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“Quem não tem esgoto vive como se vivia há 200 anos”, afirma Radamés Casseb, CEO da Aegea. O executivo alerta que o Brasil precisa investir cerca de R$ 1 trilhão para levar saneamento a todos os lares.
Atualmente, um abismo social separa 100 milhões de brasileiros do acesso ao esgoto tratado. Além disso, 45 milhões de pessoas seguem sem água potável nas torneiras, segundo o diagnóstico da empresa.
O cenário foi detalhado no programa Expert Talks, apresentado por Lucas Genoso. O debate contou com a participação de Guilherme Benchimol, fundador e presidente do conselho da XP.
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“No Brasil, a gente não faz o básico bem feito”, criticou Benchimol acerca do saneamento básico do país até então. Maior empresa privada do setor, a Aegea já atua em 15 estados e atende quase 40 milhões de pessoas.
Impacto além das torneiras
A chegada da rede de água e esgoto gera benefícios que vão muito além da higiene básica. Casseb destaca que a capacidade de aprendizado de uma criança aumenta em 25% quando ela adoece menos.
O bolso das famílias também sente a valorização imediata com a chegada da infraestrutura. Imóveis chegam a valorizar pelo menos 30% quando são conectados aos serviços de saneamento.
A conta de água serve ainda como uma importante porta de entrada para a economia formal. Ao receber a fatura, o morador passa a ter um comprovante de residência e acesso a crédito.
Fundada em 2010, a Aegea tem como sócios a Itaúsa (ITSA4) e o fundo soberano de Cingapura GIC. Em 2025, a companhia de capital fechado investiu mais de R$ 7 bilhões em sua expansão.
Os desafios da universalização
Um dos grandes desafios da companhia é manter sua cultura em realidades tão diversas. Casseb ressalta a complexidade de gerir equipes em quase 900 municípios espalhados pelo país.
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Em muitas regiões, o trabalho de expansão começa do zero absoluto em termos de cobertura. No interior do Piauí e do Pará, a empresa encontrou locais sem qualquer infraestrutura prévia.
Cidades como Campo Grande e Piracicaba já atingiram a cobertura total de água e esgoto. Em Teresina, a expectativa é que a universalização ocorra antes mesmo do prazo exigido por lei.
Após atingir as metas de 2033, o próximo “sonho grande” do executivo é acabar com os lixões. “Mas primeiro vamos universalizar”, ponderou Casseb sobre a urgência de garantir o básico.
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