Poupança ainda reina no Brasil, mas perde terreno para CDB, LCI e LCA

Fatia de investidores com dinheiro na caderneta recuou de 75% para 61% em cinco anos, enquanto títulos privados mais que dobraram sua presença nas carteiras

Paulo Barros

Pixabay
Pixabay

Publicidade

A poupança ainda é o produto financeiro mais usado pelos brasileiros que investem, mas o espaço que ela perdeu nos últimos cinco anos foi ocupado principalmente por CDB, LCI e LCA. A fatia de investidores com dinheiro na caderneta recuou de 75% para 61% entre 2021 e 2025, queda de 14 pontos percentuais, enquanto os títulos privados mais que dobraram sua presença nas carteiras, passando de 8% para 20% no mesmo período. Os dados são do Raio X do Investidor Brasileiro 2025, pesquisa anual realizada pela Anbima em parceria com o Datafolha e divulgada nesta quinta-feira (23).

O movimento coincide com o crescimento de títulos isentos de Imposto de Renda, um atrativo que historicamente era o grande trunfo da caderneta. No entanto, títulos bancários sujeitos a IR cresceram, mostrando que o investidor percebe melhor hoje que o dinheiro pode render mais que na poupança mesmo se for tributado.

O estoque de CDBs, letras de crédito imobiliário e do agronegócio e letras financeiras atingiu quase R$ 5 trilhões ao fim de 2025, crescimento de 17% em relação ao ano anterior, conforme dados do Banco Central. Nas emissões do mercado de capitais, os títulos privados responderam por 88% do volume realizado em 2025, com destaque para debêntures, notas comerciais e fundos de recebíveis (FIDCs).

Continua depois da publicidade

Esse avanço não se limita a grandes investidores institucionais. O estudo mostra que o conhecimento espontâneo sobre títulos privados entre a população em geral cresceu de 6% para 14% em cinco anos, tornando-se a segunda categoria mais lembrada nas respostas sem apresentação de lista, atrás apenas da poupança, citada por 17%. Na classe AB, o conhecimento sobre títulos privados já supera o da caderneta, mencionado por 29% e 26% dos entrevistados, respectivamente.

2. Produtos financeiros usados pelos investidores (2021 vs. 2025)

Produto20212025
Caderneta de poupança75%61%
Títulos privados (CDB, LCI, LCA, debêntures)8%20%
Fundos de investimento9%14%
Criptomoedas7%11%
Açõesn.d.n.d.
Previdência privadan.d.n.d.
Fonte: Raio-X do Investidor Anbima e Datafolha. * Base: apenas investidores com produtos financeiros. n.d. = variação não destacada no relatório.

O crescimento também aparece no uso efetivo e na intenção de investimento. Entre toda a população, a parcela que declara utilizar títulos privados foi de 2% em 2021 para 7% em 2025, trajetória idêntica à da intenção de investir nessa classe em 2026. Para 53% dos que escolhem esses ativos, o retorno é o principal motivador, seguido pela segurança, apontada por 23%, e pela facilidade de investir, mencionada por 21%.

O crescimento dos fundos de investimento, que passaram de 9% para 14% da carteira dos investidores no mesmo período, e das criptomoedas, que foram de 7% para 11%, reforça a tendência de diversificação. O estudo da Anbima aponta que as pessoas que já investem reduziram a dependência da poupança e ampliaram a sofisticação dos seus portfólios de forma consistente ao longo dos últimos cinco anos.

Títulos privados: conhecimento, uso e intenção — população geral

Indicador20212025
Conhecimento espontâneo6%14%
Uso atual2%7%
Intenção de uso em 20262%7%
Fonte: Raio-X do Investidor Anbima e Datafolha. * Estoque de CDB/LCI/LCA/LF atingiu quase R$ 5 trilhões em 2025, alta de 17% ante 2024 (Banco Central).

Do lado oposto, o saldo nominal da caderneta permaneceu relativamente estável em torno de R$ 1 trilhão no período, com pico de R$ 1,036 trilhão em setembro de 2021 e encerramento de 2025 em R$ 1,022 trilhão, segundo dados do BC. O comportamento sugere que a perda de participação da poupança nas carteiras não decorreu de resgates em massa, mas da migração do fluxo novo de recursos para outras categorias.

Continua depois da publicidade

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)