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Taxas de títulos do Tesouro Direto caem após novo corte na Selic

O Banco Central decidiu ontem cortar em meio ponto percentual a taxa Selic, para 4,5% ao ano

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(Shutterstock)

SÃO PAULO – As taxas oferecidas pelos títulos públicos indexados à inflação e negociados no Tesouro Direto, programa que possibilita a compra e venda de papéis por investidores pessoas físicas por meio da internet, recuam na tarde quinta-feira (12).

Na véspera, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu cortar em meio ponto percentual a taxa Selic, de 5,0% para 4,5% ao ano – a mínima histórica.  A decisão já era esperada pelo mercado financeiro. Em comunicado, o BC destacou uma recuperação gradual da economia brasileira e reiterou que a conjuntura econômica prescreve uma política monetária estimulativa, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural, mas ressaltou cautela.

“O Copom entende que o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela na condução da política monetária. O Comitê enfatiza que seus próximos passos continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”, escreveu o BC.

Para analistas da Rosenberg Associados, as projeções feitas pelo Copom mostram um quadro bastante confortável para a inflação. “Nesse aspecto, confirma-se a perspectiva de mais um corte de 0,25 p.p. [da Selic] para a próxima reunião, no início de fevereiro”, avaliam os economistas.

Como o Copom suprimiu do seu comunicado o trecho em que avaliava haver espaço para corte adicional de juros, a LCA Consultores avalia que a autarquia não quis se comprometer a estender ou a interromper o ciclo de corte, deixando em aberto a decisão da próxima reunião. Apesar disso, os analistas seguem acreditando em mais um corte.

“Nosso cenário base pressupõe que um corte adicional de 25 pontos-base será promovido no começo do ano que vem. Mas as chances de que o ciclo de redução da Selic tenha sido encerrado não são desprezíveis”, escreveu a LCA em comunicado.

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No Tesouro Direto, o título indexado ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) com juros semestrais e prazo em 2050 pagava um prêmio anual de 3,35% ao ano, ante 3,36% a.a. na abertura do dia. O investidor podia aplicar uma quantia mínima de R$ 49,44 (recebendo uma rentabilidade proporcional à aplicação) para investir no papel, ou adquirir o título integralmente por R$ 4.944,06.

Os papéis com prazos em 2035 e 2045, por sua vez, pagavam a inflação mais uma taxa de 3,21% ao ano, ante 3,22% a.a. mais cedo.

Já nos títulos com rendimento prefixado, as taxas subiam. No Tesouro Prefixado 2022 o prêmio avançava de 5,12% para 5,16% ao ano, enquanto o papel com vencimento em 2025 pagava 6,33% ao ano, ante 6,29% a.a. anteriormente.

Também no radar dos investidores, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s revisou de estável para positiva a perspectiva do rating do Brasil. Em nota, a S&P afirmou que o governo brasileiro continua a implementar medidas de consolidação fiscal que têm ajudado a reduzir o ainda alto déficit do país. A nota de crédito do país continua em BB-, considerada grau especulativo.

No cenário internacional, notícia da Bloomberg de que negociadores dos EUA chegaram aos termos de um acordo comercial com a China anima os mercados nesta tarde.

Confira, a seguir, os preços e as taxas dos títulos disponíveis no Tesouro Direto:

Fonte: Tesouro Direto

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O que muda com Selic a 4,5% ao ano?

Com juros na mínima histórica, produtos com retornos pós-fixados, indexados ao CDI, estão rendendo cada vez menos, assim como a rentabilidade da caderneta de poupança, que é atrelada à Selic, e também está menor.

Nos últimos 12 meses até novembro, a caderneta rendeu 4,7%. Agora, com a Selic em 4,5% ao ano, o retorno da poupança passa a ser de 3,15% ao ano e segue perdendo para outras aplicações.

Um produto de renda fixa com retorno equivalente a 100% do CDI rende perto de 5,6% neste ano. Descontada a maior alíquota de Imposto de Renda, de 22,5%, a rentabilidade cai para 4,3%, ainda bem superior à da caderneta

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