Renda fixa

Tesouro Direto: prefixados entregam até 13,44% ao ano após decisão do Fed

Papéis de inflação voltam a patamares históricos; maior ganho real é de 6,30%

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

As taxas dos títulos públicos avançam na tarde desta quarta-feira (27), de olho nos próximos passos do Federal Reserve – Fed, banco central americano. Nos prefixados, as taxas apresentam alta de até 10 pontos-base, enquanto nos papéis de inflação a alta é de até 8 pontos-base.

Segundo Flávio Serrano, economista-chefe da Greenbay Investimentos, as taxas voltaram a subir com apreensão de um Federal Reserve mais hawkish (preocupado com a inflação).

O Federal Reserve anunciou na tarde desta quarta-feira (27) a elevação dos juros em 0,75 ponto percentual, para uma faixa de 2,25% a 2,50%, em linha com a média das previsões do mercado. A decisão foi unânime. Este foi o segundo aumento dessa magnitude e a quarta alta seguida da taxa este ano.

O mercado também acompanhou as declarações de Jerome Powell, presidente do Fed, em conferência sobre os possíveis próximos passos para conter a inflação e evitar uma recessão. Embora, segundo Serrano, tudo indica que as decisões de política monetária do Fed devem ser tomadas a cada reunião, mas sem indicação para a próxima.  “A perspectiva é de uma porta aberta para aumentos de 50 pp ou 75 pp na próxima reunião. Em algum momento,  o Fed deve desacelerar”, destaca Serrano.

Na visão de Carlos Vaz, CEO e fundador da Conti Capital, o Fed está em uma posição bastante delicada, visto que os problemas econômicos mundiais estão se acumulando e podem gerar impactos sociopolíticos importantes e até preceder revoluções, como historicamente é conhecido. “É possível isso afetar o mercado norte-americano com a migração de capital estrangeiro para os Estados Unidos, favorecendo que a inflação continue forte”, destaca.

Para Vaz, o Fed ainda mostra confiança na recuperação da economia americana e busca equilibrar a desaceleração econômica e os índices inflacionários, ao mesmo tempo em que evita uma recessão severa.

Ele destaca que uma postura hawkish do Fed deve prevalecer até que a inflação nos Estados Unidos recue abaixo de 6%. Em relação a curva de juros, Vaz acredita que o Fed deve continuar promovendo novos aumentos entre 25 bps e 75 bps. “Provavelmente 75 bps em setembro e mais 25 bps em novembro e dezembro, buscando o chamado ‘pouso suave’”, avalia o fundador da Conti Capital.

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Mais cedo foram divulgados dados do fluxo cambial, registrando uma saída líquida de US$ 5,76 bilhões em maio. Já no acumulado do ano, o fluxo cambial é positivo em US$ 12,651 bilhões.

No radar do mercado e que deve impactar a curva de juros nas próximas sessões, Serrano, da Greenbay Investimentos, destaca dados do mercado de trabalho e desemprego no Brasil, nesta quinta e sexta-feira, e a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na próxima semana.

Dentro do Tesouro Direto, os prefixados ofereciam uma rentabilidade anual de até 13,44%, na última atualização desta quarta-feira (27). O ganho real dos títulos atrelados à inflação chegava a 6,30%.

Nos prefixados, a maior alta era na taxa do título de médio prazo. O Tesouro Prefixado 2029 oferecia um retorno anual de 13,33%, superior aos 13,23% vistos na terça-feira (26).

Já o Tesouro Prefixado 2025 e o Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, apresentavam uma rentabilidade anual de 13,21% e 13,44%, respectivamente, acima dos 13,14% e 13,35% registrados na sessão anterior.

Destaque para papéis atrelados à inflação que voltaram a oferecer taxas reais em patamares históricos, ou a se aproximar de retornos recorde.

Na última atualização do dia, a rentabilidade real paga pelo Tesouro IPCA+2040 era de 6,29%, maior valor já oferecido por esse título.

Da mesma forma, a remuneração real oferecida pelo Tesouro IPCA+2055, por exemplo, era de 6,30%, valor próximo do recorde de 6,35% alcançado neste ano. Na sessão anterior, o juro real entregue pelo título era de 6,23%.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta quarta-feira (27):

Fonte: Tesouro Direto

Fed

O Federal Reserve anunciou a sua decisão de política monetária na tarde desta quarta-feira (15) com a elevação dos juros em 0,75 ponto percentual, para uma faixa de 2,25% a 2,50%, em linha com a média das previsões do mercado. A decisão foi unânime. Este foi o segundo aumento dessa magnitude e a quarta alta seguida da taxa este ano.

“Os indicadores recentes de gastos e produção se suavizaram. No entanto, os ganhos de emprego foram robustos nos últimos meses e a taxa de desemprego permaneceu baixa. A inflação permanece elevada, refletindo desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia, preços mais altos de alimentos e energia e pressões mais amplas sobre os preços”, diz o comunicado que acompanhou a decisão.

O Comitê prevê que os aumentos contínuos serão apropriados. Além disso, afirma que continuará reduzindo participações em títulos do Tesouro e dívida e títulos lastreados em hipotecas. “O Comitê está fortemente comprometido em devolver a inflação ao seu objetivo de 2%”, diz o texto. O comunicado também afirma que as avaliações do Comitê levarão em conta uma ampla gama de informações, incluindo condições do mercado de trabalho, pressões inflacionárias e expectativas de inflação e desenvolvimentos financeiros internacionais.

MDB oficializa candidatura de Simone Tebet

O MDB aprovou, nesta quarta-feira (27), a candidatura de Simone Tebet à Presidência da República. Foram 262 votos a favor e 9 contra. A decisão foi tomada em convenção nacional realizada pela internet e transmitida ao vivo nas redes sociais do partido.

O posto de vice na chapa com Tebet ainda não foi escolhido — a decisão deve ficar a cargo dos dois partidos que juntos com o MDB formam o “centro democrático”: PSDB e Cidadania. Eles oficializaram hoje o apoio à candidatura da senadora.

O principal cotado para vice era o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que nos últimos dias sinalizou a aliados que pode rejeitar o cargo. Com isso, o nome da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) ganhou força como alternativa para a posição, em uma chapa totalmente feminina.

Assim como seu adversário Ciro Gomes (PDT), Tebet também se posicionou como uma alternativa à polarização entre o presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Entendo que hoje é o dia do encontro exigido pela história. Eu faço política e estou na militância do MDB desde sempre. Como no passado, a história novamente está nos convocando ao diálogo, à ação, porque infelizmente o Brasil vive um dos momentos mais sensíveis. Nossos alicerces democráticos estão abalados pela fome, pela miséria, pela desigualdade social, pelo desemprego”, disse Tebet.

Defesa da democracia, piso da enfermagem e eleições

Na cena política, a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) divulgou ontem (26) um manifesto em defesa da democracia e do sistema eleitoral brasileiro. Sem citar nomes, o documento denuncia que o Brasil passa “por um momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições”.

O texto também critica “os ataques infundados e desacompanhados de provas” que questionam o resultado das eleições. Chamado de Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito, o manifesto foi assinado por banqueiros, empresários, economistas, artistas, políticos, escritores, jogadores de futebol, ex-ministros, professores da USP e advogados.

Ainda sobre as eleições, Edson Fachin, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou ontem (26) que a Justiça Eleitoral não vai aceitar “intimidações” e que a sociedade demonstrou, nas últimas semanas, que “não tolera o negacionismo eleitoral”.

Destaque também para a informação de que o presidente Jair Bolsonaro (PL) convocou seus ministros na tarde de ontem (26) para discutir a sanção do projeto de lei que estabelece piso salarial para profissionais de enfermagem.

O governo tem preocupação especial com a fonte de financiamento da proposta, ainda não definida, e precisa se posicionar sobre o texto aprovado no Congresso até 4 de agosto. O impacto fiscal estimado é de R$ 16 bilhões.

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