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A expectativa para o início do ciclo de cortes da Selic passou a ser um dos principais temas do mercado financeiro. O sentimento não seria diferente entre os vencedores da Premiação Outliers InfoMoney, que se reuniram em São Paulo no final de janeiro e refletiram sobre o impacto da flexibilização nos investimentos.
Atualmente, a taxa básica de juros da economia nacional está em 15% ao ano, o maior percentual em duas décadas. Parte dos analistas trabalha com projeções de uma Selic entre 11,5% e 12% até o final do ano, patamar capaz de alterar decisões de alocação.
No segmento de crédito estruturado, por exemplo, Aroldo Medeiros, CEO da Artesanal Investimentos, avalia que queda do custo do dinheiro tende a destravar operações represadas. “Um cenário de queda de juros impulsiona o crédito como um todo e, por consequência, os FDICs (fundos de direitos creditórios). Estamos bastante otimistas com 2026”, afirmou.
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Segundo ele, a redução do custo de capital não apenas estimula novas operações, como amplia a demanda por soluções mais sofisticadas de financiamento. O movimento, em sua avaliação, começa antes mesmo do corte efetivo, à medida que o mercado antecipa a mudança de regime monetário.
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Ações se beneficiam, mas a cautela segue central
No mercado acionário, o início de um ciclo de queda dos juros costuma ser historicamente favorável, lembra César Paiva, sócio-fundador da Real Investor, que venceu a categoria melhor fundo de Previdência Renda Variável na Premiação Outliers InfoMoney.
Ele destaca que esse momento tende a beneficiar principalmente empresas com estruturas financeiras mais sólidas.
“Estamos animados com esse início de virada nos juros. Normalmente, é um período em que as ações se beneficiam, especialmente aquelas com balanços mais saudáveis”, disse.
Apesar do otimismo, a seletividade permanece como eixo central da estratégia, o gestor ressalta que empresas excessivamente alavancadas seguem como fonte relevante de risco, mesmo em um cenário de flexibilização monetária.
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“No Brasil, com juros estruturalmente altos, alavancagem é correr muito risco”, chama a atenção. Diante disso, a preferência, segundo ele, recai sobre companhias com dívida baixa ou caixa líquido, ainda que isso implique abrir mão de retornos mais agressivos no curto prazo.
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Juro real elevado cria oportunidades de longo prazo
Na renda fixa, o debate ganha profundidade com o patamar ainda elevado do juro real. Para Marcio Verri, CEO e sócio-fundador da Kinea Investimentos, o cenário atual oferece uma oportunidade pouco comum para investidores com horizonte de longo prazo. “Investir em um papel de 10 ou 15 anos rendendo inflação mais 7% ao ano é algo muito difícil de acontecer”, afirmou.
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Segundo Verri, mesmo com a recente recuperação da Bolsa, a queda do dólar e o controle da inflação, a Selic ainda permanece em nível elevado, sustentando retornos reais historicamente altos.
“O juro real alto é um fenômeno quase secular. As pessoas precisam se aproveitar disso olhando para horizontes mais longos”, disse o representante da Kinea, um dos destaques da segunda edição da Premiação Outliers InfoMoney.
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Representando a gestora vencedora da categoria Melhor Fundo de Previdência Renda Fixa Crédito Privado, Ricardo Espíndola, head de crédito da Porto Asset, vai na mesma linha em relação ao leque de estratégias complementares que o atual cenário da Selic oferece.
“Em juros pós-fixados, você ainda consegue um juro real muito alto. Você também tem a possibilidade de travar essas taxas em juros mais longos”, orientou Espíndola, destacando fundos que combinam juros elevados com tendência de queda.
Diversificação e disciplina são necessárias
Com a curva de juros já precificando cortes, ativos reais começam a ganhar atratividade relativa. Para Guilherme Bueno Neto, sócio-fundador da RBR Asset, 2026 deve ser marcado por oportunidades seletivas, especialmente em fundos imobiliários de “tijolo”. “A curva de juros já começa a precificar uma queda”, afirmou.
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Segundo Neto, 2025 foi um ano de reposicionamento de portfólio, enquanto 2026 abre espaço para maior tomada de risco. “Esse ano é possível tomar um pouco mais de risco olhando pra frente. Acho que os de “tijolo” tendem a performar um pouco melhor”, disse.
Ele destaca que, com economia real aquecida, empregos em alta e aluguéis subindo, o ambiente favorece esses ativos. “Com o ambiente de economia real aquecido, empregos em alta, aluguéis subindo e curva de juros mais estável, acho que esses fundos devem performar bem”, afirmou, ponderando que volatilidade eleitoral é um fator recorrente.
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Já no crédito, a orientação é evitar apostas macroeconômicas direcionais, destaca Ian Cao, CIO da Gama Investimentos, afirmando que a gestora não toma risco de expectativa de curva.
“Nosso fundo é bem balanceado entre ativos pós-fixados e pré-fixados. Qualquer alteração é decorrente de avaliação de crédito, nunca uma aposta na inclinação da curva”, explicou.
Para o investidor, sinaliza, a lição converge entre expectativa bem calibrada, diversificação e disciplina, que tendem a ser mais valiosas do que tentar antecipar cada movimento dos juros.