Pessimismo e Bitcoin fraco levam criptos menores à beira do precipício

As memecoins recuaram mais de 20% no acumulado da semana, e tudo indica que período negativo ainda não acabou

Lucas Gabriel Marins

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Uma onda de pessimismo tomou conta do mercado cripto após o despejo de tokens da exchange falida Mt.Gox e do governo da Alemanha. A corretora vai colocar à venda cerca de US$ 8 bilhões em cripto, e os alemães já venderam US$ 900 milhões em unidades de BTC apreendidas de criminosos.

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Esses são os motivos por trás do desempenho negativo do Bitcoin (BTC), que na semana passada encostou no seu pior preço desde fevereiro. Mas a crise também respingou nos ativos digitais de menor valor de mercado, chamados de altcoins.

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O índice CoinDesk Smart Contract Platform Index (SMT), que acompanha o preço de criptos de smart contracts (contratos inteligentes), encolheu 10% no acumulado da semana, enquanto o BTC desvalorizou 9% no mesmo período.

O Ethereum (ETH), principal representante do segmento de smart contracts, escorregou 10%. Algumas memecoins (criptos baseada em memes) desvalorizaram ainda mais – a dogwifhat (WIF) e a Pepe (PEPE) recuaram 24% e 20% na semana, respectivamente. E a queda não deve parar por aí.

As altcoins tendem a sofrer quedas junto com o Bitcoin de forma recorrente principalmente devido ao sentimento geral do mercado e à dinâmica de liquidez, explicou Pedro Gutierrez, diretor regional Latam da CoinEx.

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“O Bitcoin, sendo a maior e mais estabelecida criptomoeda, serve como referência para todo o mercado cripto. Quando o preço do Bitcoin cai, muitas vezes isso desencadeia uma perda generalizada de confiança, levando a vendas massivas de altcoins”.

“Essa queda também se deve, em parte, ao fato de muitas altcoins serem negociadas em pares com o Bitcoin, o que significa que uma baixa no valor do BTC afeta diretamente esses pares, intensificando a pressão descendente sobre as altcoins”.

Rony Szuster, analista de research do Mercado Bitcoin (MB), explicou também que as altcoins costumam tomar uma rasteira maior em momentos de baixa porque elas têm capitalização bem menor do que a do Bitcoin, cujo valor de mercado é de mais de US$ 1,1 trilhão – metade do tamanho da indústria.

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“Então para mexer 1% no preço do Bitcoin, seria preciso movimentar o equivalente a US$ 10 bilhões, mas se você pegar uma altcoin, que tem uma capitalização de mercado de um US$ 1 bilhão, por exemplo, seria necessário apenas US$ 10 milhões para movimentar esse mesmo 1% no preço”.

Qual é o tamanho da queda?

Para Szuster, a queda pode continuar, não somente por causa da narrativa em torno da Mt.Gox e da Alemanha, mas também por causa das incertezas em relação à política monetária nos Estados Unidos.

No mês passado, após a divulgação de dados de mercado de trabalho e inflação, o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) passou a prever apenas um corte de juros no ano – no início do ano, a expectativa era de três tesouradas. Nesta terça, Powell deixou em aberto as opções do Fed sobre quando o banco central irá reduzir as taxas de juros, o que os mercados estão precificando como provável para setembro. “Não vou enviar sinais sobre o momento de futuras ações”.

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“Juros altos afugentam os investidores de ativos de risco, que pensam o seguinte: por que você vai tomar risco para ganhar um rendimento grande se você pode aplicar no tesouro americano, por exemplo, e ganhar um rendimento bem mais seguro e bem mais garantido do que um rendimento de renda variável?”

Segundo Szuster, no entanto, a queda do Bitcoin e das altcoins não deve ser tão intensa como nos ciclos anteriores de alta, que já registraram correções de até 55%.

“A gente está vendo agora uma retração de cerca de 30% do topo (do BTC). Acho que podemos esperar mais uns 5% ou 10% para baixo. Não deve cair mais do que isso justamente por causa da capitalização maior do setor, que dificulta o movimento dos preços”, disse, lembrando que nada é garantido porque criptos são ativos de renda variável.