FIIs de “papel” têm oportunidades e volta de IPCA positivo favorece compra do KNSC11, diz BTG; Ifix fecha estável

E mais: nova oferta do PVBI11; GALG11 vende imóvel por R$ 38 milhões; polêmicas da assembleia do HGPO11 vão parar na CVM

Wellington Carvalho

Publicidade

De olho na volta da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o BTG Pactual passou a recomendar a compra do Kinea Securities (KNSC11), aponta relatório do banco assinado por Daniel Marinelli e Matheus Oliveira.

“Acreditamos que o cenário [atual] apresenta uma ótima janela de entrada em fundos imobiliários do segmento de recebíveis com estratégia em operações atreladas a inflação”, confirma o documento.

Focados no investimento em títulos de renda fixa atrelados a índices de inflação ou à taxa do CDI (certificado de depósito interbancário), os FIIs de recebíveis – ou de “papel”, como também são conhecidos – tiveram de reduzir os dividendos distribuídos aos cotistas recentemente por causa da deflação registrada no último trimestre.

Continua depois da publicidade

Pela dinâmica deste tipo de FII, quando o indexador do título sobe, a receita do fundo cresce e o dividendo pago aos investidores pode ser elevado. Isso explica os rendimentos altos dessa classe de fundo até meados de 2022. Quando o indexador cai – como ocorreu entre julho e setembro – a receita do fundo encolhe e acaba refletindo nos dividendos pagos aos investidores.

Diante do cenário de deflação – e redução de dividendos – os FIIs de “papel” começaram a perder valor na Bolsa, em um nível até acima do justificável, avalia Marinelli.

“[A desvalorização] não reflete necessariamente a qualidade das operações em seus portfólios”, aponta o analista no relatório do BTG Pactual. “Olhando para a frente, as estimativas do mercado apontam para uma inflação positiva nos preços nos últimos três meses de 2022”, completa o texto.

Continua depois da publicidade

A volta da inflação, reforça o documento, deve gerar um impacto positivo na rentabilidade desses fundos, cenário que seria positivo especialmente para FIIs como o Kinea Securities (KNSC11), cujo patrimônio líquido está predominantemente indexado ao IPCA (63%), conforme aponta o relatório do BTG Pactual.

De acordo com a análise do BTG Pactual, o fundo também possui portfólio bastante pulverizado (60 ativos) e distribuído em pelo menos 5 setores – atuação dos devedores, conforme mostra o gráfico acima. As operações estão concentradas principalmente nos segmentos residencial e corporativo, que juntos respondem por 72% do patrimônio líquido da carteira.

Leia também:

Continua depois da publicidade

Ifix hoje

O Ifix – índice dos FIIs mais negociados na Bolsa – fechou a sessão desta quinta-feira (3) estável, aos 2.988 pontos. Confira os demais destaques do dia:

Maiores altas desta quinta-feira (3):

Ticker Nome Setor Variação (%)
TGAR11 TG Ativo Real Outros 2,36
RBRL11 RBR Log Logística 2,29
XPCI11 XP Crédito Imobiliário Híbrido 2,22
HGCR11 CSHG Recebíveis Logística 1,75
RCRB11 Rio Bravo Renda Corporativa Outros 1,65

Maiores baixas desta quinta-feira (3):

Continua depois da publicidade

Ticker Nome Setor Variação (%)
RZAK11 Riza Akin Títulos e Val. Mob. -3,59
ARCT11 Riza Arctium Real Estate Logística -2,8
CARE11 Brazilian Graveyard and Death Care Service Títulos e Val. Mob. -2,66
HSLG11 HSI Logística Logística -2,02
HFOF11 Hedge Top FoF II Títulos e Val. Mob. -1,75

Fonte: B3

Nova oferta do PVBI11; GALG11 vende imóvel por R$ 38 milhões

Confira as últimas informações divulgadas por fundos imobiliários em fatos relevantes:

PVBI11 quer captar R$ 350 milhões em nova oferta

O FII VBI Prime Properties aprovou a realização da terceira emissão de cotas do fundo e pretende captar até R$ 350 milhões, aponta fato relevante divulgado pela carteira.

Continua depois da publicidade

O valor unitário dos novos papéis foi fixado em R$ 99,05 e a taxa de distribuição será de R$ 0,01, totalizando um preço de subscrição de R$ 99,06 por cota.

Na abertura do mercado nesta quinta-feira (3), as cotas do VBI Prime Properties estavam sendo negociadas a R$ 93,80 – ou seja, abaixo do preço de subscrição. O valor patrimonial do fundo – espécie de preço justo – está exatamente em R$ 99,06 por cota.

Cotistas com posição no final da sessão da próxima segunda-feira (7) terão direito de preferência na nova emissão, que poderá ser exercido entre os dias 10 e 23 de novembro de 2022.

Focado no segmento de escritórios, o VBI Prime Properties tem um patrimônio líquido de R$ 994 milhões. O portfólio do fundo é composto por quatro imóveis, que somam uma área bruta locável (ABL) de 44 mil metros quadrados.

GALG11 vende imóvel no interior de São Paulo por R$ 38 milhões

O FII Guardian Logística assinou compromisso para a venda de imóvel em Jandira, no interior de São Paulo. O espaço está locado atualmente para a Almanara Restaurante e Lanchonete.

De acordo com comunicado ao mercado, o fundo receberá um total de R$ 38 milhões pelo imóvel de 5,6 mil metros quadrados. O complexo é formado por galpão construído nos padrões da indústria de alimentos e um edifício de escritórios.

A carteira já recebeu R$ 2 milhões do valor total previsto no negócio e o montante de R$ 30 milhões será depositado na assinatura da escritura, explica fato relevante divulgado pelo FII. O saldo remanescente será quitado em duas parcelas até julho de 2023.

Antes do compromisso de venda do ativo em Jandira, o Guardian Logística contabilizava seis imóveis no portfólio e uma ABL de 175 mil metros quadrados. A taxa de vacância da carteira está zerada.

Giro Imobiliário: Em reviravolta, cotistas do HGPO11 questionam assembleia e vão à CVM para anular votos

Um clima belicoso se instalou entre os cotistas e a administração do fundo imobiliário CSHG Prime Offices (HGPO11) desde a última terça-feira (25), quando uma assembleia geral extraordinária (AGE) foi realizada para tratar da venda de imóveis da carteira. Um total de 32,85% dos cotistas votaram contra o negócio, enquanto 32,53% se manifestaram favoráveis – mas se aquele dia terminou com a impressão de que a discussão estaria encerrada, isso não ocorreu na prática.

A assembleia foi marcada por uma série de polêmicas que ainda estão causando controvérsia. A ata relata uma série de contestações ao longo da reunião. Em resumo, segundo cotistas que defendiam a negociação, a decisão de não vender os imóveis foi influenciada por votos enviados após o prazo determinado.

O que foi levado à votação foi a venda dos edifícios Metropolitan e Platinum, localizados próximos à Avenida Faria Lima, em São Paulo (SP). Localizados em uma região nobre para o segmento de lajes corporativas, os imóveis somam uma área bruta locável (ABL) de 12.613 metros quadrados. A vacância hoje está na casa dos 5%. A alienação dos imóveis representaria a liquidação do fundo, que está em operação desde outubro de 2010.

O interessado em comprar os imóveis estava disposto a pagar R$ 466 milhões por eles – o que equivale a cerca de R$ 37 mil por metro quadrado. Essa foi a proposta não aceita durante a assembleia.

Agora, um grupo de cotistas que possuem cerca de 10% do HGPO11 solicitou uma reunião com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que pode ocorrer já na próxima semana, segundo investidores ouvidos pelo InfoMoney que preferiram não se identificar. E mais: eles querem obter o aval da autarquia para anular parte dos votos que, alegam, teriam chegado após o prazo limite de manifestação dos cotistas. Se conseguirem, a venda dos imóveis da carteira seria aprovada.

Wellington Carvalho

Repórter de fundos imobiliários do InfoMoney. Acompanha as principais informações que influenciam no desempenho dos FIIs e do índice Ifix.