Fundo de IA da Safra rende quase 150% e vira ‘aposta única na vida’

A gestora afirma ter sido a primeira do país a lançar um fundo ligado diretamente ao tema

Osni Alves

Ativos mencionados na matéria

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A inteligência artificial virou a aposta mais rentável do mercado — e a Safra Asset diz ter chegado antes. Desde o fim de março de 2024, o fundo que a gestora dedicou ao tema rende quase 150%, contra pouco mais de 30% do CDI no mesmo período — o equivalente a 600% do CDI em doze meses. “É uma coisa que a gente acredita muito”, diz o economista-chefe da casa, Daniel Weeks.

A gestora afirma ter sido a primeira do país a lançar um fundo ligado diretamente ao tema, que hoje reúne mais de R$ 2 bilhões. O dinheiro vai para as empresas que constroem a base da tecnologia, dos chips às centrais de processamento de dados — uma aposta que a casa encara como “única na vida”.

As contas foram apresentadas no Expert Talks, programa que reuniu Caio Megale, economista-chefe da XP, e Bianca Lima, analista de política da corretora.

A gestora enxerga na IA uma virada parecida com a da internet e diz ter largado na frente. Para Weeks, o ciclo apenas começou — e o entusiasmo tem endereço claro nos Estados Unidos, onde o investimento no setor cresce em ritmo acelerado.

O risco de o Brasil ficar de fora

As gigantes da computação em nuvem, como o Google (GOGL34), investiram cerca de US$ 400 bilhões no ano passado. O valor deve dobrar para US$ 800 bilhões neste ano e alcançar US$ 1 trilhão no próximo — perto de 2,5% de toda a economia americana.

É esse gasto, diz Weeks, que sustenta o vigor da economia dos Estados Unidos. E é aí que entra o alerta para o Brasil, que teria tudo para aproveitar a onda: energia limpa e abundante para abrigar centrais de dados.

O obstáculo, segundo o economista, é a falta de lei clara e de segurança para atrair o capital estrangeiro. Sem isso, o país corre o risco de assistir à corrida de longe, como já fez em outros ciclos de tecnologia.

“Está com cheiro de que a gente pode perder essa oportunidade de novo”, afirmou Weeks. 

O aval otimista do Fed

A leitura otimista não se restringe ao mercado. O presidente do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, Kevin Warsh, afirmou dia 15 que caberá à instituição decidir se a inteligência artificial será ou não inflacionária — e mostrou-se confiante.

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Em audiência na Comissão de Assuntos Bancários do Senado, Warsh admitiu que a tecnologia pode sacudir o mercado de trabalho agora, porque afeta a demanda mais rápido do que a oferta. No curto prazo, porém, avalia que o investimento em IA será bom para o emprego.

“A longo prazo, acredito que a IA contribuirá para melhorar salários e emprego”, acrescentou. Para ele, o mercado de trabalho está estável, o desemprego baixo, e uma alta pontual de preços por causa da tecnologia não é, por si só, inflacionária.

Warsh contou ainda que tem pedido acesso a novos modelos de IA para uso do próprio Fed. Sobre o balanço do banco central, defendeu algo mais enxuto: “Balanço patrimonial deve ser o menor possível e pode aumentar em caso de crises.”

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