na semana, com cotação prevista em R$ 5,25 por US$ 1 em 2022. A de 2023 também subiu, de R$ 5,20 para R$ 5,24. Para 2024, evoluiu de R$ 5,15 para R$ 5,20.
A expectativa para a taxa de juros básica (Selic) continuou em 13,75% para este ano (22 semanas de estabilidade). Mas para 2023, subiu de 11,25%, para 11,50%. Para 2024, permanece em 8% há 19 semanas.
Para o economista da XP, Rodolfo Margato, as principais mudanças no Boletim Focus com relação ao câmbio, juros e IPCA não foram muito significativas do ponto de vista macroeconômico, mas apontam para uma “direção de alta”.
Sobre o IPCA, o especialista destacou que havia uma expectativa de piora mais expressiva das estimativas de inflação para 2023 e 2024, por causa do aumento da percepção de risco fiscal do País. O economista, no entanto, observou que não houve nenhuma grande mudança, por ora, que demostre que houve uma desancoragem de expectativas.
Já ao falar sobre as alterações no câmbio, o profissional disse esperar que as projeções para a moeda americana no Focus no fim de 2022 e 2023 fiquem mais próximas de R$ 5,25 do que de R$ 5,20.
O Boletim Focus também capturou uma piora nas projeções para o resultado primário nos anos à frente. Embora a estimativa para 2022 tenha subido de um superávit de 1,10% do PIB para 1,20%, para 2023, a expectativa de déficit primário cresceu de -0,55% do PIB para -0,80%. Para 2024, passou de 0,00% para -0,20% e, para 2025, saiu de 0,00% para -0,30%.
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