Selic caiu: como investir em renda fixa, ações e FIIs com os juros em 11,75%

Analistas apontam setores atrativos da Bolsa e dizem o que investidor deve buscar na renda fixa diante de títulos do Tesouro menos atrativos

Leonardo Guimarães

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A Selic, que passou boa parte de 2023 a 13,75% ao ano, sofreu o quarto corte consecutivo e agora está em 11,75% anuais. A decisão do Banco Central era amplamente esperada pelo mercado, que já precificou o movimento muito antes de sua realização. Isto, porém, não quer dizer que nada muda nos seus investimentos.

Na renda fixa, o efeito é automático: papéis atrelados à Selic ou ao CDI passam a render menos automaticamente. Na renda variável, a atratividade dos ativos aumenta. A leitura de especialistas ouvidos pelo InfoMoney é de que há oportunidades em todos os tipos de investimento.

Confira o que analistas recomendam para os investimentos após a queda da Selic:

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Ações

Desde a penúltima reunião do Copom, no dia 1 de novembro, o Ibovespa teve alta de 10%. O índice acionário foi impulsionado pela melhora no cenário externo. Mesmo assim, a Santander Asset continua pregando cautela no investimento em ações brasileiras.

Para Clayton Calixto, especialista de portfólio da Santander Asset, as ações “não são cavalo de aposta para o investidor, porque os juros seguem atrativos”. Para ele, o investidor que quer ter exposição à Bolsa não precisa se expor a riscos desnecessários e deve entrar em papéis considerados defensivos.

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Setores defensivos

Bancos e empresas relacionadas ao minério de ferro são as bolas da vez, segundo Calixto. Nas mineradoras e siderúrgicas, a exportação é a grande vantagem, já que essas companhias têm parte da receita em dólar, o que ajuda a proteger o patrimônio contra a variação positiva da moeda americana.

Anderson Silva, head de renda variável e sócio da GT Capital, também cita o setor de energia elétrica como um porto seguro por causa da forte geração de caixa das empresas.

A carteira de ações recomendadas por analistas da XP Investimentos para dezembro é composta, principalmente, por ações de valor – de empresas mais consolidadas em seus setores e, portanto, consideradas mais seguras. De dez empresas recomendadas, duas são do setor de energia (Copel e Equatorial), um banco (Itaú), três de commodities (Vale, Petrobras e Prio) e uma da área de saneamento (Sabesp).

Ações de crescimento

Já para quem quer apostar em ações de crescimento – de negócios com potencial de evolução e mais sensíveis aos juros – pode olhar para o setor de construção civil. Para Silva, há oportunidade no investimento em ações da MRV e da Cyrela.

A XP ainda lista a varejista Vivara como uma opção para investimento em empresas de crescimento. “Continuamos esperando uma sólida dinâmica de resultados e nos mantemos construtivos com as perspectivas de crescimento e dinâmica de margem da companhia, enquanto vemos a ação negociando a um valuation atrativo”, diz relatório.

Renda fixa

Na segurança da renda fixa, os prêmios foram espremidos desde a reunião do Copom em novembro, como mostra a curva de juros futuros. A taxa do contrato de DI para janeiro de 2025 teve fechamento significativo de 89bps, passando de 10,96% em 1 de novembro para 10,07% nesta quarta-feira. A parte mais curta da curva, com vencimento em janeiro, já tem taxa de 11,68%, abaixo da Selic atual.

Do início de novembro para cá, os prefixados saíram – novamente – das listas de recomendações. Entre setembro e outubro, as taxas desses papéis subiram devido às incertezas sobre a economia americana, fator que saiu, gradualmente, dos holofotes em novembro. No mês passado, as taxas dos prefixados voltaram a cair, tirando o prêmio que o mercado via nos papéis.

Prefixados

Na Santander Asset, o otimismo está menor com relação aos títulos com taxa prefixada. “Vemos o mercado de juros futuros caminhando para valor próximo do que acreditamos ser o justo”, explica Calixto.

A falta de empolgação dos analistas com os títulos públicos não significa que o investimento nos papéis não é incentivado. Marianne Moraes, gestora de crédito privado da Inter Asset, diz que investir em juros “ainda traz retorno interessante para o nível de previsibilidade que a renda fixa oferece”.

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Crédito privado

Com a queda da Selic, porém, o investidor de renda fixa vê as oportunidades de ganhos altos encolherem. Nesse contexto, um dos movimentos possíveis é a migração para o crédito privado, que oferece retornos maiores como pagamento por riscos maiores (mas ainda controlados).

Para Moraes, há uma demanda represada das empresas por financiamento no mercado de capitais que pode ser liberada com a redução da Selic. Com mais empresas emitindo dívida, há mais opções de papéis para investir e mais competição pelo bolso do investidor, o que pode ter impacto positivo nas taxas.

Para papéis mais longos, a percepção de risco é maior e a Inter Asset “segue conservadora nas alocações”, apostando em vencimentos mais curtos, segundo Moraes. A especialista diz que os riscos da marcação a mercado “ainda nos deixam em ponto de observação”.

Para o investimento em debêntures, CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) ou CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), João Coutinho, Diretor da RJ+ Asset, prefere os papéis que oferecem a variação do CDI mais uma taxa prefixada. “O investidor se aproveita da alta rentabilidade do CDI e ainda gera ganhos adicionais com o componente prefixado”, explica o profissional.

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Fundos imobiliários

O mercado de fundos imobiliários tende a ser beneficiado com a redução dos juros. A melhora, porém, pode demorar mais a ser percebida nas cotações, já que esses papéis são menos voláteis que ações.

Marcos Baroni, head de Fundos Imobiliários e analista da Suno Research, diz que “os FIIs estão bem posicionados diante do cenário atual, sobretudo por deixar o risco de tributação de lado e com potenciais reduções de juros em 2024”.

Para o especialista, os FIIs de tijolo – que investem diretamente em imóveis – devem ser os mais beneficiados e quem quer mais previsibilidade nesse setor pode apostar em fundos com galpões logísticos e shoppings na carteira. “Em geral, eles possuem contratos mais longos e maior estabilidade de fluxo”, justifica Baroni.

Para ganho de capital, fundos que investem em lajes corporativas podem ser uma boa opção, com um adendo: “alguns ainda possuem elevado nível de alavancagem e precisam realizar a venda de imóveis para destravar esse valor represado aos cotistas”, segundo o analista da Suno Research.

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Fundos de investimento

Quem quer diversificação com maior facilidade, além de contar com uma gestão profissional, pode recorrer aos fundos de investimento. A classe sofreu com resgates após a crise que Americanas e Light geraram no mercado de crédito privado no início do ano, mas vem se recuperando nos últimos meses.

Calixto, da Santander Asset, gosta do investimento em fundos multimercados agora, mas avisa: “não é um investimento pensado para o curto prazo, o investidor precisa ter consciência de que eles devem entregar retorno de médio prazo”.

A vantagem desse tipo de fundos é a capacidade de investir em diversos ativos, dentro e fora do Brasil, podendo capturar o movimento de queda de juros nos Estados Unidos e Europa.

O especialista ainda cita os fundos de infraestrutura, que investem na dívida de empresas do setor, que são isentas de Imposto de Renda. Como o vencimento desses papéis é mais longo, o investidor deve enfrentar volatilidade maior, mas que pode ser recompensada com retornos mais atrativos.