Lotofácil da Independência: veja quanto prêmio de R$ 300 milhões pode render por mês

Simulação com o prêmio estimado do concurso de 15 de setembro mostra diferença de quase R$ 870 mil mensais entre a melhor e a pior aplicação, mas alocar a bolada esbarra em limites do Tesouro Direto e do FGC

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A Lotofácil da Independência será sorteada em 15 de setembro com prêmio estimado em R$ 300 milhões, e o concurso 3.780 recebe apostas até as 10h daquele mesmo dia. Quem acertar as 15 dezenas estará diante de um desafio que todos queriam ter: escolher onde investir o dinheiro para obter o melhor retorno para nunca mais precisar trabalhar. A boa notícia: com essa quantia, é fácil garantir milhões todos os meses.

Aplicado integralmente por 12 meses, o prêmio equivaleria, em tese, a uma renda mensal de até R$ 2,95 milhões, segundo simulação feita com a Calculadora de Renda Fixa do InfoMoney. O valor corresponde à melhor alternativa do levantamento, uma LCI ou LCA que pague 85% do CDI, isenta de Imposto de Renda.

Na ponta oposta, a poupança entregaria o equivalente a R$ 2,09 milhões por mês. A diferença entre os dois extremos chega a R$ 868 mil mensais, ou R$ 10,4 milhões ao longo de um ano.

A simulação considera o dinheiro aplicado de uma só vez, sem aportes adicionais e sem resgates intermediários. A renda mensal apresentada é o resultado líquido do período dividido por 12, e não um pagamento efetivo a cada mês, ponto detalhado mais adiante. Como se verá, a aplicação integral do prêmio em qualquer uma dessas alternativas encontra obstáculos práticos relevantes.

Quanto cada aplicação entregaria por mês

Com CDI a 13,90% ao ano e Selic efetiva no mesmo patamar, este é o ganho líquido mensal equivalente em cada alternativa:

AplicaçãoGanho líquido em 12 mesesEquivalente mensalRentabilidade líquida
LCI/LCA (85% do CDI)R$ 35.445.000R$ 2.953.75011,82%
CDB (100% do CDI)R$ 34.402.500R$ 2.866.87511,47%
Tesouro Prefixado (14% a.a.)R$ 33.966.000R$ 2.830.50011,32%
Tesouro SelicR$ 33.719.100R$ 2.809.92511,24%
Fundo DI (98% do CDI)R$ 32.862.285R$ 2.738.52410,95%
Tesouro IPCA+ (IPCA + 8%)R$ 29.620.560R$ 2.468.3809,87%
PoupançaR$ 25.028.975R$ 2.085.7488,34%
R$ 300 milhões aplicados de uma só vez por 12 meses, sem resgates. CDI e Selic a 13,90% ao ano, IPCA de 4,24%, prefixado a 14% e juro real de 8%. CDB a 100% do CDI, Fundo DI a 98%, LCI/LCA a 85%. Inclui custódia da B3 de 0,2% ao ano, administração de 0,25% no Fundo DI e IR de 17,5%. Taxas constantes no período.
Fonte: Calculadora de Renda Fixa do InfoMoney

A LCI/LCA lidera mesmo pagando a menor taxa bruta do grupo, 11,82% no período contra 14% do Tesouro Prefixado, porque a isenção de IR para pessoa física preserva integralmente o rendimento. Nas aplicações tributadas, a alíquota de 17,5% da tabela regressiva para prazos entre 361 e 720 dias consome de R$ 6,4 milhões a R$ 7,35 milhões.

Descontada a inflação projetada, o ganho real da LCI/LCA cai para cerca de R$ 1,82 milhão mensais. Na poupança, o poder de compra adicional fica em torno de R$ 984 mil por mês.

Atenção aos números

O número mensal é uma divisão aritmética do resultado de 12 meses e serve como referência de ordem de grandeza. Na prática, o ganho não se distribui de forma uniforme ao longo do ano, já que os juros incidem sobre um saldo que cresce mês a mês. Um ganhador que quisesse de fato sacar o rendimento todo mês teria um resultado inferior ao simulado.

Os números também são ilustrativos no caso do Tesouro Direto, que tem teto de R$ 2 milhões por CPF a cada mês, valor que engloba a carteira inteira adquirida no período e não cada título isoladamente. Nesse ritmo, alocar R$ 300 milhões exigiria 150 meses, ou 12 anos e meio de aportes seguidos. Para volumes dessa ordem, o caminho usual é a compra de títulos públicos no mercado secundário via corretora ou banco, fora da plataforma do Tesouro Direto, com taxas negociadas caso a caso.

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Nos produtos bancários, o obstáculo é o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A cobertura é de R$ 250 mil por CPF em cada conglomerado financeiro, com teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Dividir R$ 300 milhões em parcelas cobertas demandaria 1.200 instituições, e mesmo assim o limite quadrienal restringiria o ressarcimento a R$ 1 milhão.

As taxas também mudariam. As condições de balcão são calibradas para volumes muito menores que o do prêmio, e captações desse porte costumam ser negociadas caso a caso, em estruturas de private banking.

Vale lembrar que LCIs e LCAs não indexadas a índices de preços têm carência mínima de seis meses, o que não inviabiliza a aplicação de 12 meses, mas reduz a liquidez.

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Prêmio também pode mudar

O valor de R$ 300 milhões é uma projeção da Caixa para a faixa principal de premiação, a de 15 acertos, e depende do volume de apostas até o encerramento das vendas.

O montante divulgado já é líquido de imposto. A alíquota de 30% incide sobre a parcela da arrecadação reservada à premiação e é retida na fonte antes de qualquer pagamento, de modo que o número anunciado corresponde ao que efetivamente chega ao apostador. Segundo o regulamento da Caixa, cabe aos ganhadores o valor integralmente líquido, sem cobrança adicional no momento do saque.

Como o prêmio principal da Lotofácil da Independência não acumula, ele é dividido entre todos os acertadores das 15 dezenas. Se dez apostas cravarem as dezenas sorteadas, cada uma receberia R$ 30 milhões, e a renda mensal cairia proporcionalmente para cerca de R$ 295 mil na melhor aplicação.

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O concurso 3.780 será a 15ª edição da modalidade. As apostas podem ser feitas até as 10h de 15 de setembro, com sorteio às 11h, e a aposta simples de 15 números custa R$ 3,50.