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O Ibovespa opera com leve alta de pouco mais de 0,40% em fevereiro – até às 10h30 desta sexta-feira (6) –, mas o principal índice da Bolsa de Valores brasileira acumula forte elevação de 45% nos últimos 12 meses. Para gestores, o dsempenho aumenta o nível de exigência na seleção de ativos e reforça a importância de olhar além do curto prazo. No entanto, os especialistas não enxergam, por enquanto, o fim do ciclo de ganhos.
Isso porque o desempenho da Bolsa brasileira é atribuído a um ambiente macroeconômico mais favorável e por uma mudança relevante no fluxo global de capitais. E, na avaliação de César Paiva, sócio-fundador da Real Investor, o recente ingresso de capital estrangeiro no Brasil não deve ser interpretado como um movimento pontual.
“O mundo passou por um ciclo muito forte nos Estados Unidos, e agora vemos uma reversão. Há uma busca maior por diversificação, olhando para emergentes, o que tende a beneficiar o Brasil e a moeda”, disse o gestor, durante a segunda edição da Premiação Outliers InfoMoney, que reconheceu os destaques do mercado de fundos de investimentos em 16 categorias.
Viva do lucro de grandes empresas
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Paiva pondera, no entanto, que o cenário global continua sujeito a choques, especialmente ligados à geopolítica e à política monetária internacional. Ainda assim, ele destaca que o mercado brasileiro segue relativamente descontado.
“O mercado brasileiro ficou muito para trás nos últimos anos. Ainda é um mercado descontado quando comparado a outros emergentes e aos Estados Unidos”, diz.
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Para o investidor em ações, o recado é de mudança de mentalidade. “Renda variável é ser sócio de empresas. Uma boa empresa num bom preço tende a dar certo no longo prazo. O erro é cobrar resultado mês a mês”, afirma Paiva, reforçando a importância de qualidade e paciência em um momento de preços mais elevados.
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Onde ainda há valor na Bolsa brasileira
Dentro desse contexto, a Real Investor enxerga oportunidades em setores sensíveis ao ciclo de juros e à retomada gradual da atividade. Paiva cita varejo alimentar, shoppings, logística e construtoras como segmentos que tendem a se beneficiar de um ambiente de taxas mais baixas e de uma economia mais aquecida.
Ao mesmo tempo, o gestor defende manter proteção para cenários menos favoráveis. “Se o cenário não for tão positivo, o câmbio mais depreciado pode beneficiar nomes como Petrobras (PETR3,PETR4), Vale (VALE3) e Suzano (SUZB3)”, afirma, destacando a importância de equilibrar a carteira entre crescimento doméstico e empresas com exposição externa.
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Na seleção de ações, a combinação de perfis distintos também aparece como estratégia. Paiva menciona companhias como Porto Seguro, mais voltada ao crescimento, e BB Seguridade (BBSE11), com forte geração de caixa e payout elevado, como exemplos de ativos capazes de atravessar diferentes cenários macroeconômicos.
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A lógica, segundo o executivo, é construir portfólios que não dependam de um único vetor de crescimento. Em um mercado que já precificou parte relevante das boas notícias, a assimetria passa a estar na escolha criteriosa dos ativos, e não em apostas amplas sobre o índice, orienta.
Disciplina em valuations e apostas estruturais
O início de 2026 também tem sido marcado por um ambiente mais construtivo para a Bolsa brasileira na visão da SPX. Segundo João Torres, sócio e cogestor dos fundos de ações da casa, a rotação global para fora de ativos americanos e do dólar tem beneficiado mercados emergentes, incluindo o Brasil. Ainda assim, ele alerta para a necessidade de maior disciplina após a forte alta.
“Apesar do fluxo positivo, o novo patamar de preços exige mais cuidado com valuations, porque parte do mercado já embutiu exageros”, afirma Torres. A expectativa de queda dos juros domésticos segue como um vetor favorável, mas o cenário eleitoral, descrito como disputado e binário, reforça a seletividade na alocação.
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Dentro da estratégia da SPX, um dos principais focos está no setor de utilities, especialmente em geradoras de energia. Segundo o gestor, o preço de longo prazo da energia no Brasil é significativamente superior ao adotado pelo mercado em seus modelos, o que resulta em retornos atrativos e valuations ainda descontados. O perfil elevado de dividendos também ajuda a sustentar os preços das ações.
Outro pilar relevante está no setor de shoppings, com destaque para empresas ligadas ao consumo doméstico. Torres cita a Allos (ALOS3) como exemplo de uma combinação atrativa de previsibilidade de resultados, retorno ajustado ao risco e dividendos elevados, sem que isso esteja refletido em prêmios excessivos nos preços. “Mesmo depois da alta do índice, ainda há bolsões claros de oportunidade para quem olha com método”, conclui.
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