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A cinco dias do segundo turno das eleições, o investidor enfrenta um dilema. De um lado, a Bolsa parece precificar apenas um cenário após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Desde então, o Ibovespa disparou e renovou recorde, e opera perto dos 208 mil pontos nesta terça-feira (20). Mas a situação mudou de cara nos últimos dias, com pesquisas mais recentes mostrando um cenário de empate técnico.
Diante do risco de correção, o InfoMoney ouviu sete especialistas para entender: como o investidor de Bolsa pode montar uma carteira mais defensiva para atravessar o pleito?

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Para Enrico Cozzolino, sócio e estrategista da Zermatt Partners, o ponto central é a assimetria. Isso porque, apesar do empate técnico nas pesquisas, as plataformas de previsão dão perto de 80% de chance a Flávio. “Se o resultado confirmar o favoritismo, boa parte da alta já está no preço. Se contrariar, a correção pode ser forte e rápida.”
Pedro Paulo Silveira, analista de trade da Terra Investimentos, também avalia que o mercado já precifica uma vitória de Flávio. Pelas contas dele, o Ibovespa poderia chegar a 250 mil pontos com a eleição do senador ou cair a 140 mil com a reeleição de Lula, e hoje está mais perto do primeiro patamar. Por isso, o espaço para cair é maior que o espaço para subir. “Acho que a aposta é assimétrica demais e optaria por uma alocação mais conservadora, com menor risco.”
Nenhum dos especialistas ouvidos recomenda desmontar a carteira. Maria Carolina Luchesi, especialista de investimentos da Hike Capital, lembra que a alta de quase 29% do Ibovespa no ano deixou a fatia em ações de muitos investidores acima do planejado. “Rebalancear para a alocação-alvo é uma forma de reduzir risco sem apostar em nenhum resultado.” João Daronco, analista da Suno Research, acrescenta que a carteira não deveria ter sido montada em função de um resultado que o investidor não controla.
Dois tipos de proteção
Para quem busca proteção, as exportadoras são o caminho mais lembrado. Se as urnas frustrarem o mercado e o real se desvalorizar, a receita em dólar dessas empresas vale mais em reais, enquanto boa parte dos custos segue em reais. A mesma lógica, no sentido inverso, explica por que elas ficaram para trás enquanto as empresas ligadas à economia doméstica passavam por um rali acentuado.
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A proteção, no entanto, não é automática. O minério de ferro chegou ao menor nível em 18 meses na semana do primeiro turno, o que pesou sobre a Vale (VALE3) independentemente do câmbio. Por isso, Luchesi e Cozzolino preferem exportadoras menos dependentes de commodities.
A segunda proteção vem de empresas com receita pouco dependente do ciclo econômico, como elétricas, saneamento e telefonia. Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, diz que parte dessas empresas de serviços públicos, as chamadas utilities, ainda negocia com desconto em relação aos títulos do Tesouro IPCA+ e paga bons dividendos. A ressalva, segundo Luchesi, é que as elétricas reagem aos juros longos e também podem cair se a curva abrir. “A proteção vem da previsibilidade do caixa e dos dividendos, não da imunidade ao preço.”
As 5 ações defensivas mais recomendadas
Embraer (EMBJ3)
Receita majoritariamente em dólar, carteira de pedidos longa e aeronaves isentas das tarifas americanas dão à ação um caráter defensivo diante da volatilidade eleitoral. Cozzolino lembra que a empresa depende mais da aviação global do que do Brasil.
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Segundo os analistas, a ação caiu 9,20% na semana após o primeiro turno mesmo sem mudança nos fundamentos, enquanto o Ibovespa subiu 8,82% no mesmo período.
WEG (WEGE3)
Mais da metade da receita da companhia vem do exterior, segundo os especialistas, o que dá proteção cambial sem depender de commodities. Cozzolino a define como “qualidade pura” e diz que a queda de 7,35% desde o primeiro turno veio do câmbio, não dos fundamentos.
TIM (TIMS3)
Receita recorrente de assinaturas, baixa sensibilidade ao ciclo econômico e bons dividendos são as vantagens da ação citadas pelos especialistas. O papel caiu 2,43% na semana posterior ao primeiro turno.
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Sabesp (SBSP3)
Para os analistas, a prestação de um serviço essencial com demanda estável faz da ação uma opção a considerar antes do segundo turno. Luís Dornela, CEO do Grupo Ludo, pondera que “a tese envolve ganhos de eficiência e expansão dos serviços, embora dependa da execução de investimentos e das condições regulatórias”.
Axia Energia (AXIA3)
Para Saravalle, é a utility com maior potencial de valorização. Felipe Passero, sócio da Jaguaretê, diz que a empresa gera muito caixa em qualquer governo, mas ressalta a volatilidade. Com a ação em patamar elevado, ele não descarta uma queda forte no curto prazo se Lula vencer.
O que evitar
Os especialistas concordam que os mais expostos a um resultado contrário à expectativa do mercado são os setores que mais subiram com a aposta em juros menores. Segundo Luchesi, na semana posterior ao primeiro turno as ações de locadoras subiram 38,7% e as de educação, 32,6%. Já o Magazine Luiza (MGLU3) acumulou alta de mais de 58% em outubro até o fechamento desta segunda-feira (19).
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Cozzolino inclui na lista varejo, locadoras, construtoras de média e alta renda e empresas de mercado de capitais. “São setores alavancados no juro futuro: se a curva voltar a abrir, eles devolvem rápido.” Para Daronco, o sinal de alerta é dívida elevada atrelada ao CDI, com geração de caixa instável.
E depois do dia 25?
Para Luchesi, as características das empresas defensivas recomendadas são estruturais, e não eleitorais. Ela lembra que a eleição é só um dos riscos no horizonte, já que em 3 de novembro ocorrem as eleições de meio de mandato nos EUA e começa a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
Cozzolino diz que, se o resultado confirmar a aposta do mercado, o caminho é reduzir a parte defensiva e voltar aos cíclicos domésticos. Se frustrar, vale manter a proteção até haver clareza sobre a política fiscal de 2027.