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A abertura recente dos spreads de crédito, que atingiu de forma disseminada as debêntures incentivadas, elevou também os prêmios de risco dos papéis do setor elétrico e deixou esses ativos mais atrativos, na avaliação do BB Investimentos. “Em nossa avaliação, esse movimento aumentou a atratividade dos papéis, criando oportunidades de investimento mais interessantes em termos de retorno ajustado ao risco”, afirmam os analistas do banco em relatório.
Segundo dados da plataforma Credit Guide, a mediana dos spreads das debêntures incentivadas subiu 0,52 ponto percentual em um mês, de 0,02% para 0,54% até 9 de outubro, ritmo que a empresa classifica como anômalo. O nível atual, porém, segue próximo da mediana histórica da série, de 0,51%, de modo que o destaque está mais na rapidez da alta do que no patamar alcançado.

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Entre os papéis do setor elétrico, a debênture EKTRA5, da Elektro Redes, teve uma das maiores aberturas na semana encerrada em 9 de outubro, de 0,75 ponto percentual. A Credit Guide pondera, no entanto, que as aberturas se espalharam por saneamento, telecomunicações, energia e rodovias sem concentração setorial clara, o que pode indicar pressão de fluxo ou ajuste pontual de liquidez.
Para o BB Investimentos, o setor combina fluxos de caixa previsíveis, demanda essencial e mecanismos regulatórios que reduzem a volatilidade dos balanços, mas o risco não é homogêneo entre as empresas. “A estabilidade do setor não elimina a importância da seletividade”, ressaltam os analistas, que classificam a previsibilidade de receita como muito alta na transmissão, alta na distribuição e média na geração.
Na geração, o curtailment, como são chamados os cortes de produção determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) por restrições da rede, virou um dos principais temas para as eólicas e solares. O risco aumenta com o descompasso entre oferta e demanda, já que a capacidade instalada do país avançou 10,4% em 2025, para cerca de 261 GW, enquanto o consumo subiu apenas 0,9%.
Os pontos fortes de cada empresa
Emissores
Entre os emissores, a Engie se beneficia de escala e diversificação, mas enfrenta desafios ligados à hidrologia, assim como a Auren, que tem maior exposição ao curtailment e alavancagem mais elevada. A Eneva conta com contratos por disponibilidade que aumentam a previsibilidade, embora atravesse um forte ciclo de investimentos, e a Axia Energia combina liderança em renováveis e exposição à transmissão, com a intensidade do capex e a disciplina na alocação de capital ainda no radar.
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Transmissoras
Na transmissão, a receita não depende do volume de energia que passa pelas linhas, mas da disponibilidade dos ativos, remunerada pela Receita Anual Permitida (RAP) e corrigida por índices como o IPCA. Segundo o banco, o risco se torna a execução das obras e a estrutura financeira, já que a empresa investe pesado antes de receber a receita integral e pode operar com alavancagem próxima de 4 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda durante a construção.
Nesse grupo, Taesa e Isa Energia têm portfólios maduros e receita previsível, e ambas preveem iniciar a redução do endividamento a partir de 2027. A Taesa, porém, precisa administrar o vencimento futuro de concessões, enquanto a Isa Energia vê a concentração de receitas e a redução futura de componentes da RAP compensadas pela maturação de novos projetos.
Distribuidoras
As distribuidoras operam sob tarifas reguladas, mas o repasse de custos não acontece ao mesmo tempo que o desembolso, o que eleva a importância da eficiência operacional.
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Segundo o BB, o capex precisa ser avaliado junto com a evolução da base de ativos regulatória, já que investimentos sem ganho operacional ou sem reconhecimento do regulador podem elevar a dívida sem retorno proporcional.
Nesse segmento, CPFL Energia e Cemig combinam eficiência e estrutura financeira robusta, embora o ciclo de investimentos possa elevar a alavancagem, e a Copel se beneficiou da ampliação da base de ativos após a revisão tarifária de 2026. A Neoenergia tem investimentos elevados em redes e uma estratégia de rotação de ativos, enquanto a Equatorial tem perfil mais voltado ao crescimento, com histórico consistente de execução.