Eleições acendem o pavio e small caps explodem na Bolsa; veja as mais indicadas

Índice de small caps sobe 9,17% no dia seguinte à votação, e algumas alcançaram quase 20% de valorização em um dia, caso da Smart Fit; analistas apontam quais mais ganham se os juros longos continuarem caindo

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Ativos mencionados na matéria

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O primeiro turno da eleição acendeu o pavio das small caps. Na segunda-feira (5), depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar à frente de Lula (PT), o índice de small caps da B3 (SMLL) subiu mais de 9%, acima dos 7,70% do Ibovespa, que teve o maior ganho em um dia desde março de 2020. Os juros futuros caíram ao longo de toda a curva, e o dólar fechou em queda de mais de 4%, a R$ 5.

O movimento confirma a aposta que as carteiras de small caps de outubro já faziam antes da votação. As casas consultadas pelo InfoMoney apontavam as empresas menores da bolsa como as mais sensíveis à queda dos juros longos e, por isso, as que mais tinham a ganhar se o resultado da eleição abrisse espaço para esse movimento. O segmento era até então o mais descontado da bolsa e o único ainda abaixo da própria média. Três ações do ranking estiveram entre os destaques da segunda: C&A, que subiu 19,71%, Cyrela, com alta de 18,4%, e Smart Fit, que avançou mais de 10%.

A convergência, porém, para no segmento. Nas oito carteiras consultadas, nenhuma ação aparece em mais de quatro, e Smart Fit e Orizon dividem a liderança, seguidas pela JHSF, com três indicações. A principal mudança em relação a setembro é a saída das construtoras de baixa renda: a Tenda, que tinha quatro indicações, deixa o ranking depois que as casas apontaram o atraso nos repasses da Caixa para o Minha Casa, Minha Vida e a alta no custo de materiais. Em seu lugar ganham espaço nomes de consumo defensivo e educação.

AçãoNº de recomendaçõesRetorno no dia 5/10 (%)Retorno em 30 dias (%)
Smart Fit (SMFT3)418,60-9,29
Orizon (ORVR3)412,0414,42
JHSF (JHSF3)35,3971,18
3tentos (TTEN3)28,04-28,36
Alupar (ALUP11)28,0015,58
Bemobi (BMOB3)27,7336,57
C&A (CEAB3)219,71-3,37
Cury (CURY3)26,79-2,06
Cyrela (CYRE3)218,4033,10
Dexco (DXCO3)210,3736,20
Direcional (DIRR3)27,99-19,62
Fleury (FLRY3)23,3265,43
Hypera (HYPE3)27,1119,61
Iguatemi (IGTI11)28,0422,47
Panvel (PNVL3)210,5925,73
Sanepar (SAPR11)27,38-4,59
SLC Agrícola (SLCE3)2-1,6318,60
Tupy (TUPY3)21,3837,67
Yduqs (YDUQ3)212,452,38
Fontes: Ágora Investimentos, BB Investimentos, BTG Pactual, Genial Investimentos, Itaú BBA, Santander, Terra Investimentos, XP Investimentos, com dados da Economatica

As mais recomendadas

Smart Fit (SMFT3)

A rede de academias sobe de três para quatro indicações e passa a dividir a liderança. Para a Ágora, a Smart Fit se destaca num setor de consumo ainda pressionado pela combinação de crescimento orgânico, maturação das unidades abertas e monetização via TotalPass, com 98 academias abertas no primeiro semestre. O BTG Pactual cita a escala sem paralelo na América Latina, as margens em melhora pela alavancagem operacional e o espaço para consolidação num mercado fragmentado.

A Terra destaca o Ebitda e a margem bruta em níveis recordes e o avanço do plano Black, que eleva o tíquete médio e a fidelização. O Santander vê a companhia bem posicionada para capturar o crescimento do mercado de bem-estar e usar a escala como vantagem competitiva.

Orizon (ORVR3)

A empresa de gestão de resíduos, que liderava sozinha em setembro com cinco indicações, perde uma e passa a dividir o topo. O Santander a colocou como principal escolha do setor de energia e saneamento, com a expectativa de que os municípios recorram cada vez mais a operadores privados, e projeta crescimento anual do Ebitda de 55,6% entre 2025 e 2028, puxado pela aquisição da Vital e pelos projetos de biometano.

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O BTG Pactual destaca o histórico de alocação de capital, a entrega recente de duas usinas de biometano e a contribuição mais recorrente das vendas de créditos de carbono. A XP, por outro lado, reduziu o peso da ação de 15% para 10%, por ver um momento menos favorável no curto prazo, e o Santander também diminuiu a posição.

JHSF (JHSF3)

A empresa de shoppings, hotelaria e serviços de alta renda entrou neste mês na carteira da Genial e já estava nas da Ágora e do BB Investimentos. Para a Genial, é a posição mais sensível a juros e ao consumo de alta renda, com dividendo mensal e lucro de R$ 445 milhões no segundo trimestre, contra R$ 246 milhões um ano antes. A Ágora destaca o crescimento de 30% da receita de propriedades para renda e a ocupação de 98,2% nos shoppings.

O BB Investimentos lembra que a venda do portfólio de incorporação para um fundo, em transação de mais de R$ 5 bilhões, reduziu o endividamento e abriu espaço para investimentos nos negócios de renda recorrente voltados à alta renda.

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As demais indicadas

Entre os nomes com duas indicações, a Yduqs entrou nas carteiras da Ágora e do Itaú BBA, que vê potencial de criação de valor na combinação de negócios com a Afya, e a Dexco chegou às do BTG Pactual e da Genial como uma tese de reestruturação, com corte de custos e redução da alavancagem. A Fleury é escolhida pela Genial pelo lucro em alta, dívida baixa e dividendo recorrente, e a Tupy ganhou peso na XP com os indicadores de veículos pesados nos Estados Unidos apontando para volumes e margens melhores.

No setor imobiliário, a Cyrela aparece pela aceleração de lançamentos e vendas no segundo trimestre, segundo o BB Investimentos, enquanto Cury e Direcional, focadas em baixa renda, ainda têm duas indicações cada, mesmo com a pressão sobre o Minha Casa, Minha Vida. O Iguatemi, com participação em 17 shoppings pelo país, aparece nas carteiras do Itaú BBA e do Santander, e a Alupar é lembrada pelo Santander como exposição ao segmento de transmissão, o mais defensivo do setor elétrico.

Completam a lista a Sanepar, no saneamento; a Panvel, no varejo farmacêutico; a Hypera, que avança na normalização das operações, com foco em eficiência comercial e gestão de estoques, segundo a Terra; a C&A, com resultados positivos no segundo trimestre; a Bemobi, de tecnologia; a SLC Agrícola, no agronegócio; e a 3tentos, que saiu das carteiras do Santander, depois de um segundo trimestre abaixo do esperado, e da XP, pelo risco de novas revisões para baixo, mas segue em duas.

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