Renda fixa

Tesouro Direto: taxas avançam com postura hawkish de dirigentes do Fed e tensão na China

Investidores aguardam decisão do Copom; prefixados oferecem até 13,02% ao ano

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -


As taxas dos títulos públicos fecharam em alta nesta terça-feira (2). Nos prefixados, as taxas subiram até 18 pontos-base, enquanto os papéis atrelados à inflação apresentaram alta nos retornos reais de até 11 pontos-base.

Segundo Luciano Costa, economista-chefe e sócio da Monte Bravo Investimentos, a curva de juros local teve forte influência do cenário externo, com questões geopolíticas, envolvendo a visita de Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos a Taiwan, o que aumentou as tensões entre a China e os EUA. ”Isso trouxe tensão para os mercados aumentando os prêmios de risco”, destacou o economista.

Nesta terça-feira, Wang Yi, ministro das Relações Exteriores da China, disse que os políticos norte-americanos que “brincam com fogo” na questão de Taiwan “não terão um bom fim”, de acordo com uma declaração do ministério.

Por outro lado, falas de dirigentes regionais do Federal Reserve também acabaram pesando na curva de juros. Diversos discursos, apresentaram um tom mais duro e hawkish (preocupado com a inflação) da autoridade monetária, reforçando o compromisso com o controle da inflação e de que apesar dos recentes sinais de recessão, o Fed deve continuar subindo juros.

“Talvez 0,50 ponto percentual seja o ritmo de alta que acreditam ser suficiente, mas 0,75 ponto percentual não está excluído para a próxima reunião do Fed”, aponta Costa.

Com essa postura dos dirigentes do Fed, as Treasuries avançaram durante o dia, contaminando a curva de juros local.

Em relação a indicadores, Costa destaca dados da produção industrial que vieram um pouco fracos.

Puxada pelas indústrias farmacêutica e de petróleo e biocombustíveis, a produção industrial recuou em junho, após quatro meses seguidos de alta. A queda foi de 0,4% na comparação com maio, com ajuste sazonal, e de 0,5% na anual, com junho de 2021.

O resultado veio abaixo do consenso do mercado, que projetava uma queda de 0,3% tanto na comparação mensal quanto na anual, segundo a Refinitiv.

O economista destaca que as taxas de curto prazo avançaram com expectativa do mercado de que o Comitê de Política de Monetária (Copom) eleve a Selic para 13,75% nesta quarta-feira (3). “Acreditamos que o Banco Central deve deixar a porta aberta para a próxima reunião, mas sem anunciar o seguinte movimento”, afirma Costa.

Dentro do Tesouro Direto, a maior alta era na taxa do título prefixado de médio prazo. O Tesouro Prefixado 2029 oferecia, na última atualização desta terça-feira, um retorno anual de 12,96%, acima dos 12,78%, registrados na sessão anterior.

Já o Tesouro Prefixado 2025 e o Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, apresentavam uma rentabilidade anual de 12,77% e 13,02%, respectivamente, superior aos 12,66% e 12,88%, vistos na segunda-feira (1).

Nos títulos atrelados à inflação, o maior ganho real era de 6,26% e o piso de 5,96%.

As taxas subiram entre 6 e 11 pontos-base.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta terça-feira (2):

Fonte: Tesouro Direto

Selic

A primeira sessão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, com a análise de conjuntura, começou nesta terça-feira (2), estendendo-se pela tarde de hoje e pela manhã de quarta-feira (3).

Amanhã à tarde, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e os oito diretores da instituição têm mais uma rodada de discussões antes de indicarem o novo patamar da Selic (a taxa básica de juros), atualmente em 13,25% ao ano.

A expectativa majoritária do mercado financeiro é de alta de 0,50 ponto porcentual dos juros básicos, para 13,75% ao ano, conforme 49 das 51 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast. Uma casa espera aumento de 0,25 ponto, a 13,50%, enquanto uma projeta a manutenção do patamar atual da Selic. O consenso Refinitiv com 34 instituições também projeta alta de 0,5 ponto nos juros.

A aposta quase unânime na elevação da taxa a 13,75% segue sinalização dada pelo Copom no último encontro, em junho. “Para a próxima reunião, o Comitê antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude”, disse no comunicado da decisão passada, quando elevou os juros também em 0,5 ponto.

Caso esse aumento seja confirmado, os juros básicos atingirão o mesmo patamar de janeiro de 2017. Será a 12ª alta consecutiva neste ciclo de aperto monetário, que já é o mais longo da história do Copom.

Desde o primeiro movimento, em março de 2021, a taxa já subiu de 11,75 pontos porcentuais, o maior choque de juros desde 1999, quando, durante a crise cambial, o BC elevou a Selic em 20 pontos porcentuais de uma vez só.

Saiba mais:

Banco Central deve elevar Selic a 13,75% na quarta, mas vai sinalizar fim do ciclo de alta dos juros?

Nancy Pelosi em Taiwan

A presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, chegou a Taiwan nesta terça-feira, iniciando uma visita que Pequim tinha advertido contrariamente, dizendo que isso prejudicaria as relações sino-americanas.

Pelosi está em uma viagem pela Ásia que inclui visitas anunciadas a Cingapura, Malásia, Coreia do Sul e Japão.

A China reivindica a autogovernada Taiwan como sua, e um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores disse no início desta semana que qualquer visita de Pelosi seria “uma interferência grosseira nos assuntos internos da China” e alertou que “o Exército de Libertação do Povo Chinês nunca ficará de braços cruzados”.

Pelosi chegou com uma mensagem clara para a China, dizendo que o compromisso dos EUA com uma Taiwan democrática é mais importante do que nunca.

“A visita de nossa delegação do Congresso a Taiwan honra o compromisso inabalável dos Estados Unidos em apoiar a vibrante democracia de Taiwan”, disse Pelosi em comunicado logo após o desembarque. “A solidariedade da América com os 23 milhões de habitantes de Taiwan é mais importante hoje do que nunca, pois o mundo enfrenta uma escolha entre autocracia e democracia.”

Veja também:

Nancy Pelosi em Taiwan: quais os riscos da visita para a relação entre EUA e China?

Produção industrial

O destaque da agenda local está nos números da produção industrial em junho, que recuou 0,4% na comparação mensal e 0,5% na base anual, segundo apresentou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado veio abaixo do consenso do mercado, que projetava uma queda de 0,3% tanto na comparação mensal quanto na anual, segundo a Refinitiv.

Com isso, o setor industrial ainda se encontra 1,5% abaixo do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 18% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

Entre as atividades pesquisadas pelo IBGE, as influências negativas mais importantes vieram de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-14,1%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,3%).  Ambas interromperam os avanços de abril e maio, quando acumularam altas de 5,3% e 5,0%.

Orçamento 2023, teto de gastos e primeiro turno

Na cena política, o Ministério da Economia quebra a cabeça para fechar a proposta de Orçamento de 2023 com a previsão de um reajuste dos salários de todo o funcionalismo público federal. 

Uma das saídas em análise pelos técnicos é priorizar a reserva de recursos para o reajuste de carreiras de Estado com salários mais defasados em relação aos da iniciativa privada em vez de um aumento geral para todas as categorias, segundo apurou o jornal O Estado de S.Paulo.

De acordo com a publicação, os técnicos acreditam que seria um erro conceder um reajuste para todos os servidores, embora algumas carreiras, entre elas as administrativas, estejam há quase cinco anos sem reajuste. Um ponto em discussão é que há servidores que ganham muito acima dos salários da iniciativa privada.

A dificuldade de encaixar tudo no orçamento também ajuda a aumentar os riscos de que o teto de gastos seja substituído no próximo mandato. A avaliação foi feita por analistas políticos consultados na 38ª edição do Barômetro do Poder, iniciativa do InfoMoney.

O levantamento, realizado nos dias 28 e 29 de julho, mostra que 92% dos especialistas entrevistados atribuem chance alta ou muito alta de o teto de gastos ficar pelo caminho a partir de 2023. Apenas um analista (8%) apontou risco baixo para a atual âncora fiscal.

Também na cena política, a investida do presidente Jair Bolsonaro (PL) com a aprovação da PEC dos Auxílios (PEC 15/2022) e possível recuperação nas pesquisas eleitorais levaram analistas políticos a reduzir a probabilidade de a corrida ao Palácio do Planalto ser resolvida de forma antecipada, no primeiro turno.

É o que mostra a 38ª edição do Barômetro do Poder, iniciativa do InfoMoney.  Segundo o levantamento, realizado nos dias 28 e 29 de julho, em um mês, caiu de 34% para 8% o grupo de especialistas que atribuem probabilidade alta de a corrida presidencial ser resolvida sem necessidade de segundo turno.

Ou seja, que um dos candidatos consiga somar 50% mais um voto entre os votos válidos (excluindo brancos e nulos) logo no dia 2 de outubro.

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