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Gestores ajustam posições, diante de maior volatilidade e tensões políticas

Mercado passa a incorporar prazo mais longo para a aprovação da reforma da Previdência e recuperação da economia

ações alta bolsa
(Shutterstock)

SÃO PAULO – A maior volatilidade dos ativos brasileiros no cenário recente, fruto em grande parte do ambiente político, não só tem se refletido em uma batalha mais árdua para garantir um bom desempenho dos fundos no fim do mês, como tem contaminado o tom até então otimista que imperava no mercado financeiro.

Ainda pode ser cedo para dizer que a lua de mel com o novo governo acabou, mas o fato é que gestores já colocaram em seus cenários-base um maior grau de dificuldade na articulação política com o Congresso, incorporando um prazo mais longo para a aprovação da ainda esperada reforma da Previdência e uma recuperação possivelmente mais lenta da atividade econômica.

As cartas de diversas gestoras de fundos de investimento referentes ao mês de março, quando até a Verde Asset perdeu do CDI (embora tenha garantido valorização do lendário fundo multimercado), têm em comum um tom mais moderado nos comentários, diante das maiores preocupações com as dificuldades do governo para constituir uma coalizão no legislativo para passar as reformas.

As perspectivas, contudo, seguem otimistas para as ações brasileiras, embora exijam maior seletividade.

“Ainda esperamos que a economia volte a acelerar conforme a agenda de reformas dê sinais mais claros de progressão. Porém, a sequência de surpresas negativas no crescimento econômico permanece e sugere que o alto grau de ociosidade da economia deve perdurar por ainda mais tempo do que antecipávamos”, escreveu a equipe da Kapitalo Investimentos.

Embora considere que as condições básicas para a reforma da previdência continuam presentes, a equipe da Garde Asset readequou as expectativas e espera agora uma tramitação mais longa (com data final em agosto, após o recesso parlamentar) e com maior diluição, com uma economia nos próximos dez anos de cerca de R$ 650 bilhões.

Bolsa

A Kapitalo manteve a posição líquida “comprada” (aposta de alta) em ações no Brasil, com destaque para os setores elétrico, de logística, petróleo, papel e celulose, mineração e siderurgia, saúde, shopping center, telecomunicações e bancos. A casa está “vendida” (aposta de queda) em empresas de consumo, serviços financeiros, educação e do segmento imobiliário.

Há ainda um posicionamento levemente comprado em índices de ações internacionais (EUA, Japão e países emergentes) e vendido em dólar. Na renda fixa, a Kapitalo diz ter aproveitado os momentos de volatilidade de março para aplicar em juros nominais.

A equipe da Vinland responsável pelo fundo Long Bias tem procurado concentrar os esforços em nomes menos dependentes de reformas constitucionais, com “vida própria independente da Previdência”. Mudanças nos setores elétrico, de óleo e gás e na telefonia estão no radar.

“Acreditamos que o cenário para exposição em equities [ações] no Brasil é positivo e temos carregado uma visão cautelosamente otimista já há alguns meses. A melhoria, contudo, não será sem sustos e nem em linha reta.”

No fundo macro, a Vinland começou abril com posições pequenas aplicadas em juro nominal no Brasil e no México, vendida em dólar contra o real e levemente comprada em uma cesta de ações de empresas brasileiras.

“Estamos em um momento de grande assimetria para o mercado de ações”, assinala a equipe da Fama Investimentos. Na visão da casa, gestora de um fundo de ações, confirmado um cenário benigno para o Brasil, com aprovação (ainda que parcial) das reformas estruturantes, retomada do crescimento e investimento, serão as empresas de consumo doméstico as maiores beneficiadas.

Nessa perspectiva positiva, a Fama assinala que os resultados das companhias mais voltadas para consumo cresceriam mais rapidamente que as empresas mais globais, além de enxergar um fluxo mais intenso de investidores para esses papéis e uma correção de uma defasagem de desempenho desde 2018.

Perspectiva para a Selic

Com relação à política monetária, as gestoras seguem divididas no que tange ao próximo movimento do Banco Central. Do lado das casas que esperam a manutenção da Selic em 6,5% neste ano está a Garde, que prevê um crescimento da economia de 1,8% em 2019, incorporando uma expansão mais forte no segundo semestre, quando boa parte das incertezas políticas poderão ter se dissipado, assim como os efeitos dos choques nas condições financeiras do ano passado.

“Com a aprovação da reforma da previdência e o questionamento sobre uma recuperação da atividade mais gradual, podemos reviver o debate sobre a possibilidade de uma flexibilização monetária adicional”, apontou a Garde, em sua carta mensal.

Já a equipe da Vinci Partners espera uma Selic menor já neste ano, diante de um cenário de inflação sob controle e uma recuperação da atividade aquém do esperado.

“O ritmo de crescimento econômico continua decepcionando. O PIB do primeiro trimestre de 2019 deve ser novamente fraco, e os indicadores de confiança – que tendem a antecipar o comportamento da economia – mostraram recuo em março, aumentando a incerteza sobre uma aceleração mais forte da atividade no segundo trimestre”, comentou a gestora, em sua carta mensal.


Mercado internacional

Para a Kapitalo, os sinais vindos do exterior são mais animadores. As condições financeiras globais seguiram positivas em março e os indicadores de atividade global diminuíram o ritmo de piora.

Já a Garde Asset tem visão diferente com relação aos acontecimentos mais recentes, embora mantenha a visão de um cenário relativamente benigno. Para a gestora, o cenário global se mostrou mais desafiador, diante de novas frustrações com dados de atividade global e da zona do euro, além da postergação de um acordo definitivo entre EUA e China e da novela em aberto do Brexit.

“Em meio a esse cenário de incerteza, tivemos problemas idiossincráticos em algumas economias emergentes, como Turquia, África do Sul, Argentina e o próprio Brasil. Esses acontecimentos deixam claro a fragilidade do mercado no momento atual do ciclo e nos deixam mais cautelosos. Contudo, ainda acreditamos que o risco de recessão da economia global seja pequeno e que os estímulos monetários e fiscais chineses devem contribuir para a estabilização da economia global nos próximos meses.”

A Garde ainda reforçou que segue com uma visão positiva sobre a economia americana e espera uma desaceleração apenas gradual do PIB neste ano.

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