As ações mais indicadas para dezembro; Vale vira unanimidade e RENT3 volta à lista

Com as revisões, Copel, Rumo, Eletrobras e Totvs deixam o rol de destaques

Márcio Anaya

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Impulsionado por um ambiente externo mais favorável, o Ibovespa cravou em novembro seu melhor desempenho mensal em três anos. O indicador subiu 12,5%, alcançando 127.331 pontos, o que ampliou para 16% a valorização acumulada no ano.

Com os resultados do terceiro trimestre em mãos, e já de olho em 2024, os analistas mais uma vez fizeram várias mudanças nas carteiras recomendadas de ações. Foram realizadas 24 trocas em dezembro, um aumento de 14% frente ao mês passado.

A principal novidade é o retorno de Localiza (RENT3) entre as mais citadas, com cinco escolhas.

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Outro destaque é a consolidação da Vale (VALE3), que ganhou uma indicação em relação ao mês passado e fecha 2023 como unanimidade entre os especialistas, presente em todos os dez portfólios monitorados pelo InfoMoney – pela primeira vez no ano.

A segunda posição no ranking permanece com o Itaú Unibanco (ITUB4), de forma isolada, com seis apontamentos.

A Prio (PRIO3) contabiliza cinco recomendações e divide o terceiro lugar com a Localiza.

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Petrobras (PETR4) e Sabesp (SBSP3), presentes em quatro carteiras selecionadas, fecham a relação de destaques de dezembro.

Com o rodízio de papéis, Copel (CPLE6), Rumo (RAIL3), Eletrobras (ELET3) e Totvs (TOTS3) deixam a lista das mais indicadas.

Confira as análises sobre cada empresa:

Em uma visão panorâmica, o BTG Pactual avalia que as perspectivas mais favoráveis para a economia dos EUA aumentaram o apetite dos investidores globais pelo risco, favorecendo os mercados emergentes em geral, especialmente o Brasil.

Conforme levantamento do consultor independente Einar Rivero, houve um recorde no volume líquido de entrada de recursos externos na B3, totalizando R$ 18,2 bilhões.

“Este desempenho representa a melhor performance registrada desde março de 2022”, diz o especialista.

Todos os meses, o InfoMoney analisa as carteiras recomendadas por dez corretoras, apontando as cinco companhias mais indicadas pelos analistas. O número pode ser maior, em caso de empate, como ocorreu neste mês.

Veja a seguir as seis ações mais citadas para dezembro, a quantidade de recomendações e os desempenhos de cada papel no acumulado de novembro, em 2023 e em 12 meses:

Empresa Ticker Nº de recomendações  Retorno em novembro Retorno em 2023  Retorno em 12 meses
Vale VALE3 10 10,33 -9,82 -6,17
Itaú Unibanco ITUB4 6 17,86 31,23 28,76
Localiza RENT3 5 18,03 15,30 2,86
Prio PRIO3 5 -3,71 23,43 27,41
Petrobras PETR4 4 7,32 89,04 73,72
Sabesp SBSP3 4 15,74 21,56 15,25
Ibovespa * * 12,54 16,04 13,20

Fontes: Ágora, Ativa, BB Investimentos, BTG Pactual, Genial, Guide, Órama, Santander Corretora, Terra Investimentos, XP Investimentos e Economatica.

Acompanhe agora os destaques de cada uma das empresas selecionadas para o mês, segundo os relatórios divulgados pelas corretoras.

Localiza (RENT3)

A companhia, que havia deixado o rol de destaques em novembro, retornou neste mês com três estreias nos portfólios selecionados e um total de cinco apontamentos.

Com isso, aparece em terceiro lugar entre as mais citadas, ao lado de Prio (PRIO3).

O BTG Pactual afirma que as ações da Localiza oferecem atualmente uma relação de risco/retorno interessante, devendo se beneficiar da normalização gradual do mercado automotivo e da redução da taxa de juros de longo prazo.

“No curto prazo, esperamos resultados positivos no quarto trimestre, refletindo uma sazonalidade mais favorável, uma demanda mais forte e yields resilientes, apesar da depreciação ainda elevada e do lucro pressionado pelas despesas financeiras.”

Vale (VALE3)

Com uma indicação a mais neste mês, a mineradora carimbou a presença em todas as dez carteiras de ações para dezembro, conforme acompanhamento do InfoMoney.

“Apesar de todas as incertezas vindas da economia global, em especial com os rumos da atividade na China, a verdade é que os preços do minério de ferro estão em quase US$ 140/tonelada, sinalizando que a dinâmica do mercado físico é realmente saudável”, diz a Ágora Investimentos.

De acordo com a corretora, tal cenário favoreceu o Ebitda da Vale no terceiro trimestre, que avançou 8% em relação a junho, para US$ 4,5 bilhões (ajustado proforma das operações continuadas), impulsionado também por maiores volumes da commodity e custos mais baixos.

Os especialistas ressaltam também que as ações da empresa vêm sendo negociadas com um desconto ao redor de 15% frente aos pares globais, considerando o múltiplo EV/Ebitda.

O índice aponta o valor da companhia em relação à potencial geração de caixa. Quanto menor, melhor.

Por fim, a Ágora afirma que a Vale entra em um período de sazonalidade positiva para os volumes exportados de minério de ferro, justificando a permanência do ativo em carteira.

Itaú Unibanco (ITUB4)

A instituição se manteve com seis escolhas e agora figura sozinha no segundo lugar do pódio.

Para a BB Investimentos, ao entregar um retorno sobre patrimônio líquido (ROE) acima de 20% no terceiro trimestre, em meio a um ambiente de desaceleração do crédito e inadimplência subindo, o Itaú mostra que se mantém em um bom momento.

Para os analistas da corretora, trata-se da opção mais equilibrada entre crescimento e rentabilidade dentre os grandes bancos de varejo que acompanham. Isso graças a um mix de crédito favorável, dividido entre perfis de pessoa física, pessoa jurídica, grandes empresas e varejo de alta renda.

Com a continuidade da queda dos juros, eles acreditam que o Itaú segue bem posicionado quanto à rentabilidade da carteira de crédito, ao passo que a inadimplência mostra viés de queda para 2024.

Prio (PRIO3)

A petrolífera registra cinco indicações neste mês, uma menos em relação a dezembro, caindo assim para o terceiro lugar geral.

Segundo a Ágora, a Prio apresenta o melhor desempenho anual entre as empresas juniores petróleo, até o momento, mas ainda há um desconto de aproximadamente 25% no EV/Ebitda esperado para 2024, quando se compara com 3R Petroleum (RRRP3) e PetroRecôncavo (RECV3).

O múltiplo representa o valor da empresa em relação à potencial geração de caixa. Quanto menor, melhor.

A corretora afirma que o próximo gatilho para as ações da Prio deve ser o acompanhamento das licenças ambientais pendentes em relação ao Campo de Wahoo, o que pode diminuir a percepção de risco do projeto de desenvolvimento.

Petrobras (PETR4)

A gigante de petróleo está presente em quatro carteiras, uma a mais em relação a novembro, ocupando a quarta posição no ranking, empatada com a Sabesp (SBSP3).

“A Petrobras segue apresentando bons resultados operacionais e financeiros, com perspectivas de aumento na produção e aproveitando a combinação de menores custos operacionais e baixo patamar de alavancagem”, diz a BB Investimentos.

A corretora lembra que, no mês passado, a estatal apresentou seu novo plano estratégico 2023-28, visto como positivo.

Para os analistas, o principal aspecto foi não ter apresentado “guinadas em dimensões que estão funcionando bem”. Ou seja, manteve o foco no pré-sal, quer manter o endividamento abaixo de US$ 65 bilhões e segue com a política de distribuir 45% do fluxo de caixa livre.

“As mudanças aprovadas ao longo deste ano para a nova política de preços e política de dividendos também trouxeram alívio aos investidores, que tinham receio de alterações menos favoráveis.”

Sabesp (SBSP3)

Também com uma estreia no mês, a empresa paulista de saneamento alcançou quatro apontamentos e fecha a lista de destaques.

A Ágora entende que, embora a tese principal de valorização das ações no médio prazo seja a possível privatização, existem sinais positivos da gestão da companhia.

Para a corretora, há um esforço da administração, por exemplo, em reduzir as provisões para despesas operacionais e para devedores duvidosos, “que nos últimos anos dispararam, subindo bem acima da provisão regulatória”.

Na Ativa Investimentos, a avaliação é de que a Sabesp vem melhorando seu resultado operacional nos últimos anos, mas ainda é negociada próxima a 70% do valor dos seus ativos regulatórios.

“Nossa expectativa é que, com a privatização, este hiato diminua consideravelmente e vemos com bons olhos a intenção do governo estadual em aprovar a privatização até o final deste ano.”

Márcio Anaya

Jornalista colaborador do InfoMoney