Renda fixa

Prêmios de títulos do Tesouro Direto têm alta nesta quinta-feira

Investidores monitoraram declarações da Moody's, cena política e prévia do PIB, no Brasil, e frustração com pacote de estímulos nos EUA

(Shutterstock)
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SÃO PAULO – As taxas oferecidas pelos títulos públicos negociados via Tesouro Direto apresentavam alta na tarde desta quinta-feira (15), em uma sessão de maior aversão ao risco em termos globais.

O título prefixado com vencimento em 2023 pagava um prêmio anual de 4,83%, ante 4,70% a.a. na quarta-feira (14). O juro pago pelo mesmo título com prazo em 2026, por sua vez, tinha alta de 7,16% para 7,34% ao ano.

Entre os títulos indexados à inflação, o com vencimento em 2026 pagava uma taxa de 2,87%, frente a 2,81% a.a. anteriormente, enquanto o prêmio pago pelo Tesouro IPCA+2045 subia de 4,06% para 4,11% ao ano.

No Tesouro Selic, a taxa de deságio, que chegou a 0,37% na semana passada, opera praticamente estável hoje. Pela manhã, o papel pagava a variação da Selic acrescida de uma taxa de deságio próxima de 0,19% ao ano, ante 0,20% a.a. ontem.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos nesta quinta-feira (15):

Fonte: Tesouro Direto

Cena doméstica

No mercado local, os investidores monitoraram a sinalização da agência de classificação de risco Moody’s de mudar a nota de crédito se o Brasil não retomar o ajuste fiscal em 2021.

“Se o apoio a reformas diminuir, haverá impacto negativo em nosso cenário”, afirmou Samar Maziad, vice-presidente e analista sênior do rating do Brasil na Moody’s Investors Service, acrescentando que o atual rating do país – anunciado em maio – já considerava um aumento da dívida para fazer frente aos gastos extraordinários com a pandemia.

No âmbito político, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a defender a criação de um imposto sobre transações digitais, afirmando que, na prática, “os bancos já cobram uma CPMF hoje”.

Ele usou o termo CPMF, referente à antiga Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, para se referir ao projeto de imposto sobre transações financeira e pagamentos eletrônicos que deseja implementar.

Segundo ele, as taxas cobradas por transferências, como o TED, são “dez vezes” maiores do que o imposto que deseja estabelecer.

Ainda entre os destaques do dia, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do Produto Interno Bruto (PIB), teve alta de 1,06% no mês de agosto ante julho.

O resultado, que representa o quarto mês de recuperação depois da forte retração da atividade por conta da pandemia de coronavírus, veio abaixo do esperado pelos economistas consultados pela Bloomberg, de alta de 1,70% na comparação mensal.

Quadro internacional

Na cena externa, os investidores seguiram repercutindo a frustração com a declaração do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, de que vai ser difícil sair um acordo para o pacote de estímulos à economia americana antes das eleições presidenciais de novembro.

De acordo com o jornal americano The Washington Post, Mnuchin e Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos EUA, concordam em alguns pontos, como a ideia de conceder auxílio de US$ 1.200 à população, mas discordam em temas como: financiamento de auxílio em níveis estadual e local, seguro desemprego e seguridade infantil.

Representantes do próprio partido Republicano no Senado também têm ressalvas à oferta, que consideram alta demais.

Por lá, o número de auxílio-desemprego somou 898 mil novos pedidos na semana passada, acima da mediana das expectativas dos economistas consultados pela Bloomberg, que apontava para 825 mil requisições do benefício no período.

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Também no radar, o Federal Reserve, o banco central americano, reforçou ontem a sinalização de que pretende manter a taxa de juros próxima a zero até 2023 – ela já está neste nível desde a intensificação da pandemia, em março.

Já na Europa, as cidades de Paris e Londres preparam medidas de restrição, devido ao aumento do número de casos de Covid-19, enquanto os casos diários na Alemanha aumentam em um ritmo mais rápido desde o início da pandemia.

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