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Tom de cautela

Economia fraca e atraso na reforma da Previdência são principais obstáculos para gestores

Algumas casas têm reduzido a exposição a risco enquanto o cenário político-econômico não fica mais claro; movimentos buscam flexibilidade de caixa para aumentar posições  

SÃO PAULO Em meio a uma articulação para a aprovação da reforma da Previdência mais lenta que o previsto (e o desejado) pelo mercado, bem como uma sequência de indicadores econômicos fracos que têm provocado a redução de projeções para a alta do PIB e a elevação das expectativas para a inflação  , gestores de fundos de investimento estão mais cautelosos no início de maio.

Algumas casas têm reduzido a exposição a risco enquanto o cenário político-econômico não fica mais claro, com flexibilidade de caixa para aumentar posições conforme as oportunidades forem surgindo.

Em cartas referentes ao mês de abril enviadas aos cotistas, gestores descrevem um cenário doméstico que engatinha em sua recuperação econômica e que segue decepcionando, o que pode implicar uma saída da crise mais demorada do que o previsto.

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Para a MZK, o mês de abril contou com ainda mais evidências de que o crescimento do PIB será nulo no primeiro trimestre. “As confianças retornaram a níveis pré-eleição e a inflação foi mais alta, impactada por gasolina e alimentos”, escreveu a gestora.

Já a Persevera Asset Management afirmou que estamos vivendo no Brasil um período com traços de recessão de balanços, e não uma mera recessão cíclica. “Acreditamos que os níveis já depreciados da taxa de câmbio representam uma defesa contra a possibilidade de aumento dos riscos percebidos com a reforma da previdência ou com o cenário externo”, escreve a casa.

Como o mercado está mais pessimista, contudo, pode estar mais preparado para enfrentar novas turbulências e também se surpreender positivamente.

É o que acredita a Verde Asset, de Luis Stuhlberger: “O consenso de mercado hoje já é bem menos construtivo do que o víamos no começo do ano, e, portanto, há mais espaço para surpresas positivas”.

Bolsa

Apesar de temer uma prolongação da crise brasileira, a equipe da Persevera acredita no potencial de crescimento das empresas e avalia que a recuperação de lucros não vai partir da retomada do PIB, mas do aumento de margens.

“O trabalho de racionalização e adequação de estruturas que grande parte das empresas listadas executou ao longo dos últimos anos, em combinação com a desalavancagem financeira e queda de custo financeiro, resultarão em crescimento robusto de lucros, o que sustentará a performance das ações”, afirmaram os gestores.

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Assim como em março, a Kapitalo segue posicionada em empresas dos setores elétrico, de logística, petróleo, mineração e siderurgia, papel e celulose, saúde, bancos, telecomunicações e shopping center. Por outro lado, tem posições vendidas nos setores de consumo, serviços financeiros, educação e imobiliário.

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Para a Legacy Capital, o ambiente global de inflação baixa e juros contidos favorece posições em bolsas globais e, portanto, a gestora segue com exposição a ações nos EUA. No cenário doméstico, por outro lado, a equipe de análise afirma que o ritmo da atividade econômica segue decepcionando e age no sentido de reduzir o valor intrínseco dos ativos brasileiros.

A Verde inclusive reduziu sua posição em ações brasileiras “de maneira tática”, mantendo pequena posição “comprada” em bolsa americana.

Selic: cai ou não cai?

Quando o assunto é taxa de juros, as opiniões entre os gestores divergem. Enquanto alguns acreditam em uma manutenção da taxa ao longo de 2019, outros defendem que há espaço para cortes de juros nos próximos meses.

A equipe da Persevera, por exemplo, afirma que a posição cíclica da economia já justifica em si um corte adicional dos juros e avalia que o Banco Central não deveria nem aguardar a aprovação da reforma da Previdência para tomar uma decisão.

Segundo a Vinland Capital, a retomada mais lenta da economia reflete uma política monetária pouco estimulativa. Apesar de a taxa Selic e o juro real terem recuado, a taxa estrutural de juro também caiu. Outros fatores citados para justificar uma queda dos juros estão a implementação do teto de gastos, que limita o crescimento do consumo do governo, e o crédito direcionado, que deixou de ser um impulso à demanda.

Desta forma, a expectativa da Vinland é que, passados os choques negativos que afetaram a inflação, e com a reforma da Previdência sendo bem encaminhada no Congresso, as taxas de juros devem recuar ainda mais.

A Kapitalo, por sua vez, defende a postura atual do Banco Central. “Apesar de a atividade mais fraca mostrar um grau de ociosidade mais elevado do que se supunha, acreditamos que a piora na inflação, mesmo que temporária, seja suficiente para postergar a discussão sobre novos estímulos monetários”, afirmou a gestora.

Mercado Internacional

Na carta mais recente enviada aos cotistas, a MZK afirmou que a interrupção do processo de altas de juros nos países desenvolvidos e a manutenção do crescimento econômico nos EUA e na China podem ser benéficos para os emergentes e, dentre os países preferidos, Brasil segue no topo da lista. O argumento é sustentado pela equipe da Vinland.

Da mesma forma, a Legacy reforçou as perspectivas de atividade econômica apenas moderada mais à frente na Europa e na maior parte dos países emergentes. A gestora está concentrando sua posição “vendida” em dólar contra real, isto é, vê espaço para a valorização da divisa brasileira. “A moeda brasileira está premiada tanto em relação aos demais ativos locais quanto às demais moedas de emergentes”, escreve a casa.

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