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O estoque de títulos ligados ao agronegócio segue em alta em meio à corrida por investimentos que ainda são isentos de Imposto de Renda (IR), aponta o Boletim de Finanças Privadas do Agro, divulgado na quarta-feira (13) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
Hoje, os principais instrumentos privados do agro são isentos de IR. No entanto, a Medida Provisória (MP) 1.303/25, editada em junho pelo governo federal, propõe tributação de 5% a partir de 2026. Como os papéis emitidos até o fim de 2025 seguem livres da cobrança, especialistas já vinham alertando que as mudanças poderiam acelerar a emissão e a procura por esses títulos.
O estoque das Cédulas de Produto Rural (CPRs) – títulos de renda fixa que representam uma promessa de entrega futura de produtos agropecuários – atingiu R$ 521,17 bilhões em julho, alta de 40% em 12 meses e de quase 1% na comparação com junho.
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Ja o patrimônio líquido das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) chegou a R$ 599,73 bilhões no mês passado, pulo de 25% em relação ao mesmo período do ano passado e de 2% na comparação com junho deste ano.
No caso dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), o montante atingiu R$ 160,04 bilhões, alta de 10% em 12 meses e de 0,67% sobre junho.
O estoque dos Fiagros atingiu R$ 43,10 bilhões, 10% superior a julho de 2024, e o de Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) somou R$ 32,47 bilhões, crescimento de 5%.
Além dos instrumentos do agro, as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) também vão ser taxadas. Junto com LCAs, o estoque delas disparou até 25% no primeiro semestre, segundo dados divulgados pela bolsa brasileira em julho.
Veja quadro completo:
| Instrumentos | Estoque (em R$ bilhões) | Variação 25/24 |
| CPR | 521,17 | 40% |
| LCA | 599,73 | 25% |
| Fiagros | 43,10 | 13% |
| CRA | 160,04 | 10% |
| CDCA | 32,47 | 5% |
Tramitação da MP
A MP 1.303 de 2025 já está em vigor. De acordo com a Constituição Federal e o Regimento Comum do Congresso Nacional, medidas provisórias têm validade imediata a partir da publicação no Diário Oficial da União e do envio ao Congresso no mesmo dia.
Para se transformar definitivamente em lei ordinária, no entanto, a MP precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. Atualmente, o texto está sob análise de uma comissão mista.
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Ontem, durante audiência nesse colegiado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que as mudanças no IR são necessárias para garantir o cumprimento do arcabouço fiscal em 2026. “O objetivo é sair da armadilha do déficit crônico que nos acompanha desde 2015”, falou.