Safra Asset prevê alta de juros nos EUA e dólar forte contra o Brasil

Para o economista, a virada tende a começar já em setembro, com novas altas em dezembro e março

Osni Alves

Conteúdo XP

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“A questão não é mais se vai [subir os juros], mas quando.” A frase é de Daniel Weeks, economista-chefe da Safra Asset, e resume a aposta que pode mexer com o mercado brasileiro: a de que o banco central dos Estados Unidos vai voltar a elevar os juros e a fortalecer o dólar — quadro que costuma castigar emergentes como o Brasil.

Para o economista, a virada tende a começar já em setembro, com novas altas em dezembro e março. Ele projeta que o dólar, hoje em torno de R$ 5,20, esconde um risco: se a moeda americana voltar a se valorizar no mundo como no fim de 2024, esse mesmo patamar equivaleria a um câmbio de R$ 6,00 daquela época.

As previsões foram feitas no Expert Talks, podcast da XP sobre o mercado financeiro. À frente da entrevista estavam Caio Megale, economista-chefe da XP, e Bianca Lima, analista de política da casa, que receberam Weeks — comandante da equipe econômica de uma gestora com R$ 190 bilhões sob administração, a nona maior do país.

O economista lembra que o banco central americano cortou juros no fim de 2024 e de novo no fim de 2025, quando “panicou”, em suas palavras, diante do desemprego em alta. O quadro virou: o desemprego recuou de 4,5% para 4,2% e o país voltou a criar cerca de 110 mil vagas por mês. Com a inflação perto de 3,5%, ante meta de 2%, ele vê espaço para o juro subir.

Por que o dólar forte assusta o Brasil

Weeks trabalha com duas camadas de análise. A estrutural aponta para um dólar forte desde 2011, sustentado pela maior produtividade da economia americana. É quase óbvio, na visão dele, que os Estados Unidos se beneficiarão mais de uma grande revolução tecnológica, como ocorreu com a internet nos anos 1990.

Sobre essa base, ele monta a leitura de curto prazo. Em 2025, o mundo apostou num dólar fraco e os emergentes respiraram — o real saiu de R$ 6,20 para R$ 5,20. Agora, diz, essa maré começa a virar, à medida que os Estados Unidos voltam a atrair o capital global.

O risco para o Brasil, na avaliação da gestora, é um segundo semestre parecido com o caos de 2024, quando o câmbio bateu R$ 6,20. “Pode ser uma coisa bem traumática”, advertiu Weeks. Ele pondera que há amortecedores: as contas externas melhoraram e a Selic alta, hoje em 14,25%, encarece apostar contra o real.

Para Megale, o dólar foi o principal motor do mercado nos últimos dois anos. “Momentos de dólar forte foram momentos em que o mundo inteiro sofreu”, afirmou o economista-chefe da XP, citando a eleição de Donald Trump no fim de 2024 como um desses gatilhos.