Ofertas de ações disparam 982% e impulsionam recorde do mercado de capitais no 1º tri

Com investidor estrangeiro de volta e crédito aquecido, Brasil abre 2026 com o melhor trimestre já registrado no mercado de capitais

Leonardo Guimarães

Painel eletrônico mostra cotações de ações na B3, em São Paulo 05/08/2024 REUTERS/Carla Carniel
Painel eletrônico mostra cotações de ações na B3, em São Paulo 05/08/2024 REUTERS/Carla Carniel

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O mercado de capitais doméstico registrou, no primeiro trimestre de 2026, o maior volume de ofertas já observado para o período pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). Os R$ 180,1 bilhões captados superam com folga o resultado de R$ 155,7 bilhões do 1T25, que já era recorde na época.

Em termos de crescimento, o destaque do trimestre foi a renda variável. As ofertas de ações totalizaram R$ 13,2 bilhões, um aumento anual de 982,8% e o equivalente a 85% de todo o volume emitido ao longo de 2025. O saldo de compra e venda de ações por investidores estrangeiros também foi positivo nos três primeiros meses de 2026, com destaque para janeiro (R$ 24,5 bi de saldo positivo), revertendo a tendência negativa observada no segundo semestre de 2025.

Para César Mindof, diretor da Anbima, o investimento estrangeiro e a força das ofertas de ações são sinais de abertura de uma janela para a volta dos IPOs em breve. “Ainda dependemos de fluxos local e estrangeiro firmes para vislumbrar uma janela, mas acho que há uma perspectiva melhor do que tínhamos nos últimos anos para essa retomada”.

Os híbridos também registraram recorde nos primeiros meses deste ano. Os Fundos Imobiliários (FIIs) captaram R$ 20,03 bilhões – crescimento de 150% na comparação anual –, enquanto os Fiagros (Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) captaram R$ 3,34 bilhões ante R$ 1,69 bilhões no ano anterior, um crescimento de 97,63%. 

No entanto, o desempenho seguiu puxado principalmente pelos títulos de renda fixa, responsáveis por 80,79% (R$ 143,5 bi) do volume total captado. As debêntures captaram R$ 99,32 bilhões – houve queda de 4% em relação ao volume do primeiro trimestre de 2025, mas ainda o suficiente para se manter como o ativo mais relevante em captação. 

As debêntures incentivadas e de infraestrutura seguem crescendo e foram responsáveis por 43,8% da captação via debêntures. No primeiro trimestre de 2020, o volume desses papéis representava apenas 18,8% da classe.

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Com o crescimento das incentivadas, as debêntures estão cada vez mais longas: os papéis com vencimento em 10 anos ou mais representaram 42,8% das emissões neste primeiro trimestre ante 32,5% no 1T25 e 20,9% no 1T24.

“É um primeiro trimestre muito forte, com recorde e um mix de produtos diferentes em destaque, com expectativa positiva para o restante do ano”, comenta Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima. No entanto, ele pondera que “manter o ritmo de crescimento observado em 2024 e 2025 é muito difícil, já que neste ano temos desafios por questões macroeconômicas e globais”.