40% no mês: FIIs “high yield” compensam perdas e são destaques de maio; veja que outros fundos subiram

No melhor mês do Ifix desde agosto de 2022, fundos imobiliários de “papel” avançaram, em média, 7,9%

Wellington Carvalho

Publicidade

Após cravar a maior taxa de retorno com dividendos (dividend yield) de maio, o Devant Recebíveis (DEVA11) também encerrou o mês com a maior valorização entre os principais fundos imobiliários do mercado. Quem comprou as cotas do fundo no final de abril ostenta hoje um ganho de quase 40%.

Os dados são da Economatica, plataforma de informações financeiras, e tomam como base a variação da cota e os dividendos distribuídos pelos 111 fundos que compõem o Ifix – índice dos FIIs mais negociados na Bolsa.

Entre as carteiras monitoradas, 101 encerraram o quinto mês de 2023 no campo positivo, aponta o levantamento. O número é maior do que os 85 registrados em abril e dos 46 de março.

Continua depois da publicidade

Diante do desempenho dos FIIs, o Ifix emendou o segundo mês seguido de ganhos, de 5,43% dessa vez, no melhor mês desde agosto de 2022. O resultado foi puxado pelos fundos de recebíveis (Títulos e Valores Mobiliários) que, em média, subiram 7,9%. É o melhor percentual entre os principais segmentos do mercado – aqueles com pelo menos cinco fundos.

Confira a lista completa abaixo:

Segmento  Quantidade de fundos  Retorno médio em maio (%)
Desenvolvimento 3 10,15
Títulos e Val. Mob. 47 7,91
Agências 1 7,18
Híbrido 12 6,53
FoF 10 6,35
Lajes Corporativas 8 5,47
Shoppings 5 5,05
Renda Urbana 4 4,83
Logística 17 4,38
Agro 3 2,17
Cemitérios 1 1,59

Fonte: Economatica (31/05/23)

Continua depois da publicidade

Leia também:

Maiores altas de maio

Individualmente, o Devant Recebíveis (DEVA11) foi o grande destaque, com valorização de 39%. Na sequência aparecem outros FIIs high yield, de maior risco, como o Hectare CE (HCTR11) e o Versalhes RI (VSLH11) que subiram 30% e 22%, respectivamente.

Confira as maiores altas dos fundos imobiliários em maio de 2023:

Continua depois da publicidade

Ticker Fundo Segmento Variação em maio (%)
DEVA11 Devant Títulos e Val. Mob. 39,05
HCTR11 Hectare Títulos e Val. Mob. 30,63
VSLH11 Versalhes Recebíveis Imobiliários Títulos e Val. Mob. 22,91
BCRI11 Banestes Títulos e Val. Mob. 18,15
TORD11 Tordesilhas EI Desenvolvimento 15,95

Fonte: Economatica (31/05/23). A rentabilidade leva em consideração o reinvestimento dos dividendos.

Afetado pela inadimplência em série de certificados de recebíveis imobiliários (CRI) no início do ano, o Devant Recebíveis estava entre os FIIs high yield que reduziram fortemente a distribuição de dividendos nos últimos meses.

Dado o problema, o fundo perdeu atratividade na Bolsa e chegou a cair mais de 30% em março.

Continua depois da publicidade

Leia também:

No início do mês, a carteira – junto com outros FIIs high yield – comunicou ao mercado a intenção de executar as garantias dos CRIs inadimplentes da Gramado Parks, empresa de turismo que está em recuperação judicial. A decisão ajudou na recuperação da carteira no mês passado.

Com patrimônio líquido de R$ 1,3 bilhão, o portfólio do DEVA11 é composto predominantemente por CRIs (87,5%), cotas de outros FIIs (6,6%) e recursos em caixa (5,9%).

Continua depois da publicidade

De acordo com o último relatório gerencial, 83% dos recebíveis estão indexados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais uma taxa média de 10,61%.

O documento pondera que o resultado do fundo nos próximos meses ainda pode oscilar por conta dos CRIs que apresentaram problemas recentemente.

“No curto prazo, os resultados do fundo serão influenciados pela redução das receitas relacionadas aos CRIs envolvidos, mas reforçamos que estamos trabalhamos para que essa situação seja superada da melhor forma e no melhor prazo”, destaca o texto.

Leia também:

Maiores baixas de maio

No mês marcado pelo forte crescimento do Ifix, apenas dez dos 111 fundos da carteira teórica apresentaram resultado negativo. A maior perda foi a do REC Renda Imobiliária (RECT11), que caiu 2,7%. Confira a lista.

Confira as maiores baixas dos fundos imobiliários em maio de 2023:

Ticker  Fundo  Setor  Variação em maio (%)
RECT11 REC Renda Imobiliária Híbrido -2,71
ALZR11 Alianza Trust Renda Logística -2,45
PVBI11 VBI Prime Properties Lajes Corporativas -2,28
VTLT11 Votorantim Logística Logística -1,18
BTAL11 BTG Pactual Agro Agro -0,79

Fonte: Economatica (31/05/23). A rentabilidade leva em consideração o reinvestimento dos dividendos.

As cotas do RECT11 começaram a cair em maio após o fundo anunciar que reduzirá o dividendo distribuído aos investidores – de R$ 0,54 para R$ 0,40 por cota.

A medida faz parte do plano de ação da carteira para diminuir o atual endividamento do fundo, de R$ 194 milhões, conforme aponta a gestão do FII.

Para isso, o fundo também comunicou ao mercado mudanças no pagamento de CRIs emitidos para a aquisição de imóveis a prazo, como o edifício Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Entre as mudanças, estão a amortização extraordinária de R$ 7,6 milhões dos títulos, parcelas mensais no valor de R$ 1,3 milhão durante doze meses, além de um novo pagamento de R$ 3,9 milhões previsto para este mês.

“O investidor perde quando recebe o dividendo [mais elevado] e o fundo não paga [corretamente] o credor”, justificou Moise Politi, da REC Gestão, em entrevista ao Liga de FIIs, programa produzido pelo InfoMoney.

“O patrimônio dele [investido no FII] diminui e, no médio prazo, isso não é favorável”, diz o gestor, que não vê sentido em prolongar uma dívida que sairá mais cara do que o montante de dividendo recebido pelo investidor ao longo do tempo.

O mercado não reagiu bem ao anúncio e as cotas do RECT11 despencaram 10% na primeira sessão após a divulgação do fato relevante que tratava do tema.

Leia também:

FIIs que mais pagaram dividendos em maio

Além do desempenho das cotas, o FII Devant Recebíveis (DEVA11) encerrou o mês de maio com o maior dividend yield entre os principais fundos imobiliários da Bolsa. O percentual ficou em 1,78% no mês.

O número também leva em consideração os dados da Economatica sobre os 111 fundos imobiliários que compõem o Ifix.

Em maio, 61 carteiras tiveram um dividend yield acima de 1%. O número é inferior aos 64 registrados em abril.

No mês passado, o DEVA11 pagou R$ 0,85 por cota, equivalente a um dividend yield mensal de 1,78%, o maior do período. Na sequência aparecem o NCH Brasil Recebíveis (NCHB11) e o Vinci Credit Securities (VCRI11) com ganhos de 1,61% e 1,58%, respectivamente.

Confira a lista dos dez maiores pagadores de maio:

Ticker Fundo Setor Retorno com dividendos – maio (%)*
DEVA11 Devant Títulos e Val. Mob. 1,78
NCHB11 NCH High Yield Títulos e Val. Mob. 1,61
VCRI11 Vinci Credit Securities Títulos e Val. Mob. 1,58
HABT11 Habtat II Títulos e Val. Mob. 1,53
ARCT11 Riza Arctium Real Estate Híbrido 1,52
JPPA11 JPP Capital Recebíveis Títulos e Val. Mob. 1,51
CACR11 Cartesia Recebíveis Imobiliários Títulos e Val. Mob. 1,46
URPR11 Urca Prime Renda Títulos e Val. Mob. 1,44
VGIP11 Valora IP Títulos e Val. Mob. 1,44
RZAK11 Riza Akin Títulos e Val. Mob. 1,40

Fonte: Economatica

O REC Recebíveis Imobiliários (RECR11), que teve o maior dividend yield de abril, pagou este mês R$ 1 por cota, equivalente a uma taxa de retorno de 1,22% – inferior ao 1,63% observado no mês anterior.

Leia também:

Wellington Carvalho

Repórter de fundos imobiliários do InfoMoney. Acompanha as principais informações que influenciam no desempenho dos FIIs e do índice Ifix.